Em
diversas pesquisas e levantamentos, invariavelmente
é identificado que o jovem da Geração
Y define a empresa ideal como aquela que proporciona
um ambiente de trabalho agradável, desenvolvimento
e crescimento profissional acelerados, qualidade
de vida em primeiro lugar e que tenha boa imagem
no mercado. Estou no mercado de trabalho há
35 anos e nunca encontrei essa empresa maravilhosa,
que consegue afinar crescimento rápido
de carreira com qualidade de vida.
O
jovem é o combustível natural para
a continuidade das famílias, da sociedade,
dos exércitos e das organizações
empresariais. Não há outra matéria
prima para o futuro dos negócios e da própria
vida neste planeta.
As
empresas necessitam dos jovens para se oxigenarem,
manterem ativo o seu processo de inovação
e perpetuarem suas atividades, produtos e serviços.
E os jovens vêem nas empresas objetos de
desejo para suas empreitadas profissionais, ambiente
em que poderão exercitar sua capacidade
e habilidades.
O
casamento entre empresas e os jovens é
parte integrante na existência de ambos.
Apesar desse quase obrigatório instrumento
de formação de futuras equipes,
o fato é que o mundo ficou menor, mais
competitivo e mais exigente. O jovem Y ficou bem
mais seletivo, mas a empresa também.
Todos
buscam encontrar a chave capaz de abrir a caixa
da adequação, local onde os desejos
de ambos os lados se ajustam. Evidentemente, não
conheço fórmula mágica ou
rápida (como querem os jovens) para atender
essa questão, mas ouso sugerir 10 regras
para que o amor entre jovens e empresas seja eterno
enquanto dure.
-
Transparência nas relações
sobre todas as coisas
A empresa quer os melhores para o seu quadro de
profissionais. O jovem quer a melhor empresa para
a concretização de seus sonhos.
Porém, essa união de interesses
só poderá dar certo se a regra do
jogo for clara desde o momento inicial. Entenda-se
união de interesses como sinergia de valores.
-
Não tomar seu nome em vão
O amor sob qualquer condição não
dura. Numerosas histórias de insucesso
são sobejamente conhecidas por serem construídas
em cima de salto alto. Há a necessidade
de se estabelecer limites. Não existem
jovens super-heróis, como não existem
empresas perfeitas. Vive-se com virtudes e defeitos.
Se o amor não perdurar, cada um para o
seu lado, da maneira mais madura e honesta possível.
Críticas após o desfecho denotam
imaturidade e incapacidade para aprender com os
erros.
-
Guardar os domingos, feriados e férias
Cuidado com a relação workaholic.
A questão custo-benefício está
bastante em voga, sendo compreensível que
quem investe quer retorno o mais rápido
possível. Entretanto, trabalho demasiado
como demonstração de amor, consistente
em sua frequência, só consegue energia
no início. A médio e longo prazos
resultam muito mais em reclamações,
passivos e cobranças. Além disso,
é incompatível com a tão
ambicionada qualidade de vida.
-
Honrar e respeitar a relação
O comportamental tem sido o grande desafio do
jovem Y em sua entrada e manutenção
no mercado de trabalho. Empresas que compreendem
essa realidade criam mecanismos de melhor aproveitamento
do jovem Y, entre eles o mentor, que irá
acompanhá-lo e desenvolvê-lo segundo
critérios, diretrizes e planos definidos.
Todavia, só funcionará se o respeito
e a confiança fizerem parte dessa relação.
Em ambas as partes.
-
Não matar as ideias e iniciativas
A oxigenação só ocorrerá
na empresa se o jovem Y participar. Os papéis
de incentivador, ouvinte e orientador serão
desenvolvidos pelo mentor. O jovem Y não
está viciado pelo ambiente e pela experiência.
Ele tem excelente preparo tecnológico e
grande conhecimento teórico, mas não
poderá entender que só isso será
suficiente para assumir todos os desafios e correr
as distâncias. O mentor deverá dosar
o ímpeto.
-
Não pecar contra a reputação
Se pisar na bola em sua conduta, o profissional
ficará “queimado” no mercado.
O jovem Y no início de sua caminhada não
poderá pretender chegar rapidamente, e
a qualquer meio, ao fim que estabeleceu para sua
carreira. Em geral, as empresas não estão
dispostas a pagar o preço. Se “queimar”
sua reputação, o jovem Y perderá
(como qualquer um) a confiança das pessoas.
Ascensão meteórica na carreira é
como a mula sem cabeça: é só
folclore.
-
Não roubar os resultados e propostas alheias
Acreditem: jovem Y de muito talento é mortal
como todos nós. Possui grandes qualidades
e fragilidades também. O jovem Y, em geral,
é muito protegido pela família,
vivendo e se desenvolvendo sob limites mais largos
do que a empresa estará demarcando. Frustração
fará parte de sua estrada. Algumas vezes
os resultados não serão bons e as
propostas apresentadas não serão
vencedoras. É preciso saber conviver com
essa realidade e vencer essas naturais barreiras.
-
Não levantar falso testemunho
Nas empresas, nem sempre o rio corre para o mesmo
lado. É difícil trabalhar com crenças
e pensamentos diferentes. As pessoas não
são iguais e numa organização
é necessário saber conviver com
ideias e propostas com outros enfoques. Por isso,
as empresas valorizam a diversidade, pois ela
pode resultar em novas visões ou inovadoras
estratégias. Não se pode criticar
alguém porque pensa de outra maneira ou
porque não concorda com seus projetos.
É preciso saber debater e convencer.
-
Não
desejar o lugar do próximo
O jovem sonha e empenha-se pelo seu crescimento.
A ambição por alcançar outros
patamares permeia a vida dos vencedores. Mas,
não a qualquer preço. Fazer “escadinha”
para subir na carreira “queima o filme”.
Puxar o tapete e ganância também.
É preciso saber construir, com firmeza,
a evolução profissional desejada,
ultrapassando as dificuldades que a trajetória
apresentar, dizendo não aos caminhos mais
curtos, se antiéticos.
-
Não cobiçar as coisas alheias
A inveja é uma droga. Olhar exclusivamente
para o quintal do vizinho impede que se varra
bem o próprio quintal. Resultados ou conquistas
alheias devem servir como benchmarking
e nortear no estabelecimento de novas metas pessoais.
O
jovem Y deve ter o mesmo tratamento dos demais
nas organizações. Não pode
ser tratado como um bibelô ou considerado
um super-herói, acima de qualquer suspeita
e não disponível para trabalhar
com “qualquer” atividade/função
ou com “qualquer” um. Pois, se assim
ocorrer, será boicotado pelos demais, a
informação não chegará
e os investimentos das partes envolvidas (jovem
Y e empresa) se perderão irremediavelmente.