CONSULTORIA

A Liderança e a Gestão Educacional
Sandra R. Turchi

Ultimamente tem-se ouvido falar muito em liderança: seus estilos (decidido, hierárquico, flexível ou integrador¹), novas definições como a de “Líder servidor”², enfim, nunca se falou tanto sobre o tema, principalmente após o sucesso do livro “O Monge e o Executivo”², o que trouxe a idéia de trazer esse tema para o mundo da Gestão Educacional.

Observando superficialmente não deveria haver nenhuma especificidade que valesse a pena ressaltar no que tange às variações entre qualquer corporação e uma instituição de ensino. Mas a questão não é tão trivial.

A grande diferença entre uma corporação qualquer e uma instituição de ensino está basicamente focada no que diz respeito a formatos de gestão entre essas organizações.

Atualmente o que ocorre é uma profunda transformação em grande parte dessas instituições em busca de modelos de gestão cada vez mais profissionalizados, utilizando os mesmos métodos e processos de quaisquer outras empresas. Isso se deve ao fato, principalmente, da crescente concorrência que atinge o setor, desde as pré-escolas até as universidades, passando por escolas de nível médio e, até mesmo, escolas de idiomas.

Partindo do princípio que existe mercado, concorrência, preços, produtos, existe também a necessidade de se tratar desses temas num nível mais estratégico, para que a instituição possa não apenas se manter, mas crescer no seu segmento, ou seja, é necessário encará-la realmente como um “negócio”.

A maior parte das instituições de ensino, no passado, era gerida por professores, pois esse parecia ser realmente o melhor caminho. Por outro lado, na maioria das empresas, a gestão fica nas mãos de profissionais, em geral contratados no mercado de trabalho, com experiências específicas para assumir tal função, ou que são desenvolvidos pela própria organização, tendo como porta de entrada, normalmente, programas de estágio ou trainees, e que vão, após alguns anos de experiência, ascendendo a outros postos, de acordo, obviamente, com suas competências e sua experiência.

Isso vem mudando, pois na prática pôde ser observado que, em alguns casos, docentes magníficos, quando alçados à posição de gestores, não conseguem desempenhar adequadamente essa função, mesmo sendo mestres de uma área correlata às suas novas atividades. O que se percebe é pouca afinidade para lidar com orçamentos, cronogramas, contratos, tomadas de decisão (muitas vezes impopulares) enfim, com aspectos básicos na vida de qualquer gestor.

Arriscaria dizer que não se trata de falta de competência, porém de atributos distintos para o desempenho das respectivas responsabilidades. Necessariamente o que faz de um profissional um excelente educador, não o qualifica para ser um excelente gestor, e vice-e-versa.

Outro ponto fundamental em que surge grande dificuldade está relacionado à LIDERANÇA, que também apresenta grandes variações se comparada à liderança exercida em sala de aula, perante os alunos.

A liderança, ou melhor, a moderna liderança requer, principalmente, HUMILDADE. O verdadeiro líder deve ser uma pessoa capaz de identificar e ir ao encontro das legítimas necessidades (e não desejos) dos outros. Deve influenciar sua equipe para que possa contribuir com seus recursos, visando às metas e ao bem comum. O verdadeiro líder deve ter um caráter que inspire confiança².

Ele utiliza sua influência pessoal, e não seu poder, para estimular as pessoas a realizarem o que a organização necessita. Além disso, liderança não é pura e simplesmente um “dom”, é sim, um exercício.

Ação para o bem alheio: essa é a principal
característica de um líder servidor.
²

Não tenho a pretensão de dizer como essas instituições devem estruturar seus times, porém é importante repudiar métodos que possibilitem a permanência de uma gestão incapaz e desqualificada que comprometa o bom desempenho da organização, seja ela de ensino ou não, visto que é possível obter resultados muito mais compensadores, como os obtidos por empresas que têm se renovado e buscado aprimorar sistemas de gerenciamento, alcançando patamares superiores em seus resultados, como aumento no nº de alunos, melhoria nos relacionamentos com seus parceiros, etc.

Deixo apenas a provocação para que o setor de ensino seja visto como altamente estratégico, afinal, todas as instituições sem exceção, independentemente do público para o qual estejam voltadas, não podem se dar ao luxo de ignorar seus concorrentes, que estão atuando de forma cada vez mais efetiva.

Confira as qualidades necessárias para ser um líder:²

Competências
Definição
Paciência Autocontrole
Gentileza Atenção, apreciação e encorajamento
Humildade Ser autêntico e não arrogante
Respeito Tratar os outros com a devida importância
Altruísmo Ir ao encontro das necessidades alheias
Capacidade de perdoar Saber perdoar ressentimentos quando se está errado
Honestidade Estar livre da frustração
Comprometimento Realizar suas escolhas
Serviço e sacrifício Deixar de lado seus próprios desejos e buscar maior benefício para os outros


1 Artigo: O Executivo Experiente e seu estilo de decisão – agosto 2006 – Harvard Business Review.
2 Como se tornar um líder servidor – O Monge e o Executivo - James Hunter

Sandra R. Turchi - Superintendente de Comunicação e Marketing da FGV-EAESP; Graduada pela Faculdade de Administração da FEA-USP, Pós-graduada pela Fundação Getulio Vargas FGV-EAESP e MBA pela Business School São Paulo com especialização pela Toronto University.

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