Nestes
tempos de grandes e mirabolantes estratégias para atrair
e reter alunos, não podemos nos esquecer de alguns cuidados
básicos. Não que eu seja contra modernas ferramentas
de gestão. Sou uma defensora e early adopter
de inovações que ampliem nossos horizontes e nos
apóiem na construção do futuro.
O
que quero dizer com isso? É que profissionais de comunicação
e marketing não devem se perder em “invenciones”
e modismos que vêm e vão, fazendo esvair nossos
preciosos recursos: tempo, dinheiro e pessoas motivadas.
Antes
de encampar um grande projeto que vai lhe render muitas horas
de trabalho (e, eventualmente, alguns fios brancos de cabelo)
para o seu desenvolvimento, pondere um pouco sobre os reais
benefícios de uma mudança: converse com empresas
parceiras, fornecedores e meça prós e contras.
Coloque-se no lugar do aluno e pergunte qual é o benefício
real, palpável.
Para não ficar somente na esfera da proposição
teórica, gostaria de exemplificar minha idéia
com o famoso CRM – Customer Relationship Management.
Sigla pomposa conhecida por iniciados na ordem dos estudantes
de Marketing. Panacéia prometida para resolver todos
os males do relacionamento (ou da falta dele) nas instituições.
Parece
perfeito resgatar aquele gostinho do passado, quando o dono
da padaria conhecia nossos gostos pessoais, o dono da mercearia
já reservava nossa fruta fresquinha da época,
e o porteiro da escola nos cumprimentava pelo nome.
Em
nome dessa promessa e no afã de realmente fazer o melhor,
podemos nos perder na complexidade do simples: hardware, software,
pontuações de cliente criadas como se fosse um
código indecifrável. Sem contar as intermináveis
e dispendiosas horas de consultoria.
Bem,
aqui me pergunto: do que mesmo estávamos falando? Ah...
do retorno ao básico. Como nesse caso e em inúmeros
outros levo a premissa de ter vida de marqueteira e me questiono:
que satisfações estão sendo supridas?
Se
não levarmos em conta o que de fato mobiliza as pessoas,
não há investimento no mundo que vá fazer
o aluno se encantar com nossa instituição. Para
encantar, é preciso navegar no mundo do outro, entender
o que o motiva, apreender como seria seu próximo passo,
ter em mente seus desejos e anseios. Para tanto, faça
pesquisa, várias pesquisas Não uma pesquisa burocrática,
mas obtenha a informação que vá apoiá-lo
na decisão: invista em pesquisas formais e informais.
Em
posse do seu real tesouro, dedique-se a ele, detenha-se em pontos
relevantes e pergunte-se por quê. Esteja atento ao que
foi enunciado e suas respostas, mas também se atenha
ao que foi silenciado.
Quando
você acreditar do fundo do coração (sim,
o coração também aparece na gestão
de marketing) que se aproximou da alma e dos desejos do seu
aluno, cerque-se das melhores ferramentas que existem no mercado.
Monte um time de pessoas comprometidas com o mesmo ponto de
vista que o seu e dedique seu tempo ao projeto porque o tempo
dedicado pode ser um detalhe que faz a diferença entre
um projeto que alça vôo e outro que naufraga.
Com
esse diferencial que é o conhecimento da força
motriz do seu aluno, você estará preparado para
encantá-lo. Nem que a mágica seja simplesmente
ser cumprimentado pelo nome pelo porteiro da escola.
Maysa
Simões – Vasta experiência executiva em marketing,
com especial relevância em comunicação institucional
e estratégia comercial. Nos últimos anos, tem
atuado no segmento de educação, na gestão
estratégica da área de comunicação,
em instituições de ensino como UNINOVE e Universidade
Anhembi Morumbi.
Jairo
Gonçalves Silva
CEO da Faculdade de Direito Conselheiro Lafaiete