CONSULTORIA

Sucessão
Fernando Barão

As escolas particulares, geralmente empresas familiares cuja grande maioria surgiu a partir da década de 1970, estão passando por um processo de sucessão para a primeira ou segunda geração. As que ainda não passaram por isto devem estar pensando seriamente no assunto. Toda sucessão em empresas, em particular de entidades educacionais, é um processo longo, complexo e desgastante. Porém, caso se queira perpetuar a instituição, é inevitável. Quanto mais planejado e bem executado for, melhores as condições de sobrevivência e desenvolvimento da escola.

Em primeiro lugar, é preciso que fiquem claras, para os sucedidos, a necessidade e as vantagens da sucessão. As escolas demandam cada vez mais energia, criatividade e presença física dos seus gestores. Já vimos pessoas com idades avançadas cheias de energia e outras mais novas, porém exauridas, sem conseguir oferecer o tônus necessário à sobrevivência institucional em um mercado altamente competitivo. É preciso que os sucedidos tenham bons planos para se ocuparem após a sucessão e que se preparem financeiramente para o novo período. Se isto for feito, estará dado o primeiro passo para o sucesso do processo, Sucessão é renovação, reorganização, re-tonificação, revisão e melhoria das metodologias. Tudo isto visando a aumentar a longevidade institucional. Nada disto compete com a temida alteração nos princípios basais que originaram a escola, medo freqüente nos processos de sucessão.

A escolha dos sucessores é outro passo que deve ser dado com todo o cuidado possível. Os critérios de avaliação da competência dos candidatos devem ser muito bem discutidos e ficar claros no processo de seleção. Os herdeiros são geralmente a primeira opção para a sucessão. Já vimos casos em que isto foi feito com sucesso e outros em que a administração dos filhos causou o fechamento da escola. Caso não seja a melhor opção para a continuidade na gestão da escola, a segunda geração pode perfeitamente continuar na qualidade de sócio cotista, avaliando o primeiro e segundo escalões da empresa, fixando metas, cobrando resultados e tirando daí o seu sustento. A perpetuidade institucional somente é garantida com uma boa gestão, comprometida com os seguintes resultados: a) reconhecida qualidade educacional; b) bons resultados econômico-financeiros; c) integração da equipe educacional; d) investimentos constantes e compatíveis com os resultados econômicos de médio e longo prazo. É bom lembrar que os sucessores deverão passar um bom tempo em gestão conjunta com os sucedidos, até que sejam habilitados para exercer plenamente suas funções.

A reação e adesão da equipe interna da escola ao processo de sucessão são de fundamental importância para o seu sucesso. As pessoas devem ser envolvidas e perceber que com os novos gestores algumas coisas poderão mudar, sem se sentirem ameaçadas por isso. Cada sucessor, mesmo respeitando os princípios e normas do processo sucessório, terá sua forma de agir, e esta quase sempre é diferente da dos antigos diretores. Isto precisa ser entendido e aceito por todos. O fato de algumas coisas mudarem não significa necessariamente que a escola mudou ou que o projeto educacional foi desfigurado. Neste ponto, os objetivos educacionais precisam ficar claros e consagrados, e a avaliação institucional deve ter uma sistemática muito bem firmada para medir claramente se a escola está na direção das metas para o cumprimento destes objetivos.

A reação da clientela também é de fundamental importância para este processo. Assim, ela deve ser preparada para isto. Os pais e alunos devem perceber que as mudanças poderão ocorrer, porém serão paulatinas, seguras e sempre no sentido de atualizar e melhorar a escola. A comunidade precisa sentir que os canais de comunicação estão claros e abertos. Poder exprimir suas dúvidas ou temores é uma necessidade dos pais e alunos, e a escola deve aproveitar este momento para garantir a todos que o processo de sucessão veio para ajudar, solucionar antigos problemas e dar mais vida à escola.

Outra providência que ajuda a garantir o sucesso na transmissão de funções é a existência de um Conselho Deliberativo, hierarquicamente superior aos diretores da escola. Este Conselho, geralmente formado pelos sócios da instituição, pode contar também com conselheiros convidados (internos e/ou externos à escola), pessoas com formação e experiência comprovada para ajudar na alta gestão, no cumprimento das metas educacionais e econômicas, no planejamento estratégico e nas eventuais questões advindas do próprio processo sucessório. O processo sucessório em uma instituição educacional traz consigo uma carga emocional bem maior do que em outros setores da economia. As famílias envolvidas na sucessão, os professores e funcionários e os alunos e pais, que permanecerão na escola por vários anos. Tudo isto potencializa o grau de emotividade e desgaste em qualquer tipo de alteração metodológica, quanto mais em um processo sucessório. Um Conselho Deliberativo bem constituído pode ser peça fundamental para profissionalizar os processos de gestão, evitando os desgastes e discussões infrutíferas entre sucessores e sucedidos.

Em resumo: a complexidade da sucessão está na preparação dos sucedidos, na escolha e preparação dos sucessores, na organização e registro dos processos operacionais e no sistema de acompanhamento e avaliação da instituição. As dificuldades são enormes, o processo é longo e desgastante. O que faz tudo isto valer a pena é ver a escola (criação dos sócios originais) crescer como um filho: passando pela adolescência até a fase adulta, ganhando sua independência para poder gerar novos descendentes.


Fernando Barão - Sócio-consultor da Corus Consultores
PRÊMIO PNGE 2009
OPERADORA OFICIAL DE TURISMO
PARCERIA
DESTAQUE MÍDIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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