O
setor de educação privado vive no
Brasil um processo de profundas transformações.
Depois de décadas de predominância
de instituições familiares e oferta
crescente de alunos, ele passa a viver uma nova
fase. Constatam-se inúmeras aquisições
e consolidações envolvendo grandes
grupos empresariais e investidores, nacionais
e estrangeiros.
Entre
tantos empreendimentos, surge uma nova espécie
de empresa, embasada em valores predominantemente
financeiros, que se apóia em conceitos
de gestão competitiva, buscando gerar o
melhor e, se possível, o mais rápido
retorno para seus investidores. Com esse propósito
são contratados executivos do mercado que
comandam processos de reengenharia, redução
de custos, padronização de serviços,
marketing agressivo etc., oferecendo cursos a
preços reduzidos e volume elevado.
A
rapidez desse movimento tem causado perplexidade
em muitos donos de escola que veem esvaziar seus
alunos para as novas instituições.
Acostumados à informalidade de seus estilos
de gestão percebem que estão fragilizados
diante da desproporção das armas
dos novos competidores. Alguns acabam, por antecipação,
pensando em vender suas escolas diante do medo
de que se depreciem.
De
fato, há motivos claros de atenção.
Só no ensino superior privado, a ociosidade
já atinge 50% das vagas ofertadas, associada
à elevada evasão de estudantes.
Os formados no ensino médio ainda representam
menos de 1% da população. Além
dos quantitativos baixos, há questões
sobre a qualidade dos programas. Basta lembrar
a recente avaliação feita do MEC,
em que um terço das instituições
ficou com média entre 1 e 2, ou que só
90 das 1210 faculdades de direito receberam o
selo OAB Recomenda.
Como
se isto não bastasse, estamos sensíveis
às possíveis consequências
da crise econômica que atinge os países
desenvolvidos do hemisfério norte. E tudo
leva a crer que a crise será longa, complexa
e imprevisível.
Diante
de um cenário de forte competição
interna e incertezas externas, será que
as tradicionais escolas deveriam emular os modelos
de gestão dos novos entrantes? Será
que é hora de adotar os seus estilos gerenciais,
processos e indicadores? Será que deveríamos
seguir a objetividade, o pragmatismo e até
a frieza administrativa esbanjada por alguns concorrentes?
Certamente
que não! Cada instituição
tem sua história, cultura e propósitos
que lhe dão sua identidade. Portanto, cada
solução é única e
inimitável. É possível modernizar
a gestão e competir em alto estilo, sem
abrir mão dessa identidade, que é
o capital mais precioso. É possível
transformar as incertezas em oportunidades de
mudanças saudáveis, embasadas em
liderança responsável e ações
inovadoras para se chegar a resultados efetivos.
Nem
todo Novo é Moderno
Nem tudo que se apresenta como novo é bom!
Às vezes, os sofisticados painéis
de controle de gestão que as novas empresas
exibem, escondem modelos autoritários e
centralizadores, que excluem a participação
ativa e solidária das equipes. Neste sentido,
podemos estar à frente do aparente moderno,
mas que na verdade pode ser o velho controle,
sofisticado e embalado pela tecnologia da informação.
Não
podemos nos deixar iludir pela velocidade das
informações quando a empresa que
se cria não tem a alma que contagia as
equipes de professores e colaboradores. Estes
podem ser compelidos a se mover, mas tem o livre
arbítrio de amar. E, não podemos
confundir movimento disciplinado com verdadeiro
comprometimento.
A
Força da Gestão de Pessoas
As
instituições educacionais precisam
de fato se modernizar, como todos precisam. Ninguém
deveria ficar à margem da tecnologia, mas
esta por si só não assegura gestão
moderna. Os fundamentos de uma empresa vencedora
continuam vinculados a uma gestão eficaz
de pessoas, que dê direção
clara às equipes, mas, ao mesmo tempo,
saiba motivá-las e comprometê-las.
As
melhores empresas conseguem alcançar graus
elevados de inovação, produtividade
e eficiência, graças à adesão
de suas equipes, que se refletem na maior satisfação
de seus clientes e, especialmente, em resultados
superiores. São também melhores
empresas para se trabalhar. Quando delegamos e
confiamos nas pessoas, elas vão muito mais
longe. Podemos atrair e formar talentos dentro
de casa, à medida que damos oportunidades
para demonstrar o seu valor.
Liderança
e Inovação fazem a Diferença
O
momento que vivemos exige atenção
especial para dois pontos essenciais que fazem
muita diferença: liderança e inovação.
Quando
investimos na formação líderes,
eles são capazes de lidar bem com as crises
e aproveitando-as para criar oportunidades de
inspiração e mudanças. Líderes
bem preparados, nas áreas acadêmicas
e administrativas, estimulam suas equipes a usar
toda sua criatividade e energia para chegar aos
melhores resultados. Suas equipes sentem-se orgulhosas
de trabalhar e sabem que com eles podem aprender
e evoluir.
Mesmo
diante da forte demanda por resultados, tais líderes
conseguem manter o máximo de atenção
por suas equipes. Sabem que precisam do seu apoio
acima de tudo. Compromisso por resultados também
se conjuga com empatia, compreensão e inspiração.
É
natural se esperar que as inovações
façam muita diferença. A capacidade
de inovar está muito ligada à liberdade
de imaginar, pensar e agir. Depende de condições
que valorizem iniciativas, permitam erros e reconheçam
os resultados alcançados.
Quando
o diálogo é aberto, franco e objetivo
podem surgir idéias de valor para aprimorar
estratégias, melhorar processos, ajustar
produtos e reduzir custos.
Programas educacionais podem favorecer o entendimento
do negócio da instituição,
incentivar a criatividade e o trabalho em equipe,
em que a viabilidade econômica seja um parâmetro
essencial.
V
Fórum de Gestão de Pessoas
No
V Fórum de Gestão de Pessoas do
GEduc 2012 teremos dois Painéis com executivos
e especialistas de empresas e instituições
educacionais. Eles debaterão o enorme potencial
de melhorias que a gestão de pessoas pode
proporcionar. Como verdadeiros líderes,
representam organizações vencedoras
e premiadas entre as melhores empresas para se
trabalhar, em inovação ou em sustentabilidade.
Seu
propósito é discutir como é
possível construir culturas organizacionais
sólidas, onde prospera o compromisso com
pessoas, inovação e resultados sustentáveis.