CONSULTORIA

Ciberarquiteturas e a Busca de Superação da Tríplice Dicotomia Mediações-Tecnologias-Ambientes
Cassiano Zeferino de Carvalho Neto

Nesta última parte do artigo serão considerados os aspectos de ciberarquitetura e mediação pedagógica, além de uma revisão conceitual para Tecnologia Educacional, culminando na elaboração do modelo MTC (Mediação – Tecnologia – Ciberarquitetura), na dimensão quarta da Cultura e Informação.

CIBERARQUITETURA E MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA
Quando se buscam as origens das diferentes concepções arquitetônicas que estiveram e que ainda estão presentes nas escolas da atualidade, se percebe haver uma íntima correlação entre estas e as concepções pedagógico-educacionais que conformaram um determinado modelo educacional. Por modelo educacional entende-se aqui o conjunto de crenças, fazeres e expectativas, tanto endógenos quanto exógenos à própria instituição-escola, dos sujeitos que participam direta e indiretamente dos fenômenos educacionais formais.

Conforme aponta Marcus Bencostta, procurando ir mais bem situando a segunda dimensão-objeto do presente estudo, “É possível ler e interpretar a história da educação brasileira pela arquitetura dos edifícios escolares”. (BENCOSTTA, 2005).

Na dimensão da temática que envolverá as questões de natureza arquitetônica, outros aspectos insuspeitados buscarão ampliar o universo de possibilidades investigativas, com considerações que se constituirão em novos referenciais teóricos. Dentre eles, conforme pontua Antonio Viñao Frago (2001, p.11), “apesar da importância da dimensão espacial da atividade humana em geral, e da educativa em particular, essa última é uma questão não estudada nem a fundo nem de modo sistemático”.

A proxemia, no contexto de uma psicologia do meio ambiente, ciência relativa ao emprego que o ser humano faz do espaço como meio de organização e relação social, será aqui considerada como mais um elemento relevante. No entanto, convém desde já considerar que o alcance de tal referência necessitará ser expandido, de pronto, uma vez que pela própria natureza das possibilidades oferecidas pelas NTCI o espaço e o tempo se virtualizam na dimensão do universo digital e, deste modo, será preciso construir a categoria mais abrangente de ciberproxemia, na qualidade emprestada por Levy ao termo “Ciberespaço”:

O ciberespaço não é somente [...] um instrumento a serviço do mercado, da comunidade científica ou da liberdade de expressão democrática, ele é também um dos principais produtos de sua cooperação. O ciberespaço encontra-se hoje no epicentro do elo autocriador da inteligência coletiva da humanidade. (LEVY, 2004, p. 38).

No entanto será preciso apresentar um contraponto fundamental ao conceito de ciberespaço construído por Pierre Levy. Ocorre que se considera que na concepção Levyana está ausente um conceito anterior que possa fazer referência ao espaço virtual “vazio”, isto é, num dado momento destituído de sujeitos interagentes entre si, de forma síncrona ou não. Quando Levy se refere ao ciberespaço, como se viu na citação anterior, ele já o faz considerando-o como produto das relações sociais que se dão nos ambientes virtuais, mas para o fim ao qual se propõe este ensaio será preciso, antes, definir o espaço virtual em si, e por essa razão é que se redefinirá o conceito de ciberespaço, contrapondo-se, portanto, este conceito à concepção de Pierre Levy, e reapresentando-o do modo como será daqui para frente concebido.

Pelo exposto se pode perceber estar diante de um problema de conceituação emergente que sugere apresentar referência a uma ciberarquitetura, que se objetiva nas expressões físicas do ambiente, mas que se subjetiva na dimensão do ciberespaço, (re) objetivando-se no contexto das relações humanas, síncronas ou não, desenvolvidas nos ambientes “reais-virtuais” de interação.
No entanto as dificuldades conceituais não param por aqui: será preciso, ainda, distinguir entre espaço – e já o distendendo na perspectiva de ciberespaço, na forma reconceituada acima – e lugar. Nas palavras de Frago, 2001, p.38:

A ocupação do espaço, sua utilização, supõe sua constituição como lugar: o “salto qualitativo” que leva do espaço ao lugar é, pois, uma construção. O espaço se projeta ou se imagina; o lugar se constrói. Constrói-se “a partir do fluir da vida” e a partir do espaço como suporte; o espaço, portanto, está sempre disponível e disposto para converter-se em lugar, para ser construído. O problema, o primeiro problema, se coloca quando se carece de espaço ou de tempo.

