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Gestão da Qualidade em Instituições de Ensino: Ainda há Tempo para Começar!
Jairo Gonçalves Silva

Falar em gerenciamento da qualidade total (o pomposo Total Quality Management - TQM) já não é mais nenhuma grande novidade, principalmente no mundo da administração moderna, que avança a passos largos e se ocupa, hoje, de outras questões instigantes, tais como gerenciamento quântico, ciência do caos e complexidade empresarial.

Embora tenha perdido aquele glamour de antes, o sistema de garantia da qualidade nunca deixou de ser uma das ferramentas mais poderosas na difícil tarefa de gerir uma empresa com êxito. A propósito, ter saído do foco dos holofotes de consultores deslumbrados foi altamente positivo, uma vez que fez esmaecer o modismo inicial que, perigosamente, conferia à gestão da qualidade um caráter milagroso e infalível. Com isto ficou ressaltada a sua verdadeira e adequada finalidade prático-operacional, que veio a ser comprovada, ao longo dos últimos anos, nas diversas conjunturas em que fora aplicada com eficácia.

Há, pelo menos, três décadas programas de qualidade vêm sendo utilizados por executivos em diversos segmentos com relativo sucesso. Dizemos relativo, porque alguns destes executivos (principalmente os que acreditavam nos consultores deslumbrados) definiam a questão da qualidade ou como um dogma, ou como mais uma ferramenta de marketing. A primeira definição engessava a empresa, sufocava a criatividade e reduzia a capacidade de adaptação, tão necessária em tempos de constantes mudanças. De outro lado, a segunda definição era minimalista e simplória, fazendo com que o sistema fosse sub-utilizado e desinteressante em sua relação custo/benefício. Com o tempo, sem motivação e resultados condizentes, o descrédito emperrava os processso de melhoria contínua.

Apesar disso, o saldo de um sistema de qualidade sempre foi positivo e implantá-lo continuará sendo extremamente proveitoso na administração de empresas, seja de quais ramos forem; de pequeno, médio ou grande portes. Sendo assim, porquê a maioria das instituições de ensino, por mais incrível que pareça, nos dias atuais, ainda desconhece ou pouco valoriza esta ferramenta gerencial, tão necessária quanto importante para a gestão profissional de organizações corporativas?

Diríamos, essencialmente, que falta às instituições educacionais, especialmente as públicas, uma identidade empresarial, talvez por sua história constitutiva, talvez porque a sua prestação de serviço, assim como a de um hospital, se traduz num bem social público, ou até mesmo pela timidez dos incentivos governamentais à educação de massa.

Fato é que para muitos gestores escolares (educadores mal vestidos de administradores, diga-se de passagem) falar em academia-empresa é profanar a sagrada educação. Com todo respeito, isto não nos parece tecnicamente correto. É evidente que a empresa escolar, ainda que privada, não pode adotar a mesma conduta de um comércio varejista, de um negócio de entretenimento ou de um parque industrial.

Há, sim, peculiares valores e limites ético-profissionais que devem nortear uma escola, mas que também não deixam de existir em outros segmentos empresariais, resguardadas as devidas distinções.

Na verdade, buscar essa identidade empresarial é uma forma de garantir o êxito da missão acadêmica que traz em seu bojo, indiscutivelmente, uma nobre função científica e social, que para prosperar, hodiernamente, em grande escala precisa de um suporte administrativo e tecnológico, posto que as instituições de hoje não são, lamentavelmente, como a academia de Platão, assim como a sociedade não pode ser comparada com as polis da Grécia antiga.

Falta ainda nas instituições de ensino, da mesma forma, uma maior conscientização e interesse no conhecimento técnico-operacional. O modelo de governança é conservador e ultrapassado, o que facilita a dispersão da força de trabalho e faz surgir as famosas disputas de poder, com a conseqüente carência de posturas participativas dos professores e a nefasta desagregação do espírito de equipe.

As entidades educacionais necessitam urgentemente de modernização administrativa e algumas, felizmente, já acenam para esta mudança de rumo (turnaraound). Com planejamentos estratégicos institucionais, planos de ação com foco em resultados e zelosa política de recursos humanos, estas verdadeiras empresas estão crescendo e se fortalecendo. Algumas se transformaram em grupos corporativos e estão absorvendo as concorrentes que ficaram para traz. O que elas têm em comum? Além de executivos de carreira altamente preparados, elas gerenciam a qualidade, de maneira funcional e sistêmica.

A má notícia para as instituições educacionais que ainda não acordaram para os novos desafios ou que não conseguiram deslanchar uma estratégia de reestruturação é que o tempo assume um papel de poderoso inimigo, pois uma mudança cultural e comportamental requer muita dedicação e longo tempo de maturação. A abertura anterior do mercado educacional produziu uma avalanche de novas escolas, sobretudo no ensino superior, e como era de se esperar, a estagnação gerada pelo excesso de vagas, principalmente na região sudeste, começa a impor uma sedimentação do mercado. Com isto, a qualidade das instituições é posta à prova e quem não a tem está fadado ao declínio.

Embora o tempo seja curto, não se pode entregar os pontos. O primeiro passo é reconhecer o status quo, assimilar a condição de organismos empresariais complexos, arregaçar as mangas e trabalhar muito. Começar imediatamente um processo de transformação organizacional, com consciência, mas, também, com ousadia. Mesclar uma equipe de profissionais especializados com colaboradores motivados e pôr fim a uma administração amadorística.

É necessária uma ampla visão estratégica, capaz de definir os objetivos sistêmicos e extrair deles subsídios à missão empresarial; planejamento e política financeira, para calcular riscos e minimizar os acidentes de percurso; e uma política motivacional de pessoas, voltada para o comprometimento e a fidelização dos funcionários.

Outro ponto importante: chega de improvisação! Se não há aptidão gerencial, lugar de professor é na sala de aula, pois o verdadeiro docente é operário do saber e, em geral, não gosta e não sabe administrar. Atribuir-lhe esta carga de responsabilidade é correr risco temerário.

Um sistema de gestão corporativa com fundamento na qualidade, além de sofrer fortes influências ambientais e circunstanciais, não funciona por si só. Por isto, há necessidade de se estabelecer, inicialmente, uma adequação estrutural que suporte tais influências e uma liderança que prepare o terreno e controle o processo. Assim como uma semente, para florescer e dar bons frutos, uma ação administrativa requer sempre solo fértil e mãos cultivadoras.

Embora um sistema da qualidade possa ser definido como uma ferramenta operacional, é preciso que haja, antes de tudo, essa base estrategicamente sólida, voltada para o surgimento, o desenvolvimento e a preservação da cultura da qualidade. Toda a empresa deve estar envolvida por este clima organizacional favorável e por uma vontade extremada de busca pela excelência.

Essa mola propulsora, que dá fôlego ao gerenciamento da qualidade total, deve ser a mesma que impulsiona um atleta para a vitória, que dá forças ao homem para vencer suas limitações, que serve de alavanca para mudar o “impossível”. Este é o segredo do sucesso de qualquer homem e de qualquer empresa, o qual não tem explicação matemática, muito menos administrativa, pois é algo intrínseco à natureza humana.

Enquanto não desvendamos este mistério, façamos então a qualidade!

Jairo Gonçalves Silva
CEO da Faculdade de Direito Conselheiro Lafaiet

PRÊMIO PNGE 2009
OPERADORA OFICIAL DE TURISMO
PARCERIA
DESTAQUE MÍDIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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