Qualidade Acadêmica - Janeiro/2012

O saber em tempos de mudança

Em tempos de mudança, os aprendizes herdarão a Terra, enquanto os sabe-tudo estarão perfeitamente equipados para se desenvolverem num mundo que já terá deixado de existir.” Eric Hoffer

O saber não é apenas conhecer dados e obter informações. É obter informações e títulos, buscar soluções, agir, produzir, criar, inventar e transformar o mundo.

Os gestores devem buscar, em tempos de mudança, uma metodologia de trabalho que privilegie o aprender e o saber contínuo. Não é uma tarefa tão simples de ser realizada e requer esforço e mobilização de todos.

O saber que não busca soluções e ações eficientes relacionadas ao mundo real está sem foco no objetivo e consequentemente não produzirá os resultados desejados. O gestor deve ser capaz de transformar todo o seu conhecimento e todas as informações que adquirir em ações concretas com a aplicabilidade no saber partilhado. Assim, o gestor o utilizará para estabelecer relações com sua equipe. Essas permitem modificar os acontecimentos, concentrando os esforços para o futuro, mediante sua capacidade de ação. Isso mesmo, para o futuro.

O gestor deve estar focado no futuro e não trabalhar e demandar esforços para “apagar incêndios” diários sem nenhuma perspectiva de avanço. Ele é o responsável que trabalha com o saber partilhado e, com ações conjuntas, demonstra articulação para o enfrentamento de situações complexas. Por isso, o gestor não pode ser um “sabe-tudo” na sua postura e ações, declarando-se um eterno “aprendiz”. O “não sei” é dito com simplicidade e verdade.

“O sabe-tudo é uma figura habitual nas organizações. Nós o descobrimos no gerente que dá ordens mesmo quando sabe menos do que seus empregados; no vendedor que argumenta violentamente sobre a conveniência de um produto que, na verdade, não atende às necessidades do cliente; no diretor que descarta as sugestões do assistente sem analisá-las, porque esses jovens sem experiência não sabem nada. O sabe-tudo sempre tem razão, sempre está certo, sempre sabe o que deve fazer para resolver qualquer problema. Isso tranquiliza seu ego assustado, mas, ao mesmo tempo, o coloca num aperto insolúvel: o sabe-tudo precisa explicar como é possível, se ele tem todas as respostas, que as coisas continuem não funcionando” (Fredy Kofman).

Dessa forma, os gestores que trabalham como os “sabe-tudo” “... estarão perfeitamente equipados para se desenvolverem num mundo que já terá deixado de existir” (Eric Hoffer).

O gestor que trabalha com o saber contínuo e se considera um eterno aprendiz, compreende que todos os resultados, presentes e futuros, são consequências de ações desafiadoras que modificam o percurso do processo. As ações desafiadoras e suas responsabilidades são assumidas em equipe. E, para conseguirem um melhor desempenho é necessária uma visão integradora do conhecimento e partilhá-la. Um saber além do conhecimento e das informações, que se forma a partir de problemas para resolver, de situações que necessitam de ações desafiadoras, em que é necessário interagir com o outro, desenvolver estratégias de ação, de utilizar a criatividade e assim produzir uma solução.

O gestor eterno “aprendiz” é aquele que visualiza as situações e as variáveis relevantes, oferecendo oportunidades para que cada um da sua equipe se sinta parte e realizado. Assim, “a solução para os problemas que experimentamos está em viver de forma tal que faça o problemático desaparecer. Quem vive de maneira apropriada experimenta o problema sem tomá-lo como problemático: não com tristeza, mas com júbilo, mais como uma brilhante oportunidade do que como uma restrição indesejada” (Ludwig Wittgenstein).

Portanto, o “gestor aprendiz” é elemento fundamental e vital em uma organização. Sua liderança determinará o sucesso, ou mesmo a sobrevivência da instituição, pois a qualidade da sua atuação e liderança constitui a única vantagem efetiva dentro de uma economia extremamente competitiva.



Zuleica Reis Ávila - Diretora Administrativa do Colégio Santa Dorotéia e Diretora Administrativa do SINEP/MG