A
percepção da necessidade de um controle
orçamentário constante e eficiente por
parte das escolas há algum tempo deixou de ser
novidade. Com um mercado constantemente mais competitivo
e margens de lucro cada vez mais apertadas, a conscientização
a respeito da importância do acompanhamento e
da análise de um orçamento estruturado
se difundiram com menos dificuldades do que outrora.
Em
um mercado no qual a maioria dos empresários
tem uma formação na área educacional,
e não na administrativa, na época das
“vacas gordas” o gerenciamento orçamentário
era feito mais no estilo “a toque de caixa”.
As decisões eram tomadas mais na base do feeling,
e o retorno de cada uma delas dificilmente era adequadamente
medido. Com o mercado em expansão, a prioridade
estava em não perder as oportunidades.
Os
tempos, naturalmente, são outros. Com a escassez
de alunos e a proliferação da oferta de
vagas, tomar decisões por feeling caiu
em desuso. O mercado passou a punir os agentes que não
se profissionalizaram em suas gestões.
Quando
se fala em administração de orçamento,
a primeira coisa que vem à cabeça é
aquela enxurrada de números dos quais se precisa
fazer um grande esforço para extrair as análises
adequadas. Essa imagem não é de todo distorcida
– afinal, um bom orçamento tem, mesmo,
uma grande quantidade de informações numéricas
e, por isso, ter um acompanhamento especializado no
momento da análise é sempre recomendável.
Mas a boa análise de um orçamento não
está na quantidade das informações,
mas na qualidade. A experiência mostra não
ser muito difícil identificar os drivers
de sucesso ou insucesso de um negócio.
Quando
um orçamento não aponta para o resultado
desejado, seja em termos de lucratividade, seja em termos
de fluxo de caixa, a pergunta mais comum que se costuma
ouvir é: “quantos alunos a mais são
necessários para cobrir esta diferença?”.
A resposta normalmente é animadora, porque como
o orçamento é muito sensível a
número de alunos, uma quantidade aparentemente
pequena resolveria todo o problema.
Esta
é uma armadilha muito comum e, ao mesmo tempo,
quase fatal. Perceber que o gap de alunos em
relação ao ponto de equilíbrio
não é grande pode, muitas vezes, levar
à falta de ação. É como
se se esperasse uma ação corretiva externa,
que traria os alunos e equilibraria o orçamento.
Com
seus 20 anos de experiência na administração
de orçamentos, a Corus sabe
que só esperar a chegada de mais alunos não
resolve. Naturalmente ações de divulgação
ou de ajustes de imagem junto aos públicos externo
e interno, desde que bem estudadas, são altamente
recomendáveis. Mas administrar bem um orçamento
não é só olhar para o lado da receita.
Planejar
ações que angariem novos alunos, normalmente,
é uma tarefa incrivelmente mais prazerosa do
que administrar os custos internos e procurar adequá-los
à realidade da escola. Administrar custos significa
contrariar interesses. Administrar custos significa
dizer “não” a demandas. Da capacidade
de exercer adequadamente esta administração
depende, em última análise, o sucesso
de boa parte das escolas atualmente no mercado.
Através
de observações sobre o desempenho orçamentário
das escolas rentáveis, consegue-se observar a
tendência de distribuição dos principais
itens de custo sobre a receita.
O
plano de contas das escolas varia pouco de uma para
a outra. Quase todas têm folha de pagamento, encargos,
benefícios, impostos, Pro-Labore, aluguel, serviços
profissionais, tarifas públicas, materiais, manutenção
e publicidade, dentre outros itens. Para cada um desses
itens, existem incidências recomendáveis
sobre a receita, de acordo com o observado na maioria
das escolas rentáveis.
Ainda
que o único trabalho realmente bem feito seja
o completo – ou seja, aquele que contempla o efetivo
controle de todos os itens de um orçamento -,
não há como negar que existe uma severa
desproporção de importância entre
os itens mencionados no parágrafo anterior. Como
em qualquer prestação de serviços,
nas escolas o item “folha de pagamento”
se sobrepõe, de longe, aos demais, em termos
de peso em um orçamento.
