A
evasão escolar é uma doença que
deve ser encarada com grande seriedade por qualquer
IES. Tal qual uma doença, a intensidade com que
a evasão se instala pode desestabilizar e inviabilizar
todo um empreendimento educacional.
A escola deve abordar a evasão dentro de um contexto
multifatorial em um plano estratégico. Diversas
questões que aparentemente mostram-se desconexas
com a evasão são fundamentais para a elaboração
e implantação factível de um plano
estratégico.
A primeira observação a ser feita é
que um aluno satisfeito com a escola não deseja
sair. Assim, a satisfação do aluno com
o ensino, com os professores, com os funcionários,
com os serviços, com as amizades, com as instalações,
enfim, se sentindo bem na instituição
não desejará sair. Esta é uma das
regras básicas do marketing: “a satisfação
do cliente”.
Diante desta observação outra pergunta
deve ser respondida pelos gestores da escola: “Você
conhece o seu alunado? Na maioria das vezes o “achômetro”
é o mais utilizado. Não se enganem. Existem
ferramentas para se obter tais informações.
Questionários bem elaborados e aplicados corretamente
em momentos estratégicos da vida escolar podem
ser de grande utilidade. No entanto, se mal elaborados
e mal aproveitados ou aplicados em momentos errados,
teremos desperdiçado tempo e dinheiro e perdido
a confiança de nossos clientes.
O serviço de uma Ouvidoria é muito útil
se também bem elaborado e implantado com seriedade.
Conhecendo o nosso alunado poderemos saber questões
básicas como sua faixa etária, distribuição
sexual, renda familiar entre outros aspectos. Mas as
principais informações são aquelas
que se referem aos motivos que levaram o aluno a escolher
a sua IES e não a do concorrente. Da mesma forma,
é importante perguntar ao aluno quais as razões
que o levariam a se transferir para o concorrente.
A
elaboração correta de questionários
pode nos trazer informações importantes
para uma melhor estratégia futura de captação
de alunos. Além dos aspectos já apontados,
podemos saber se nosso aluno tem irmãos ou primos
e em qual idade escolar estão no momento. Lembre-se
que um aluno satisfeito indica a escola para alguns
outros amigos e parentes. Mas um aluno insatisfeito
afasta dezenas de possíveis interessados.
Não
devemos nos esquecer que o professor é a ponte
fundamental entre o alunado e a administração
escolar, estando em contato direto com o aluno percebendo
suas impressões e demandas com grande facilidade.
Uma
vez estando claro como é o nosso alunado atual,
o que ele pensa da instituição, quais
os seus anseios e demandas devemos passar para a análise
detalhada e implantação de ações
que atendam aos nossos clientes. Claro que dentro dos
princípios de ética e moral.
Não nos esqueçamos de outros clientes,
também fundamentais para nossa escola, são
nosso corpo docente e corpo técnico-administrativo.
Conhecer seus anseios, suas demandas também nos
ajudará a delinear os caminhos da escola. Lembre-se
que o professor fica com o aluno a maior parte do tempo
e que, um professor satisfeito com sua instituição
acaba por vestir a camisa e ajuda sobremaneira na gestão
do curso e da IES. No entanto, um professor ou funcionário
insatisfeitos fazem grandes estragos em pouco tempo.
Assim,
a motivação destes dois personagens no
cenário da escola é fundamental. A implantação
de programas de capacitação real é
fundamental. A análise e emprego das várias
estratégias de ensino-aprendizagem existentes
e a orientação para o uso correto das
ferramentas áudio-visuais disponíveis
são muito úteis para o professor. Da mesma
forma, a capacitação do corpo técnico-administrativo
quanto à sua eficiência e poder de resolução
de problemas é fundamental.
E,
em ambos os casos, um processo de humanização
deve ser posto em prática. Infelizmente, é
muito comum nos dias de hoje, que as pessoas esqueçam
as boas práticas da educação. O
uso de algumas palavras e expressões mágicas
melhoram muito o dia-a-dia. Algumas delas são:
“pois não”, “obrigado”
e “por favor”. Muitos professores e funcionários
se esquecem que já tiveram a idade de nossos
alunos e como é que se portavam. O processo de
se colocar na posição do outro é
fundamental para que impere um ambiente de cortesia
e respeito. Lembre a todos: “trate as pessoas
da mesma forma que você gostaria de ser tratado”.
Ainda
quanto à satisfação do corpo docente
e técnico-administrativo temos que a existência
de um plano de cargos, carreiras e salários factível
é fundamental. Da mesma forma o reconhecimento,
pela mantenedora, pelos objetivos atingidos por todos
os personagens do cenário escolar é desejável
e salutar.
Um
sintoma comum que antecede à evasão é
a inadimplência. Este aspecto supervalorizado
nas IES tem seu peso e deve ser tratado com seriedade.
Um programa de negociação das dívidas
é fundamental mas não deve ser o único
elemento na luta contra a evasão.
Mas
a inadimplência não tem só por causa
o aspecto financeiro. A inadimplência e a evasão
também podem vir em decorrência da sensação
de incapacidade de acompanhar o curso escolhido. Ou
ainda, de perceber que escolheu o curso errado. Estamos
diante de dois aspectos muito relevantes e freqüentemente
ignorados ou subvalorizados pelas IES.
A
implantação de um programa de nivelamento
para calouros e de reforço para calouros e veteranos
é fundamental para que o aluno tenha um bom desempenho.
É de conhecimento público que o ensino
médio público brasileiro é de baixa
qualidade. Assim, ao percebermos que o poder de retenção
do vestibular é muito pequeno, devemos nos esforçar
para tentar dar ao calouro condições mínimas
de acompanhamento de seu curso. Não vamos nos
iludir. Não há como recuperar em alguns
meses o que não foi feito em anos. As ações
de nivelamento são um paliativo. A solução
é a melhoria de qualidade do ensino público
nos níveis fundamental e médio.
Voltando
ao aspecto nivelamento e reforço, uma saída
estratégica que agrada a todos é a implantação
de um programa de monitoria.
A
escolha errada de um curso superior é muito comum,
especialmente com o atual leque de novas profissões.
Assim, a escola deve estar preparada para este desafio,
orientar o jovem a se encontrar dentro de um universo
de profissões onde há muita intersecção.
Este serviço é fundamental e traz ao aluno
a sensação de amparo pela IES.
Não
devemos nos esquecer ainda do fator estrutura física
e logística. O aluno que percebe sua instituição
com boas instalações laboratoriais, salas
de aula, áudio-visual, auditórios, biblioteca,
cantinas, espaço para lazer, entre outros, deverá
se sentir fortificado e desejoso de continuar seus estudos.
Desta forma, um planejamento quanto ao investimento
em estrutura física e logística é
fundamental para a vida da IES.
Por
último, temos que a inclusão da IES nos
programas oficiais governamentais é fundamental.
O aluno que percebe sua escola participando do PROUNI,
FIES, PROJETO RONDON, entre outros entende que sua escola
tem boas credenciais. A escola deve fazer uso desta
percepção além das vantagens inerentes
à participação destes programas.
Enfim,
temos que a evasão é, com toda a razão,
um dos maiores temores das mantenedoras. Percebe-se,
no entanto, que na maioria das vezes, é visto
apenas como um problema financeiro gerando inadimplência
num primeiro momento e evasão propriamente dita
em uma segunda instância. A visão holística
deste problema torna possível a elaboração
e implantação de um Plano de Desenvolvimento
Institucional factível e com menor quantidade
de erros, não mais sobrevalorizando o aspecto
financeiro em detrimento da qualidade pedagógica.