CONSULTORIA
JUNHO - 2008
Vamos criar um curso novo?

Rogério Massaro Suriani

Se você olhar novamente para o título deste artigo, perceberá que ele pode ser lido com diferentes entonações: uma mais leve e empolgada, que convida a criar um novo curso, e outra mais pesada e tensa que coloca em dúvida a possibilidade ou necessidade de criar um curso novo.

Apesar de a grafia ser rigorosamente a mesma, a forma que você lê ou fala sobre este assunto, pode indicar o quanto você e sua instituição estão preparados adequadamente para a tarefa.

Em um passado não muito distante, era suficiente uma instituição de ensino superior criar um novo curso para crescer. Mesmo sem muitos planejamentos e cuidados os resultados já eram bons. Devido à demanda reprimida daquele momento, novos alunos buscavam rapidamente as vagas disponíveis e com isso, a instituição ocupava novos mercados, aumentava seu número de alunos, seu faturamento, enfim, ampliava sua participação no mercado educacional privado.

Menos de uma década depois a realidade mudou drasticamente. Há uma ampla oferta de títulos em diversas áreas do conhecimento e cursos que chegam a 40 ou 50% de vagas ociosas. É comum você ouvir dizer que atualmente só não estuda quem não quer, pois até pessoas que não possuem recursos financeiros suficientes, podem utilizar diversos programas do governo e outras formas de financiamento para ter acesso ao ensino superior.

Se antes o planejamento estratégico e a gestão profissional do setor educacional não foram tão relevantes para estabelecer o futuro de uma instituição, hoje eles são determinantes para decidir o sucesso ou o fracasso até mesmo de um único curso.

A elaboração de um novo curso hoje, seja ele presencial ou a distância, só deve ser iniciada após compreender o impacto do planejamento estratégico da instituição e dos aspectos de gestão envolvidos em sua criação, implantação e operacionalização.

A missão, os valores e as diretrizes estratégicas necessitam ser considerados para garantir que o curso a ser criado esteja alinhado com a proposta institucional. Além disso, muitas pesquisas, levantamentos e análises detalhadas de dados devem ser realizadas para confirmar aspectos de viabilidade mercadológica, financeira, adequação a proposta pedagógica, e aderência a marca daquela instituição.

O exaustivo trabalho prévio permite que os potenciais alunos reconheçam vários pontos fortes no seu produto e passe a desejá-lo, gerando assim procura para todas as vagas ofertadas.

De maneira simplista e resumida, para dedicar-se a preparação de um novo curso é necessário:

1- Acompanhar o mercado de trabalho e identificar tendências e inovações que possam ser aproveitadas na área educacional.
2- Identificar a demanda potencial para este mercado e os possíveis concorrentes que possam vir a atuar neste mercado, caso já não exista algum.
3- Verificar se a tendência é compatível com a missão e o perfil institucional.
4- Traçar o perfil dos alunos que freqüentam sua instituição e analisar se o curso a ser proposto é adequado para o público que você atua. Para o caso de educação a distância, avaliar se o público alvo que se pretende atingir em outras localidades é coerente com a proposta de trabalho da instituição.
5- Procurar compor o novo curso com o mix de cursos já ofertados na instituição, a fim de ganhar em competitividade e fluxo de caixa a médio e longo prazo.
6- Apontar claramente quais os diferenciais que seu curso deverá possuir para manter a atratividade em relação aos concorrentes.

Caso estas etapas tenham sido concluídas com êxito e ainda assim apontem favoravelmente para o desenvolvimento do novo curso, ai sim você deverá preocupar-se com os aspectos didáticos e pedagógicos, sempre alinhado com o projeto pedagógico institucional, o que dará uma linguagem única aos cursos da instituição.

Se você acha que o trabalho acaba quando o curso é ofertado e atrai vários candidatos por vaga, está enganado. Apenas a primeira etapa do projeto foi concluída. Falta acompanhar o desenvolvimento do curso semestre a semestre, preparar e dar apoio ao corpo docente durante a construção e evolução do curso, avaliando cada etapa e corrigindo o que julgar necessário para atingir os objetivos de formação dos alunos, propostos para o curso.

Ficando atento a cada uma destas fases e realizando cada etapa de forma cuidadosa, provavelmente sua instituição terá mais um curso de sucesso e minimizará os problemas que a falta de planejamento e gestão costumam causar, a ociosidade de vagas e o futuro cancelamento do curso.

Deixar de ofertar um curso desgasta a imagem da instituição perante alunos, professores e mercado de trabalho, transmite a sensação de falta de qualidade, que pode respingar em outros cursos da instituição e permite que o mercado questione os resultados obtidos até então, além de riscar a imagem da instituição perante o mercado que emprega os alunos.

Ninguém desenvolve um curso sem estar totalmente certo de que está realizando o melhor trabalho possível, mas com planejamento e gestão adequados, ampliam suas chances de sucesso, frente a um mercado que se modifica rapidamente.

Para concluir, não deixe que a pergunta inicial (Vamos criar um curso novo?) tenha outra interpretação na sua instituição, que não seja o convite entusiasmado para criar um novo produto. Elabore a estratégia, profissionalize a gestão e sucesso.


Rogério Massaro Suriani - Mais de 15 anos de carreira na área de gestão educacional, desenvolvida no ensino superior (graduação, pós-graduação, extensão e pesquisa), ensino técnico e cursos não regulamentados. Grande experiência em gestão de unidades de negócios, elaboração e implantação de planos estratégicos, desenvolvimento de novos produtos e serviços e gestão estratégica de recursos. Sólidos conhecimentos em tecnologia da informação e tecnologias educacionais, com ênfase em educação à distância. Amplo conhecimento e experiência em desenvolvimento de projetos e planos de negócios. Foi Diretor da Faculdade Senac de Comunicação e Artes e Reitor do Centro Universitário Senac. Atualmente desenvolve projetos como consultor educacional.
PRÊMIO PNGE 2009
OPERADORA OFICIAL DE TURISMO
PARCERIA
DESTAQUE MÍDIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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