Nos
dois artigos anteriores apresentamos as Centrais de Atendimento
enquanto elementos importantes das estratégias de Instituições
de Ensino, e suas unidades e parâmetros (os fatores críticos
para o sucesso de uma operação telefônica).
Nesse último artigo, abordaremos mais alguns desses pontos
fundamentais desse processo, e algumas ações que
devem nortear o funcionamento de uma Central, assim como a arquitetura
de uma URA e mais algumas informações sobre a
administração de pessoas.
Estabeleça,
por exemplo, uma tolerância mínima para o tempo
de resposta de atendimento e cumpra-a. Agende respostas automáticas.
A resposta automática, se bem utilizada, redigida com
simpatia e honestidade pode ser uma importante ferramenta na
redução da expectativa e ansiedade daqueles que
lhe escrevem. A resposta automática de e-mails é
pior que a resposta pessoal. Mas certamente ficar dias sem receber
uma mensagem, achando que não existe ninguém do
outro lado do e-mail é uma falta de consideração
imensurável. Escreva uma resposta automática,
nem seja para dizer:
“Sentimos
muito não poder lhe responder imediatamente. Você
sequer receberá uma resposta amanhã e tão
pouco na semana corrente. Com sorte alguém lerá
seu e-mail e não saberá para quem encaminhar.
Nossa incompetência e estupidez nos impede de manter sua
resposta simples. Lhe convidamos a espumar de raiva em nossa
fila de atendimento com outros colegas. Pegue sua senha, sente
e espere a vontade”
Softwares
de Call Center e outros recursos tecnológicos.
O Software de Call Center tem como objetivo o Controle
Geral de Ligações, das rotinas da operação,
e gera os relatórios de TMA, TME, Nível de Serviço,
etc (métricas necessárias para o atendimento)
de cada operador e de cada Célula de Atendimento. É
com base nesses dados que o gestor conseguirá realizar
os ajustes necessários a operação.
O software efetua, ainda, a distribuição das chamadas
de forma automática (DAC), entre os operadores desconectados.
Software
de cadastro.
Pode ser uma planilha Excell ou um Banco de Dados em Acces.
Pode ainda ser um software de CRM, integrado ao Banco de Dados
da secretaria acadêmica. Deverá disponibilizar
aos operadores o status de cada cliente, principalmente durante
as ações ativas de telefonia. Dessa forma evitá-se
a redundância de telefonemas, o que desgasta o relacionamento
com os prospects. Quando a opção é
da instalação de um programa de CRM, vale lembrar
que:
a)
80% dos projetos de CRM não dão certo por problemas
de operacionalização e cultura organizacional;
b O programa permite criar uma interface de cadastro de dados
com informações relevantes para fundamentar ações
futuras de Marketing;
b) Permite alimentar o Sistema de Inteligência de Marketing
com Informações de Atendimento;
d) Reduz o re-trabalho e as ligações para candidatos
já inscritos ou matriculados (deve acompanhar a mudança
de status de nossos candidatos em tempo real ou diariamente).
Discador
automático.
O Discador automático liga simultaneamente para dezenas
de números de telefones, e sempre que a ligação
dá sinal de ocupado, automaticamente, passa para o número
seguinte, aumentando a produtividade das ações
ativas em mais de 100%.
Software
de Gravação.
Esse programa monitora as ligações, e as arquiva
criando um novo parâmetro de segurança quanto a
qualidade e veracidade das informações passadas
pelos atendentes. Permite ainda que sejam realizados treinamentos,
com base nessas gravações - feedback
- através da interpretação de abordagens
“bem sucedidas” e “mal sucedidas” de
vendas. Demanda um servidor para as gravações.
Up
grade das máquinas utilizadas pela Central de atendimento.
Esses softwares demandam hardwares com uma configuração
mínima para executar com eficácia as novas tarefas
da Cantral. Não adianta ter um programa de CRM rodando
em Pentiuns II, e os operadores cadastrando pessoas a mão
em um caderno. É colocar o motor de uma Ferrari em um
Fusca. Nem cabe.
URA
/ PABX.
Antes do atendimento o cliente entrará em contato com
a Árvore do PABX ou com a URA (Unidade de Resposta Automática).
A URA tira dúvidas automaticamente em relação
a valores de mensalidades, etc, quando o aluno digita o seu
número de matrícula ou seu CPF. È um processo
eletrônico que evita muito trabalho dos operadores, reduzindo
substancialmente esse tipo de chamadas.
O
PABX permite que o prospect siga diretamente para alguns
ramais da Instituição.
Programar um PABX é um desafio logístico e é
necessário dar atenção a esse processo
para não sobrecarregar áreas que não foram
treinadas para o relacionamento com o Cliente (como naqueles
modelos que permitem que o aluno “caia” no ramal
do Departamento Financeiro, por exemplo).
A
estrutura de distribuição da Informação
pelo PABX, deve retirar a pressão sobre as unidades deixando-as
apenas com os contatos qualificados e melhorar o atendimento
reduzindo a queda de ligações e acelerando o TME.
O
PABX permite alguns níveis de profundidade:

....ou
digite o Ramal desejado.....aguarde para ser atendido.
Caso
a Central seja capacitada para tirar dúvidas relativas
as unidades, é importante fechar o escopo das ligações
para as unidades físicas. Muitas vezes acabamos sobrecarregando
essas unidades, com alunos com duvidas que poderiam ser encaminhadas
para o Call Center, por não desenvolver adequadamente
a arquitetura do PABX. É importante essa estrutura ser
flexível para incoporar mudanças, novas áreas,
eventos sazonais e dúvidas momentâneas. Quando
a Instituição vai realizar um evento, por exemplo,
precisa criar um ramal para o atendimento do público
que esse evento irá gerar. É uma demanda emergente
por informações enorme em um período de
2 dias, que cai para zero no terceiro.
