CONSULTORIA

Projeto Político Pedagógico como Estratégia
de Gestão Educacional
Márcia Zenker

No chamado mundo moderno, a preocupação com a qualidade dos serviços, seja em que área for, levantou a necessidade de descentralizar o poder de decisão, de chamar à participação, pessoas envolvidas nos processos e produtos das organizações, de promover rupturas com velhas verdades e de sensibilizar o olhar para o novo.

Com relação à escola, constatamos, mesmo antes do moderno, a sempre preocupação com a melhoria de qualidade da Educação, mais enfaticamente nos últimos tempos. Conhecimentos, metodologias, tecnologias, novas descobertas sobre o processo ensino-aprendizagem, modelos de gestão, capacitação de professores, ênfase em lideranças eficazes (coordenadores, diretores, professores,...), trabalho em grupo, diversidade de literatura e revistas especializadas, tudo isso está colocado como recurso para o aumento da qualidade da Educação. Porém, por onde começar? Em que se basear diante do conceito de qualidade, cujo valor é conhecido e querido por todos, porém, complexo e difícil de ser definido? O que escolher para que se realize, na prática, esse desejo? Na posição de gestores educacionais, creio haver uma responsabilidade que é desafiada a cada instante, mergulhados nos problemas do dia-a-dia que se adentram em suas salas, muitas vezes sem pedir licença. Re-significar a instituição escolar diante da inflação de informações na qual vivemos, com deflação de sentido cada vez mais crescente, parafraseando Baudrillard*, talvez seja o grande desafio dos gestores.

As estratégias de gestão são inúmeras, mas me parece que aquela que fortalece a escola como um todo refere-se à articulação dinâmica do Projeto Político Pedagógico. Entendido aqui mais pelo que não deva ser: aquele que nunca saiu do papel, aquele que não foi feito na e pela escola, aquele elaborado por uma única pessoa, sem a necessária produção coletiva, aquele recheado de conceitos de teóricos da Educação, isento de autoria dos humanos que habitam a escola, ou aquele que mora na prateleira da sala da diretoria, nunca pesquisado pelos professores, coordenadores e pessoal administrativo, ou pior ainda, aquele envelhecido pelo pó dos anos, o Projeto Político Pedagógico (sua construção ou reconstrução) serve ao gestor como conceito e prática nucleares da instituição que dirige. Esse documento ou carta de intenções, como é chamado, quando elaborado com a participação de todos que constituem a escola, já, no próprio tempo de sua construção ou atualização, oportuniza ao gestor o conhecimento dos sonhos, desejos, concepções, identidade e singularidades da instituição, clareia as expectativas dos alunos, da equipe pedagógica, do corpo docente, das famílias sobre o que se quer para a escola. Dessa forma, concomitantemente e/ou posteriormente, poderá montar o seu modelo de gestão amparado no real, suportado pelo modelo educativo contido no Projeto. Acredito que assim, a escola estará mais próxima de uma unidade e de uma gestão compartilhada, já que contou com a participação dos profissionais que fazem Educação naquele lugar. Nesse sentido, um aspecto relevante do Projeto Político Pedagógico refere-se a sua função produtora de conhecimento: a escola se olha, se refaz, recria-se, fica mais comprometida com seus objetivos. Produz conhecimento sobre si mesma. O gestor pode, então, exercer a sua função mediadora para que a equipe pedagógica e outras equipes de trabalho atuem em consonância com o que produziu.

Os vetores da gestão escolar, portanto, não estão fora da escola, impositivos, autoritários.

Estão logo ali, dentro da instituição, com maior probabilidade de fazerem sentido. Afinal não é o que mais se fala em Educação?

Portanto, convido os gestores a olharem com carinho o Projeto Político Pedagógico da sua escola. Será que ele está naquela prateleira?

*Baudrillard, Jean. A sociedade do consumo. Lisboa, Edições 70, 1976.



Márcia Zenker
– Consultora Sênior da Humus Consultoria na área de desenvolvimento de projetos, desenvolvimento de gestores educacionais e capacitação de docentes, Psicóloga pela USP - Universidade São Paulo – Ribeirão Preto, Psicóloga Educacional pelo Sedes Sapientiae e Co-autora do livro: “Gestão Educacional – Uma Nova Visão”.
PRÊMIO PNGE 2009
OPERADORA OFICIAL DE TURISMO
PARCERIA
DESTAQUE MÍDIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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