CONSULTORIA
AGOSTO - 2008
Evasão Escolar: Uma Visão Pragmática
Prof. Dr. Armando Castello Branco Jr.

A evasão escolar é uma doença que deve ser encarada com grande seriedade por qualquer IES. Tal qual uma doença, a intensidade com que a evasão se instala pode desestabilizar e inviabilizar todo um empreendimento educacional.

A escola deve abordar a evasão dentro de um contexto multifatorial em um plano estratégico. Diversas questões que aparentemente mostram-se desconexas com a evasão são fundamentais para a elaboração e implantação factível de um plano estratégico.

A primeira observação a ser feita é que um aluno satisfeito com a escola não deseja sair. Assim, a satisfação do aluno com o ensino, com os professores, com os funcionários, com os serviços, com as amizades, com as instalações, enfim, se sentindo bem na instituição não desejará sair. Esta é uma das regras básicas do marketing: “a satisfação do cliente”.

Diante desta observação outra pergunta deve ser respondida pelos gestores da escola: “Você conhece o seu alunado? Na maioria das vezes o “achômetro” é o mais utilizado. Não se enganem. Existem ferramentas para se obter tais informações. Questionários bem elaborados e aplicados corretamente em momentos estratégicos da vida escolar podem ser de grande utilidade. No entanto, se mal elaborados e mal aproveitados ou aplicados em momentos errados, teremos desperdiçado tempo e dinheiro e perdido a confiança de nossos clientes.

O serviço de uma Ouvidoria é muito útil se também bem elaborado e implantado com seriedade.

Conhecendo o nosso alunado poderemos saber questões básicas como sua faixa etária, distribuição sexual, renda familiar entre outros aspectos. Mas as principais informações são aquelas que se referem aos motivos que levaram o aluno a escolher a sua IES e não a do concorrente. Da mesma forma, é importante perguntar ao aluno quais as razões que o levariam a se transferir para o concorrente.

A elaboração correta de questionários pode nos trazer informações importantes para uma melhor estratégia futura de captação de alunos. Além dos aspectos já apontados, podemos saber se nosso aluno tem irmãos ou primos e em qual idade escolar estão no momento. Lembre-se que um aluno satisfeito indica a escola para alguns outros amigos e parentes. Mas um aluno insatisfeito afasta dezenas de possíveis interessados.

Não devemos nos esquecer que o professor é a ponte fundamental entre o alunado e a administração escolar, estando em contato direto com o aluno percebendo suas impressões e demandas com grande facilidade.

Uma vez estando claro como é o nosso alunado atual, o que ele pensa da instituição, quais os seus anseios e demandas devemos passar para a análise detalhada e implantação de ações que atendam aos nossos clientes. Claro que dentro dos princípios de ética e moral.

Não nos esqueçamos de outros clientes, também fundamentais para nossa escola, são nosso corpo docente e corpo técnico-administrativo. Conhecer seus anseios, suas demandas também nos ajudará a delinear os caminhos da escola. Lembre-se que o professor fica com o aluno a maior parte do tempo e que, um professor satisfeito com sua instituição acaba por vestir a camisa e ajuda sobremaneira na gestão do curso e da IES. No entanto, um professor ou funcionário insatisfeitos fazem grandes estragos em pouco tempo.

Assim, a motivação destes dois personagens no cenário da escola é fundamental. A implantação de programas de capacitação real é fundamental. A análise e emprego das várias estratégias de ensino-aprendizagem existentes e a orientação para o uso correto das ferramentas áudio-visuais disponíveis são muito úteis para o professor. Da mesma forma, a capacitação do corpo técnico-administrativo quanto à sua eficiência e poder de resolução de problemas é fundamental.