Para
se ter uma idéia, nas escolas rentáveis
o peso da folha, acrescida de encargos e benefícios,
sobre a receita costuma girar entre 56% e 60%. Ora,
isso significa que os demais 40% a 44% devem ser suficientes
para todos outros itens de custo, e mais os lucros da
escola. É uma desproporção e tanto.
Por
isso, o trabalho de acompanhamento orçamentário
das escolas costuma ser dividido em dois graus de importância.
O controle dos itens não-salariais é visto
como “muito importante”. O controle da folha
de pagamento é visto como “vital”.
O descontrole nos demais itens, de uma maneira geral,
pode adoecer uma escola. O descontrole na folha pode
matá-la.
Pode
parecer elementar, então, que a maior parte da
energia dos gestores de custos se concentre na folha
de pagamento. Não é, porém, o que
acontece. Oscilações em itens de peso
muito menor são acompanhadas muito mais de perto
do que contratações ou reajustes salariais
concedidos. Decisões que impactam a folha de
pagamento costumam ser tomadas com uma rapidez e uma
falta de estudo desproporcionais ao seu impacto potencial.
Esta
questão do impacto potencial merece uma análise
mais detida. Alterações na folha são
decisivas no orçamento não só porque
é este o item preponderante nos custos, mas também
porque aumentos de salários vêm acompanhados
de mais encargos e, dependendo das circunstâncias,
de mais benefícios. Um exemplo numérico
bem simplificado ajuda a visualizar isso. A contratação
de um auxiliar administrativo com salário de
R$ 1.000 mensais parece uma decisão corriqueira.
Em boa parte das escolas, é tomada sem muita
cerimônia ou estudo. Considerando-se o caso de
uma escola que tenha dívidas cujo custo seja
de 3% ao mês, no período de 5 anos esta
contratação lhe terá custado a
bagatela de R$ 269 mil!
Mais
do que qualquer outro item de custo, oscilações
na folha têm um potencial explosivo sobre o orçamento.
Mais do que qualquer outro item de custo, a folha de
pagamento merece um acompanhamento à parte, rigoroso,
contínuo e com instrumentos próprios.
Um
instrumento básico, mas pouco usado pelas escolas,
é o comparador mensal de salários brutos.
Basta que se tenha uma planilha em Excel com todos os
nomes e salários contratados em um mês,
para que se compare isso com o ocorrido no mês
seguinte. Tão simples que parece dispensável,
não? Na prática, nem tanto. Quando se
começa a adotar este procedimento, não
é incomum que os gestores de orçamento
se assustem com oscilações ocorridas que
não eram esperadas. Isso se deve ao fato de que,
em boa parte das escolas, o crescimento da folha parece
ser auto-sustentado. As decisões de contratação
e reajuste são tomadas, muitas vezes, sem o aval
final da alta chefia. O impacto, muitas vezes, é
desastroso. A administração da folha por
um instrumento simples como o comparador mensal de salários
brutos evita que este tipo de desequilíbrio aconteça
sem se manifestar. Com as medidas adequadas, em pouco
tempo impede que ele aconteça.
Sendo
com esta ferramenta simples ou com outras, existentes,
mais sofisticadas, o que se deve recomendar fortemente
é uma marcação agressiva dos gestores
de orçamento sobre a evolução mensal
da folha de pagamento. Pode parecer inacreditável,
mas mesmo sendo o item mais sensível, parece,
muitas vezes, que ele ganha vida própria nas
escolas. Uma gestão orçamentária
não será completa sem uma atuação
firme sobre ele.
Por
fim, é fundamental lembrar que tão importante
quanto a quantificação correta da folha
de pagamento é a preocupação com
a sua qualidade. Estamos falando de tópicos como
avaliação de desempenho, planos de motivação
e unificação da escola, conquista de pessoal
sintonizado com a filosofia da instituição,
dentre outros temas correlatos. Sobre isso escreveremos
em um futuro artigo.