“Em
tempos de mudança, os aprendizes herdarão
a Terra, enquanto os sabe-tudo estarão perfeitamente
equipados para se desenvolverem num mundo que já
terá deixado de existir.” Eric Hoffer
O saber
não é apenas conhecer dados e obter informações.
É obter informações e títulos,
buscar soluções, agir, produzir, criar, inventar
e transformar o mundo.
Os gestores
devem buscar, em tempos de mudança, uma metodologia
de trabalho que privilegie o aprender e o saber contínuo.
Não é uma tarefa tão simples de ser
realizada e requer esforço e mobilização
de todos.
O saber
que não busca soluções e ações
eficientes relacionadas ao mundo real está sem foco
no objetivo e consequentemente não produzirá
os resultados desejados. O gestor deve ser capaz de transformar
todo o seu conhecimento e todas as informações
que adquirir em ações concretas com a aplicabilidade
no saber partilhado. Assim, o gestor o utilizará
para estabelecer relações com sua equipe.
Essas permitem modificar os acontecimentos, concentrando
os esforços para o futuro, mediante sua capacidade
de ação. Isso mesmo, para o futuro.
O gestor
deve estar focado no futuro e não trabalhar e demandar
esforços para “apagar incêndios”
diários sem nenhuma perspectiva de avanço.
Ele é o responsável que trabalha com o saber
partilhado e, com ações conjuntas, demonstra
articulação para o enfrentamento de situações
complexas. Por isso, o gestor não pode ser um “sabe-tudo”
na sua postura e ações, declarando-se um eterno
“aprendiz”. O “não sei” é
dito com simplicidade e verdade.
“O
sabe-tudo é uma figura habitual nas organizações.
Nós o descobrimos no gerente que dá ordens
mesmo quando sabe menos do que seus empregados; no vendedor
que argumenta violentamente sobre a conveniência de
um produto que, na verdade, não atende às
necessidades do cliente; no diretor que descarta as sugestões
do assistente sem analisá-las, porque esses jovens
sem experiência não sabem nada. O sabe-tudo
sempre tem razão, sempre está certo, sempre
sabe o que deve fazer para resolver qualquer problema. Isso
tranquiliza seu ego assustado, mas, ao mesmo tempo, o coloca
num aperto insolúvel: o sabe-tudo precisa explicar
como é possível, se ele tem todas as respostas,
que as coisas continuem não funcionando” (Fredy
Kofman).
Dessa
forma, os gestores que trabalham como os “sabe-tudo”
“... estarão perfeitamente equipados para se
desenvolverem num mundo que já terá deixado
de existir” (Eric Hoffer).
O gestor
que trabalha com o saber contínuo e se considera
um eterno aprendiz, compreende que todos os resultados,
presentes e futuros, são consequências de ações
desafiadoras que modificam o percurso do processo. As ações
desafiadoras e suas responsabilidades são assumidas
em equipe. E, para conseguirem um melhor desempenho é
necessária uma visão integradora do conhecimento
e partilhá-la. Um saber além do conhecimento
e das informações, que se forma a partir de
problemas para resolver, de situações que
necessitam de ações desafiadoras, em que é
necessário interagir com o outro, desenvolver estratégias
de ação, de utilizar a criatividade e assim
produzir uma solução.
O gestor
eterno “aprendiz” é aquele que visualiza
as situações e as variáveis relevantes,
oferecendo oportunidades para que cada um da sua equipe
se sinta parte e realizado. Assim, “a solução
para os problemas que experimentamos está em viver
de forma tal que faça o problemático desaparecer.
Quem vive de maneira apropriada experimenta o problema sem
tomá-lo como problemático: não com
tristeza, mas com júbilo, mais como uma brilhante
oportunidade do que como uma restrição indesejada”
(Ludwig Wittgenstein).
Portanto,
o “gestor aprendiz” é elemento fundamental
e vital em uma organização. Sua liderança
determinará o sucesso, ou mesmo a sobrevivência
da instituição, pois a qualidade da sua atuação
e liderança constitui a única vantagem efetiva
dentro de uma economia extremamente competitiva.
Zuleica
Reis Ávila - Diretora Administrativa do Colégio
Santa Dorotéia e Diretora Administrativa do SINEP/MG