E, em ambos os casos, um processo de humanização deve ser posto em prática. Infelizmente, é muito comum nos dias de hoje, que as pessoas esqueçam as boas práticas da educação. O uso de algumas palavras e expressões mágicas melhoram muito o dia-a-dia. Algumas delas são: “pois não”, “obrigado” e “por favor”. Muitos professores e funcionários se esquecem que já tiveram a idade de nossos alunos e como é que se portavam. O processo de se colocar na posição do outro é fundamental para que impere um ambiente de cortesia e respeito. Lembre a todos: “trate as pessoas da mesma forma que você gostaria de ser tratado”.

Ainda quanto à satisfação do corpo docente e técnico-administrativo temos que a existência de um plano de cargos, carreiras e salários factível é fundamental. Da mesma forma o reconhecimento, pela mantenedora, pelos objetivos atingidos por todos os personagens do cenário escolar é desejável e salutar.

Um sintoma comum que antecede à evasão é a inadimplência. Este aspecto supervalorizado nas IES tem seu peso e deve ser tratado com seriedade. Um programa de negociação das dívidas é fundamental mas não deve ser o único elemento na luta contra a evasão.

Mas a inadimplência não tem só por causa o aspecto financeiro. A inadimplência e a evasão também podem vir em decorrência da sensação de incapacidade de acompanhar o curso escolhido. Ou ainda, de perceber que escolheu o curso errado. Estamos diante de dois aspectos muito relevantes e freqüentemente ignorados ou subvalorizados pelas IES.

A implantação de um programa de nivelamento para calouros e de reforço para calouros e veteranos é fundamental para que o aluno tenha um bom desempenho. É de conhecimento público que o ensino médio público brasileiro é de baixa qualidade. Assim, ao percebermos que o poder de retenção do vestibular é muito pequeno, devemos nos esforçar para tentar dar ao calouro condições mínimas de acompanhamento de seu curso. Não vamos nos iludir. Não há como recuperar em alguns meses o que não foi feito em anos. As ações de nivelamento são um paliativo. A solução é a melhoria de qualidade do ensino público nos níveis fundamental e médio.

Voltando ao aspecto nivelamento e reforço, uma saída estratégica que agrada a todos é a implantação de um programa de monitoria.

A escolha errada de um curso superior é muito comum, especialmente com o atual leque de novas profissões. Assim, a escola deve estar preparada para este desafio, orientar o jovem a se encontrar dentro de um universo de profissões onde há muita intersecção. Este serviço é fundamental e traz ao aluno a sensação de amparo pela IES.

Não devemos nos esquecer ainda do fator estrutura física e logística. O aluno que percebe sua instituição com boas instalações laboratoriais, salas de aula, áudio-visual, auditórios, biblioteca, cantinas, espaço para lazer, entre outros, deverá se sentir fortificado e desejoso de continuar seus estudos. Desta forma, um planejamento quanto ao investimento em estrutura física e logística é fundamental para a vida da IES.

Por último, temos que a inclusão da IES nos programas oficiais governamentais é fundamental. O aluno que percebe sua escola participando do PROUNI, FIES, PROJETO RONDON, entre outros entende que sua escola tem boas credenciais. A escola deve fazer uso desta percepção além das vantagens inerentes à participação destes programas.

Enfim, temos que a evasão é, com toda a razão, um dos maiores temores das mantenedoras. Percebe-se, no entanto, que na maioria das vezes, é visto apenas como um problema financeiro gerando inadimplência num primeiro momento e evasão propriamente dita em uma segunda instância. A visão holística deste problema torna possível a elaboração e implantação de um Plano de Desenvolvimento Institucional factível e com menor quantidade de erros, não mais sobrevalorizando o aspecto financeiro em detrimento da qualidade pedagógica.


Prof. Dr. Armando Castello Branco Jr. - Consultor educacional. Grande experiência administrativa no ensino superior como gestor de graduação e pós-graduação, elaboração e implantação de projetos estratégicos e gestão de conflitos.
PRÊMIO PNGE 2009
OPERADORA OFICIAL DE TURISMO
PARCERIA
DESTAQUE MÍDIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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