| CONSULTORIA |

| Ciberarquiteturas
e a Busca de Superação da Tríplice Dicotomia
Mediações-Tecnologias-Ambientes |
| |
Cassiano
Zeferino de Carvalho Neto |
Neste
número se visitará cada um dos campos
de cultura, objetivando-se lançar vistas
críticas sobre os mesmos, na busca de uma conceituação
em modelo de continuum a quatro dimensões,
envolvendo mediações, ambientes, tecnologias-técnicas-mídias
e cultura.
Partindo da premissa de que o desenvolvimento cognitivo
não pode ser entendido sem referência
ao contexto sócio-cultural no qual ele ocorre
e que os processos mentais superiores do indivíduo
têm origem em processos sociais, um dos pilares
da teoria de Lev S. Vygotsky, então se poderá
estabelecer uma interface entre estes postulados e
as considerações que dão conta
do fato de que as Novas Tecnologias da Comunicação
e Informação (NTCI) estabelecem formas
de socialização virtualizadas, em ambientes
em que sujeitos se objetivam e subjetivam, e, portanto,
de possibilidades e processos de ensino-aprendizagem
não-triviais.
Seguindo pela linha crítico-reflexiva de J.
B. Thompson, convidado a dialogar no âmbito
deste breve ensaio, se precisará buscar com
ele um conceito mais abrangente de cultura que permita
aprofundar e ampliar o olhar a respeito do objeto
de conhecimento. Assim trabalhar-se-á com a
concepção estrutural da cultura que
“dê ênfase tanto ao caráter
simbólico dos fenômenos culturais como
ao fato de tais fenômenos estarem sempre inseridos
em contextos sociais estruturados” (THOMPSON,
1995, p.181).
Nesta perspectiva Thompson define uma análise
cultural como “o estudo das formas simbólicas,
isto é, das ações, objetos e
expressões significativas de vários
tipos, em relação a contextos e processos
historicamente específicos e socialmente estruturados
dentro dos quais, e por meio dos quais, essas formas
simbólicas são produzidas, transmitidas
e recebidas” e ainda pontua que “os fenômenos
culturais, deste ponto de vista, devem ser entendidos
como formas simbólicas em contextos
sociais estruturados”. (THOMPSON, 1995, p. 181).
Assim posto vincula-se a existência de formas
simbólicas enquanto percepções
objetivo-subjetivas às informações
que lhe permitem dar à existência através
de mídias, técnicas e tecnologias, disponíveis
em cenários de um dado contexto social e historicamente
estruturado. Os sujeitos que participam de interações
sociais, sejam elas quais forem, envolvem-se em um
processo continuado de constituição
e reconstituição de significados, referindo-se
em parte no que pode ser chamado como reprodução
simbólica dos contextos sociais.
Pontuam-se ainda aspectos decorrentes aos que têm
sido construídos em termos do referencial teórico,
até aqui. Dentre eles se deve notar que as
realidades objetivas incorporam elementos subjetivos,
de modo que somente se tem acesso ao mundo por meio
das representações simbólicas,
numa perspectiva semiótica.
POSTULADO
VYGOTSKY-THOMPSON
No âmbito histórico-cultural, a cultura
abarca a totalidade da multiplicidade de aspectos,
todos eles frutos de obras humanas, portadores de
significação e reveladores do caráter
duplamente instrumental da atividade humana que se
refere ao simbólico e à técnica.
Retornando a Thompson se emprestarão os aspectos
denotados aos signos, enquanto significado e significante,
e como o acesso ao mundo se dá por meio das
representações simbólicas, numa
perspectiva semiótica, se tem como consistente
o pressuposto de que o processo de internalização
da cultura pelo sujeito envolverá a interpretação
e registro de formas simbólicas pelo
mesmo, valendo em linhas gerais as considerações
de natureza teórica anteriormente registradas.
A estas considerações, que podem unir
aspectos importantes de ambas as teorias, se chamará
de Postulado Vygotsky-Thompson.
Isso é extremamente importante para entender
a maneira como ocorre o processo de constituição
cultural do ser humano. Se, de um lado, é o
resultado da conversão de significados culturais
da sociedade em significados próprios, do outro,
estes não são uma mera reprodução
daqueles, mas o resultado de uma interpretação
por parte do sujeito que pode lhes atribuir um sentido
próprio, como o termo conversão implica.
(PINO, 2000, p. 19).
Ampliando
o marco conceitual e procurando torná-lo mais
consistente será convidado para contribuir,
nesta construção de natureza teórica,
o psicólogo soviético Aleksei Nikolaevich
Leontiev (1903 – 1979), contemporâneo
de Vygotsky durante parte de sua existência,
reconhecido como um dos principais representantes
da Escola de Psicologia Histórico-Cultural
ou Sócio-Histórica também chamada
Escola de Vygotsky.
POSTULADO
LEONTIEV-THOMPSON
No processo de trabalho coletivo humano vão
surgindo e se aprimorando os processos de intervenção
no meio natural. Além da produção
de instrumentos há também a “produção”
de relações sociais. No mesmo processo
vai sendo produzida a fala, a mais fundamental forma
de linguagem humana, algo surgido na atividade coletiva
do trabalho.
