O
cronograma das escolas de Ensino Básico costuma se dividir
em duas fases bem distintas. Uma delas vai de março a agosto,
e é caracterizada pelo cumprimento do planejamento feito
no início do período letivo. A outra fase vai de
setembro até fevereiro do ano seguinte. Esta fase é
marcada pela ebulição do processo de matrículas
da escola. É a época em que a guerra da retenção
dos próprios alunos e da captação de alunos
novos ganha corpo.
Quem
lida com o orçamento de uma escola particular sabe a sensibilidade
que o número de alunos tem sobre o resultado. Escolas particulares
são, sem exceção, empresas muito alavancadas
operacionalmente. Isso significa que sua composição
de custos tem um peso muito maior dos elementos fixos do que dos
variáveis.
Ganhos
de alunos, em geral, não vêm acompanhados de aumento
proporcional nos custos. As escolas costumam, na medida do possível,
preencher a ociosidade de suas salas de aula. Esse é o
lado bom da história. O lado ruim se manifesta quando ocorre
o inverso. Quando as escolas perdem alunos, elas têm grande
dificuldade em contrair custos na mesma proporção.
Muitas vezes a perda não ocasiona redução
do número de salas – a escola simplesmente vê
aumentada a ociosidade por sala.
Por
uma contradição que foge à vontade das escolas,
o indicador mais sensível é justamente um dos poucos
que está fora de seu controle direto. Uma escola pode fixar
com precisão sua verba de publicidade para um ano. Pode
definir qual será seu percentual de bolsas e fazer com
que seja cumprido. Não pode, porém, ter uma ação
determinista sobre o número de alunos.
A
importância da capacidade de estimativa deste número,
até como forma de colocar em prática ações
que possam fazê-lo convergir para o planejado, é
muito grande. A metodologia de acompanhamento não é
muito complicada. São poucas, porém, as escolas
que a utilizam.
Existem
fatores aleatórios que fazem com que a distribuição
da época em que os alunos fazem matrícula não
seja exatamente igual de um ano para o outro. Apesar de não
existir essa igualdade matemática, sem dúvida há
uma tendência de proporcionalidade ao longo do tempo, comparando-se
o número de alunos já matriculados em algum momento
e o número de alunos definitivo, apurado no final de fevereiro.
Daí
já se poderia depreender que um controle mínimo
que as escolas deveriam ter é o número de alunos
matriculados até uma certa data, comparado com esse mesmo
número, na mesma data, no ano anterior. Parece básico?
Mas são poucas as escolas que têm essa informação.
Somente
saber o número total de matriculados, porém, não
é suficiente para que se possa identificar o problema e
encaminhar decisões que levem à sua correção.
Toda escola deveria, então, levantar e manter indicadores
pormenorizados de afluxo de alunos novos e antigos. Até
porque são duas naturezas de medidas diferentes a serem
tomadas. Uma, se a escola não está retendo os próprios
alunos. Outra, se está captando menos alunos novos.
O
controle dos alunos rematriculados deve ser diário ou semanal
e acompanhado muito de perto pela direção da escola.
A cada dia a escola deve ser capaz de responder: dos meus alunos
rematriculáveis, quantos já fizeram a reserva? Neste
mesmo dia do ano passado, como estava esta relação?
Se a relação estiver piorando, antes de novembro
medidas de emergência devem ser tomadas. Contato com a família
dos silenciosos e corpo-a-corpo com os alunos são atividades
mínimas recomendadas. É preciso identificar os motivos
da dúvida e atacá-los logo.
No
final de novembro, em geral, a maioria dos casos já se
tornou irreversível.
Olhando
pelo lado oposto, cuidar das rematrículas é cuidar
da evasão. Entende-se por evasão a perda dos próprios
alunos, na passagem de um ano para o outro. É uma das questões
mais sérias dentre as que as escolas devem se atentar.
Há um princípio administrativo, válido também
para as escolas, que diz que conquistar um cliente é 5
vezes mais caro do que mantê-lo. Por isso a escola deve
investir mais energia em reter seus alunos do que em ganhar novos.
Os casos de evasão devem ser analisados a fundo e classificados
por tipologia, de modo que se possam saber os principais motivos
do fenômeno. A opinião dos alunos sobre a escola,
se estão gostando e se pretendem ficar, deve ser monitorada
desde o começo do ano, e não somente no segundo
semestre. É preciso criar um centro de informações,
único e centralizado, que gere um relatório formal
a respeito dessas informações coletadas, de modo
a balizar as ações da escola como um todo, e não
somente de um ou outro curso.
O
controle dos alunos novos, por sua vez, também deve ser
acompanhado de perto. Não basta, porém, controlar
o número de matriculados. É preciso dar alguns passos
atrás nesse processo. Em primeiro lugar, é necessário
verificar o número de telefonemas, visitas e entrevistas
que ocorrem desde a abertura do processo de matrículas.
Esse indicador dá um bom termômetro da atratividade
da escola. A seguir, é preciso checar a conversão
dessas visitas em matrículas. Isso dará uma noção
da efetividade do atendimento e da capacidade que a escola teve
de mostrar seus pontos fortes.
Fazer
a divisão da estatística de captação
passo a passo é muito importante para que possa ter noção
de onde atacar. O ataque deve incidir no local onde reside o problema.
Se a escola estiver atraindo poucas visitas, o ataque deve ser
na comunicação externa. Nessa hora, um bom assessor
de comunicação, de preferência especializado
em escolas, pode fazer a diferença. Se, por outro lado,
a escola atrai muitas visitas, mas converte poucas em matrículas,
o ataque deve ser sobre o tratamento oferecido ao pai visitante.
Nem sempre a linguagem utilizada é a mais adequada, mesmo
que o conteúdo esteja correto. Nesse momento, pesquisas
rápidas com famílias que visitaram a escola e não
ficaram podem ser fonte de ricas informações sobre
como aprimorar o atendimento. O que será que eles viram
na outra escola de melhor do que na sua?
Como
se pode notar, o acompanhamento de perto dos indicadores de matrícula
é muito simples de fazer e tem inúmeras aplicações
vitais para a política de comunicação da
escola. Quando se fala em política de comunicação,
pode-se entender “perder menos e ganhar mais alunos”.
As escolas costumam investir muitos recursos – tempo e dinheiro
– em atividades bem menos proveitosas do que poderiam, pelo
fato de não acompanhar adequadamente os indicadores de
matrículas. E, quando acordam para o problema, na maior
parte dos casos já é tarde demais, pois os alunos
já estão quase todos encaminhados.
Resumo
dos tópicos e atividades a serem acompanhadas:
1) Sobre evasão / rematrículas:
- acompanhamento da satisfação dos alunos desde
o começo do ano
- relatório diário ou semanal sobre número
de rematrículas
- geração de relatórios formais e centralizados
sobre os motivos de desligamento dos alunos
- marcação corpo-a-corpo com as famílias
indecisas antes do final de outubro
2)
Sobre alunos novos:
- levantamento diário ou semanal dos indicadores de telefonemas,
visitas e entrevistas
- levantamento dos indicadores de conversão de visita em
matrícula
- acompanhamento diário ou semanal do número de
matrículas novas
Eugênio
Machado Cordaro e Fernando
Barão -Sócios-consultores da Corus Consultores