A diferenciação fundamental entre espaço e lugar convida à construção de uma outra nova categoria que vise a representar a dimensão de um espaço que não se projeta nas coordenadas espaciais físicas conhecidas, mas que pode ser percebido como tal através da bidimensão de uma tela de vídeo, ou mesmo na tridimensão do espaço gerado através de Realidade Virtual (RV), criando-se assim a dimensão de espaço-tempo virtual. Destaca-se que a variável temporal encontra-se presente, configurando espaços-tempo a duas, três e a quatro dimensões. Seguindo por esta mesma trilha, se considera como necessário e pertinente ainda criar a categoria de ciberlugar, emprestando e a seguir concebendo na forma de um produto complexo, os significados conceituais contrapostos a Levy e tomados a Frago, relativamente aos conceitos originais de ciberespaço e lugar.

Ciberlugar é, pois, uma construção que se objetiva através da ocupação do Ciberespaço. Parafraseando Frago, o ciberlugar constrói-se a partir do fluir da vida simbolizada (através de formas simbólicas, diga-se de passagem) tendo o espaço digital-virtual como suporte. O Ciberespaço, portanto, está disponível e disposto para converter-se em Ciberlugar para ser construído, através da interação de sujeitos que concebem, produzem, compartilham, interpretam, reinterpretam e recompartilham formas Simbólicas.

MÍDIA, TÉCNICA E TECNOLOGIA EDUCACIONAL
Apresentou-se assim a dimensão complexa da cultura, a partir da conceituação formulada nos referenciais thompsianos, levando em conta ainda os marcos teóricos emprestados a Vygotsky e Leontiev e os aspectos fundamentais construídos no âmbito de uma Ciberarquitetura em parte contraposta a Levy, mas amparada por Viñao e Escolano. No entanto será preciso ainda contar com um terceiro eixo referencial, aquele que se referirá às concepções de mídia, técnica e tecnologia educacional.

Resgata-se na fonte etimológica do termo Tecnologia, sua estrutura primeira. Tanto “técnica”, quanto “tecnologia” têm a mesma raiz no verbo tictein, do grego, “criar, produzir, conceber, dar à luz”. É preciso ainda notar que o termo Tecnologia incorpora o sufixo logos, em sua acepção de razão. Assim, anota-se uma diferença conceitual e estrutural entre técnica e tecnologia. Techné, também para os gregos, expressava um significado amplo e carregava o conceito de arte, no sentido que não se reduzia a mero instrumento ou meio. Nas palavras de Lion (1997, p.25):

Não era um mero instrumento ou meio (referindo-se à tecnologia ), senão que existia num contexto social e ético no qual se indagava como e por que se produzia um valor de uso. Isto é, desde o processo ao produto, desde que a idéia se originava na mente do produtor em contexto social determinado até que o produto ficasse pronto, a techné sustentava um juízo metafísico sobre o como e o porquê da produção. [...] Em seu livro, Ética a Nicômano, Aristóteles esclarece que a techné é um estado que se ocupa do fazer que implica uma verdadeira linha de raciocínio. A techné compreende não apenas as matérias-primas, as ferramentas, as máquinas e os produtos, como também o produtor, um sujeito altamente sofisticado do qual se origina todo o resto. (LION, 1997, p. 25).

No âmbito dessa revisão crítica será preciso, antes, separar e redefinir os conceitos de mídia, técnica e tecnologia, ainda que esta preocupação se faça, mais especificamente, voltada para o universo da educação.
Por mídia entendem-se não somente os instrumentos de comunicação de massa, como a televisão, a Internet, o jornal e o rádio, dentre outros, isto é, meios que veiculam informações, mas também a todo e qualquer meio físico ou virtualizado através do qual haja produção, transporte ou recepção ou, ainda de um modo mais geral, transformação de informações referentes a formas simbólicas. Esta ampliação e aprofundamento conceituais são fundamentais e indispensáveis para que se possa ampliar e refinar também o olhar crítico sobre as mídias (meio - media, do grego) inseridas na educação, distinguindo-as das tecnologias, ainda que delas sendo partes indissociáveis, quando enlaçadas através de variadas técnicas.

Entende-se num sentido agora reconstruído que o conceito de Tecnologia Educacional denota o significado de Solução Educacional, ou conjunto delas (Tecnologias Educacionais), no sentido da busca de respostas possíveis a um ou mais problemas decorrentes de processos educacionais, sejam quais forem eles.

Pelo exposto Tecnologia e Mídia não se confundem, ainda que estejam imbricadas em processos variados, em diferentes naipes de complexidade. Enquanto a Tecnologia se refere às inteligências envolvidas na busca de soluções aos problemas de um processo, procurando responder ao porque dos mesmos, mídias e técnicas compõem, respectivamente, o quê e o como, enquanto elementos de sua solução.