Desse modo, tanto os instrumentos como as relações
entre os integrantes de um determinado grupo humano,
e também a linguagem, enfim praticamente tudo
o que foi produzido pela cultura, enquanto formas
simbólicas foram adquirindo uma existência
objetivada.
Contemplando a construção de uma segunda
intersecção nos referenciais teóricos,
considera-se propício apresentar neste momento
um novo postulado que tem por objetivo unir, através
de um eixo conceitual-funcional, Leontiev
a Thompson. A este intercessor se chamará de
Postulado Leontiev – Thompson, contendo
a seguinte formulação: o processo de
objetivação-apropriação
na concepção de Leontiev envolve, em
sua essência, o processo de concepção,
produção, transmissão, recepção
e subjetivação das Formas Simbólicas
de Thompson, por sujeitos situados em contextos
sócio-históricos estruturados.
Voltando o olhar para os aspectos educacionais, pautados
no Postulado Leontiev-Thompson, se pode considerar
que para ocorrer apropriação é
preciso, antes, que o sujeito se ponha em contato
com a cultura, não como mero ouvinte passivo
de um discurso, mas como participante ativo nos processos
de construção, reconstrução
e até mesmo de inovação cultural.
Aspectos subjetivos do sujeito-em-apropriação
se manifestarão no processo, assim o produto
final já não será exatamente
o mesmo, mas, “tendendo ao mesmo”, sendo
acompanhado por um intervalo de incerteza, derivado
das subjetivações produzidas por cada
sujeito-em-apropriação. Conforme pontua
Duarte (2005, p.33), “outra característica
do processo de apropriação é
a de que, por meio dele, são reproduzidas no
indivíduo as aptidões e funções
humanas historicamente formadas, ou seja, a apropriação
da cultura é o elemento dinâmico mediador
entre o processo histórico de formação
do gênero humano e o processo de formação
de cada indivíduo como ser humano”.
À medida que as atividades humanas se objetivam
em produtos culturais, que são também
formas simbólicas na acepção
thompsoniana, sejam eles materiais ou não,
o processo de objetivação do gênero
humano será cumulativo. Assim, nos significados
de um objeto ou fenômeno cultural estará
acumulada a experiência histórica de
muitas gerações.
Os aspectos acima considerados apontam para o conceito
de inovação, fundamental para o desenvolvimento
dos meios (mídia), das técnicas e das
tecnologias, em seus mais amplos e abrangentes significados
sistêmicos. Dito de outro modo, na objetivação
de uma forma simbólica, seja ela qual for,
é trazida toda a história que a antecede
e, ainda, aquela que a torna “nova”, no
sentido de agregar aspectos não exatamente
iguais aos das formas simbólicas anteriores,
mas ainda fazendo parte da história que a constituiu
como tal. Eis aí o conceito de inovação
revisitado no contexto da teoria histórico-cultural.
Quando um sujeito se apropria de uma forma simbólica
ele está se relacionando com a história
social da mesma. Os aspectos de espaço-tempo-informação,
nesta perspectiva, se constituem num conjunto de coordenadas
nas quais as matrizes constitutivas das formas simbólicas
estarão armazenadas, passíveis ou não
de serem decodificadas e reconstituídas em
função das possibilidades de detecção,
abstração, derivação ou
integração das mesmas.
No caso específico da educação
formal, trata-se de um processo institucional e intencional,
através do qual o sujeito é convidado
a se apropriar das formas simbólicas mais desenvolvidas
do saber objetivo, produzidas historicamente pelo
gênero humano, portanto no universo da cultura.
Os pontos norteadores, firmados no contexto do referencial
que interliga Educação e Mediação
com Cultura e Informação, serão
importantes para o modelo aqui em construção.
Portanto, além dos aspectos de cunho cultural
também se deverá lançar um cuidadoso
olhar sobre os processos de mediação
docente, razão principal pela qual foram revistos
alguns referenciais da Teoria Sócio-Histórica
considerando-a adequada e oportuna para a finalidade
a que se propõe este artigo.
Na última parte deste artigo serão considerados
os aspectos de ciberarquitetura e mediação
pedagógica, além de uma revisão
conceitual para Tecnologia Educacional, culminando
na elaboração do modelo MTC (Mediação
– Tecnologia – Ciberarquitetura), na dimensão
quarta da Cultura e Informação.
“[...]
Um meio inventado pelos homens para representar-se
a realidade, material ou imaterial, de maneira a poder
compartilhar entre si o que sabem a respeito dela.
In A. Pino. Psicologia da Educação.
São Paulo, 7/8, 2º se. 1998 e 1º
sem. 1999.”
Cassiano
Zeferino de Carvalho Neto
Mestre em Educação Científica
e Tecnológica pela UFSC. Especialista em Novas
Tecnologias, Técnicas e Mídias dedicadas
à Educação e em Qualidade na
Educação Básica. Licenciado em
Física e Pedagogia. Presidente do Instituto
Galileo Galilei para a Educação (www.igge.org.br).
Diretor Executivo do Instituto para a Formação
Continuada em Educação (www.ifce.com.br)
e Diretor Institucional da Companhia Educacional (www.ciaedu.com.br).
|
|
| PRÊMIO
PNGE 2009 |
|
|
| OPERADORA
OFICIAL DE TURISMO |
| |
| PARCERIA |
| |
| DESTAQUE
MÍDIA |
| |
|