Na
fila de espera...
Muita world music para acalmar os ânimos,
e um texto bem redigido para ser escutado. Com informações
interessantes e intermediado por “Aguarde para ser atendido”
e seu complemento: “Sua ligação é
muito importante para nós. Nosso tempo médio de
espera está em 30 segundos. Por favor aguarde. Em breve
você será atendido”.
Objetivos
e Metas.
Possuir uma central de atendimento própria pode ser um
diferencial da IES. No entanto se o diagnóstico apontar
que a operação não é possível,
não pense duas vezes em terceirizar essa unidade. Essa
é a opção de muitas IES sérias,
como a Universidade Estácio de Sá. Em 2005 a Estácio
iniciou o projeto de terceirização do atendimento
pelos canais de relacionamento: chat, e-mail e contato telefônico,
tanto receptivo quanto ativo, dos cerca de 180 mil alunos da
instituição educacional, além do público
externo.
A
Universidade Estácio de Sá recebia, na época
da terceirização cerca de 160 mil ligações/mês,
17 mil e-mails/mês e 7 mil chats/mês. No receptivo,
as principais solicitações são informações
de cursos pagos e gratuitos, renegociação de valores,
matrícula e resultado de vestibular. Já o ativo
está funcionando para marketing direto e realiza cerca
de 60 mil ligações/mês. Existem grandes
empresas oferecendo excelentes soluções para esse
mercado, e nenhuma fórmula absoluta para o sucesso.
Caso
a opção tenha sido dar uma reposta interna ao
problema do Atendimento, é importante definir metas para
a equipe e – preferencialmente – prêmios para
seu desempenho. O primeiro passo para a implementação
de um modelo de remuneração variável por
resultados.
Para
tanto é necessário criar parâmetros e métricas
para planos de premiação, possíveis apenas
com os softwares apresentados (sem o monitoramento adequado
é impossível elaborar qualquer sistema de prêmios);
A
premiação deve ser calculada – primeiramente
- com base nas metas gerais de matrículas durante o Processo
Seletivo, e em um segundo momento na qualidade de atendimento
(conforme planilha de monitoração e feed back)
e índice de absenteísmo. Outros prêmios
usualmente concedidos para essas operações são:
- Premiação por qualidade do atendimento.
- Premiação por índice de absenteísmo.
- Evento Comemorativo (no final das campanhas).
Treinamento.
Um último item importante deve ser desenvolvido em parceria
com o Dep. de Recursos Humanos são os treinamentos de
Produto e de desenvolvimento de competências em venda,
técnicas de persuasão, etc. Nesses programas devem
ser trabalhadas:
-
Informações detalhadas sobre cada curso;
Com informações técnicas e outras diferenciadas
como os índices de empregabilidade das profissões
e áreas de atuação que cada formação
proporciona (facilmente encontrado em qualquer guia do estudante);
-
Comparativo com os cursos similares das principais concorrentes
Lembra-se dos relatórios do Procom e do ReclameAqui.com?.
Nunca fale mal – deliberadamente - de um concorrente.
Mas possua informações, conhecimento, inteligência
para poder argumentar em favor de sua instituição.
E argumentar a favor pode demandar a necessidade de comparar
dados de sua escola com a de outras escolas (montar uma tabela
com os principais dados comparativos de Instituições,
para municiar o contac center). Dados que são levantados
por clientes no seu contato por telefone.
Não
é anti-ético fornecer essas informações
para a Central e criar esse Script de Negatividade, onde toda
a vez que um cliente partir para uma negociação
comparativa do tipo: “A Instituição ‘B’
está mais em conta”, o operador contar com um arsenal
de informações verídicas acerca dessa concorrente;
-
Desenvolvimento de técnicas de atendimento e vendas e
Treinamentos de Rotina ou de Feed Back:
Devem ser realizados todas as semanas pois tomam pouco tempo
e são excelentes medidas corretivas de falhas de atendimento.
Com base na Analise de escutas telefônicas de contatos
positivos (onde a venda foi concretizada) e negativos (onde
não se chegou a conclusão da venda), são
destacados e controlados os pontos fracos e fortes de cada operador.
Seja
seu Cliente oculto, antes que o mantenedor o seja!
Por vezes ligamos para nossas próprias Centrais
de Atendimento sem o devido senso crítico. Somos
mal atendidos e não corrigimos esse mal atendimento,
sendo de certa forma coniventes com o erro. Sempre que
estiver em um ponto de contato se coloque no lugar de
um aluno. E faça as correções no
tempo real. Teste sua central de atendimento todos os
dias! |
Rafael
Villas Bôas - Responsável pelo atendimento
da Educa Comunicação e Consultor Associado da
Hoper Educacional.Formado em Comunicação Social
pelo UNICENP, e MBA Executivo em Marketing pela Fundação
Getúlio Vargas. Foi coordenador e gerente de marketing
de importantes grupos educacionais, faculdades e centros universitários
de todo o Brasil (III Milênio, UniCuritiba, Unifev, UniRadial
entre outras). Atuou ainda como gerente de marketing da CM Consultoria
e da Revista @prender. Escreve para jornais e revistas e é
co-autor de "Desenvolvimento de Jogos 3D e Realidade Virtual"
(Ed. Campus / Elsevier) e autor de "Campus Experience"
(com lançamento previsto para fevereiro pela Ed. Summus).