
Solange Giardino
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Vivemos
na Sociedade do Conhecimento, um novo mundo, onde o trabalho
físico é feito pelas máquinas e o
mental, pelos computadores. Nela cabe ao homem uma tarefa
para a qual é insubstituível: ser criativo.
Há
uma grande diferença entre informação
e conhecimento. As informações podem estar
disponíveis em qualquer meio: Livros, CDs, Internet,
computador, mas o conhecimento só pode ser encontrado
nos seres humanos, que adequam e aplicam estas informações.
A
educação universitária, considerada
predominantemente tradicional, fundamenta-se no conceito-chave
de que o professor transmite um conjunto fixo de informações
aos alunos. Há que substituí-la por um enfoque
alicerçado em processos de construção,
gestão e disseminação do conhecimento,
com ênfase no “aprender a aprender”
e na educação ao longo da vida, pois o aluno
da Sociedade do Conhecimento pertence à chamada
Geração Net.
Essa
geração é visual, da hipertextual
e colaborativa. Ela não pensa linearmente, mas
em todas as direções, estabelecendo relações
com as informações conforme sua necessidade.
A escola atual, linear por sua herança conteudista,
cada vez mais perde atratividade e significação
para esses alunos. Prover informação já
não é mais suficiente. É preciso
provê-la de forma qualificada, significativa, multimidiática
e transversalizada. Informação pura e simples
está ao alcance do controle remoto ou do clique
do mouse de forma mais atraente e rápida.
A
tecnologia, no entanto, é fator importante para
o processo de transformação da educação
e da escola e pode assumir um papel de ajudar a viabilizar
o processo de mudança, dependendo do projeto pedagógico.
Considera-se
que o uso das novas tecnologias na educação,
tanto presencial quanto a distância (torna-se cada
vez menos pertinente a distinção entre ambas),
possibilita ultrapassar os limites de tempo e espaço
através da comunicação interativa.
Aprender a lidar com as mesmas e usá-las na preparação
de materiais são domínios adquiridos com
menor dificuldade se comparado com o processo cognitivo,
social e cultural que envolve o processo de aprendizagem
colaborativa em rede.
Portanto,
a apropriação dos processos tecnológicos
é mais adequada se ocorrer juntamente com a formação
pedagógica, para que o professor esteja capacitado
a manter uma postura reflexiva no processo educativo.
A
capacitação proporciona o conhecimento do
ambiente e as possibilidades pedagógicas das principais
ferramentas, com foco na publicação de conteúdos
e nas possibilidades de interação disponíveis
para a utilização das novas Tecnologias
da Informação e Comunicação
(TICs) como apoio às aulas presenciais.
O
termo “Inteligência Coletiva”, descrito
por Pierre Lévy, diz respeito a uma inteligência
distribuída por toda parte, incessantemente valorizada,
coordenada em tempo real, que resulta uma mobilização
efetiva das competências de diversos indivíduos.
A
Web 2.0 é a segunda geração da Internet,
tendência que reforça o conceito de troca
de informações e colaboração
dos internautas com sites e serviços virtuais.
A idéia é que o ambiente on-line se torne
mais dinâmico e que os usuários colaborem
para a organização de conteúdo. Dentre
as muitas ferramentas de comunicação e colaboração
disponíveis no Ambiente Virtual de Aprendizagem
Moodle, destaca-se o WiKi, uma ferramenta para a construção
colaborativa de textos, que pressupõe uma opção
por caminhos que possibilitem a emergência do diálogo
e da autoria compartilhada, numa proposta aberta e colaborativa.
As
wikis podem, com vantagens, dar suporte a projetos interdisciplinares,
pela facilidade de acesso, edição, publicação
e distribuição do conteúdo. Por estas
características, também, tendem a alargar
o número de participantes e colaboradores de qualquer
projeto e, como ambiente para trocas, vai além
dos fóruns e listas de discussão, principalmente
pela organização do conteúdo em tempo
real. Wikis exigem confiança nas pessoas e no processo,
tolerância para com as diferenças, desprendimento
e solidariedade e abrem espaço para a sua construção.
O
papel do professor muda radicalmente a partir dessa concepção,
onde não é mais aquele que se coloca como
centro do processo, que "ensina" para que os
alunos passivamente aprendam; tampouco é aquele
organizador de propostas de aprendizagem que os alunos
deverão desenvolver sem que ele tenha que intervir.
Ele é o agente mediador deste processo, propondo
desafios aos seus alunos e ajudando-os a resolvê-los,
realizando com eles ou proporcionando atividades em grupo,
em que aqueles que estiverem mais adiantados poderão
cooperar com os demais.
Esta
visão enfatiza o papel do ambiente social no desenvolvimento
e na aprendizagem; valoriza a colaboração
entre os estudantes e entre eles e os professores. O professor
e os colegas com maior experiência são mediadores
deste processo e são aqueles que ajudam o estudante
a alcançar um desenvolvimento que ainda não
atinge sozinho.
É
preciso que a Escola e seus educadores atentem que não
tem como função ensinar aquilo que o aluno
pode aprender por si mesmo e sim, potencializar o processo
de aprendizagem do estudante. A função da
escola é fazer com que os conceitos espontâneos
e informais evoluam para o nível dos conceitos
científicos, sistemáticos e formais, adquiridos
pelo ensino. Eis aí o papel mediador do docente.
Solange
Giardino - Coordenadora de EaD do Instituto Presbiteriano
Mackenzie. Trabalha na área de tecnologia aplicada
à educação desde 1986, implementando
as ferramentas e recursos digitais à prática
docente. Tem experiência na área de Educação,
com ênfase em Tecnologia, onde desenvolve projetos
nas áreas de formação continuada
de professores, ensino e aprendizagem a distância.