MAPAS REFERENCIAIS NOS PROCESSOS DE MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA
Daqui para frente, na elaboração de um referencial na análise de um determinado contexto, a partir de cada eixo adotado com um conjunto de subitens, que possam servir como exemplares para registro, se sugere um instrumental operacional construído, um Mapa Referencial. No entanto deve-se desde já destacar que não se tem a pretensão de esgotar as possibilidades oferecidas por Mapas Referenciais, como o aqui apresentado, mas tão somente de oferecer alguma possível contribuição ao assunto da gestão de tecnologias, técnicas e mídias dedicadas à educação, no contexto das Ciberarquiteturas.

Inicialmente serão traçados três eixos ortogonais, MTC. No eixo dos processos de mediação (M) incluem-se, a título de exemplo, algumas modalidades de intervenção como aula expositiva, mediação interarticulada, processos de ensino-aprendizagem em laboratórios, projetos etc.; no eixo das Tecnologias (T), aqui também se incluem técnicas e mídias, inclui-se por exemplo computador, quadros digitais equipamentos, formas de encaminhamento dos processos pedagógicos, etc., e no eixo das Ciberarquiteturas (C) dar-se-á ênfase aos ambientes, suas combinações híbridas e outras soluções mais complexas.

Considere-se o Mapa Referencial que poderia se constituir no primeiro estudo referente ao contexto educacional que se quer conhecer com maior profundidade para, num segundo momento, poder conceber e estruturar um projeto de Tecnologia Educacional, na acepção formalizada antes, que venha a dar conta dos mais significativos problemas identificados. A respeito dos problemas referidos, podem ser os mesmos de natureza diversa e situarem-se em cada um dos domínios dos eixos MTC ou entre suas interfaces. O elenco de demandas e problemas de um lado, com as ofertas já disponíveis de outro, poderão se constituir, como afirmado antes, no ponto de partida para uma análise mais acurada e significativa visando à construção de modelos pedagógicos mais consistentes e interarticulados com as demandas identificadas em processos educacionais específicos.

Assim, consideradas estas estruturas recorrentes, se pode pensar em desenhar um projeto, uma vez propiciado um maior conhecimento dos recursos e processos educacionais da instituição. Acredita-se que estas providências possam trazer alguns benefícios em gestão relacional e pedagógica para a escola, tais como a otimização de recursos, a adequação das tecnologias pedagógicas a determinadas circunstâncias, um melhor aproveitamento do espaço físico e virtual, enfim, da ciberarquitetura, integrando mídias por meio de técnicas derivadas de soluções dedicadas à educação.

Buscou-se assim configurar um eixo teórico referencial que abarcasse a intercessão tridimensional, interfaceada, dedicada à Educação, contemplando a mediação pedagógica, as tecnologias e as ciberarquiteturas, na superestrutura da Cultura e Informação. Será com este olhar que se poderão rever os modelos pedagógicos nas relações entre professor e aluno, nas instituições educativas, a partir de uma percepção integrativa, analisando-se as áreas intercessionais de duas a duas dimensões a fim de se conhecer criticamente seu funcionamento, demandas e problemas, propondo-se soluções com maior potencial resolutivo.

Cassiano Zeferino de Carvalho Neto
Mestre em Educação Científica e Tecnológica pela UFSC. Especialista em Novas Tecnologias, Técnicas e Mídias dedicadas à Educação e em Qualidade na Educação Básica. Licenciado em Física e Pedagogia. Presidente do Instituto Galileo Galilei para a Educação (www.igge.org.br). Diretor Executivo do Instituto para a Formação Continuada em Educação (www.ifce.com.br) e Diretor Institucional da Companhia Educacional (www.ciaedu.com.br).

PRÊMIO PNGE 2009
OPERADORA OFICIAL DE TURISMO
PARCERIA
DESTAQUE MÍDIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  - Educação
  - Eventos
  - Saúde  
 
 EVENTOS
  - TecEduc@tion
  - GEduc
  - GPublic
  - PNGE
  - Seminários
  - Cursos
  - Fóruns
  - Palestras
  - In Company
  - Realizados
 
 INFORMATIVOS
  - Humus News
  - Cadastro News
  - Humus na Mídia
 
 SERVIÇOS
  - Imprensa
  - Canal Educação
  - Trabalhe Conosco
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
HUMUS CONSULTORIA - Al. dos Pamaris, 308 - Moema - São Paulo - Fone: (11) 5535-1397 Fax: (11) 5531-5988