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Ultimamente
tem-se ouvido falar muito em liderança: seus estilos (decidido,
hierárquico, flexível ou integrador¹),
novas definições como a de “Líder servidor”²,
enfim, nunca se falou tanto sobre o tema, principalmente após
o sucesso do livro “O Monge e o Executivo”²,
o que trouxe a idéia de trazer esse tema para o mundo da
Gestão Educacional.
Observando
superficialmente não deveria haver nenhuma especificidade
que valesse a pena ressaltar no que tange às variações
entre qualquer corporação e uma instituição
de ensino. Mas a questão não é tão
trivial.
A grande diferença entre uma corporação qualquer
e uma instituição de ensino está basicamente
focada no que diz respeito a formatos de gestão entre essas
organizações.
Atualmente
o que ocorre é uma profunda transformação
em grande parte dessas instituições em busca de
modelos de gestão cada vez mais profissionalizados, utilizando
os mesmos métodos e processos de quaisquer outras empresas.
Isso se deve ao fato, principalmente, da crescente concorrência
que atinge o setor, desde as pré-escolas até as
universidades, passando por escolas de nível médio
e, até mesmo, escolas de idiomas.
Partindo
do princípio que existe mercado, concorrência, preços,
produtos, existe também a necessidade de se tratar desses
temas num nível mais estratégico, para que a instituição
possa não apenas se manter, mas crescer no seu segmento,
ou seja, é necessário encará-la realmente
como um “negócio”.
A
maior parte das instituições de ensino, no passado,
era gerida por professores, pois esse parecia ser realmente o
melhor caminho. Por outro lado, na maioria das empresas, a gestão
fica nas mãos de profissionais, em geral contratados no
mercado de trabalho, com experiências específicas
para assumir tal função, ou que são desenvolvidos
pela própria organização, tendo como porta
de entrada, normalmente, programas de estágio ou trainees,
e que vão, após alguns anos de experiência,
ascendendo a outros postos, de acordo, obviamente, com suas competências
e sua experiência.
Isso
vem mudando, pois na prática pôde ser observado que,
em alguns casos, docentes magníficos, quando alçados
à posição de gestores, não conseguem
desempenhar adequadamente essa função, mesmo sendo
mestres de uma área correlata às suas novas atividades.
O que se percebe é pouca afinidade para lidar com orçamentos,
cronogramas, contratos, tomadas de decisão (muitas vezes
impopulares) enfim, com aspectos básicos na vida de qualquer
gestor.
Arriscaria
dizer que não se trata de falta de competência, porém
de atributos distintos para o desempenho das respectivas responsabilidades.
Necessariamente o que faz de um profissional um excelente educador,
não o qualifica para ser um excelente gestor, e vice-e-versa.
Outro
ponto fundamental em que surge grande dificuldade está
relacionado à LIDERANÇA, que também
apresenta grandes variações se comparada à
liderança exercida em sala de aula, perante os alunos.
A
liderança, ou melhor, a moderna liderança requer,
principalmente, HUMILDADE. O verdadeiro líder
deve ser uma pessoa capaz de identificar e ir ao encontro das
legítimas necessidades (e não desejos) dos outros.
Deve influenciar sua equipe para que possa contribuir com seus
recursos, visando às metas e ao bem comum. O verdadeiro
líder deve ter um caráter que inspire confiança².
Ele
utiliza sua influência pessoal, e não seu poder,
para estimular as pessoas a realizarem o que a organização
necessita. Além disso, liderança não é
pura e simplesmente um “dom”, é sim, um exercício.
Ação
para o bem alheio: essa é a principal
característica de um líder servidor.²
Não tenho a pretensão de dizer como essas instituições
devem estruturar seus times, porém é importante
repudiar métodos que possibilitem a permanência de
uma gestão incapaz e desqualificada que comprometa o bom
desempenho da organização, seja ela de ensino ou
não, visto que é possível obter resultados
muito mais compensadores, como os obtidos por empresas que têm
se renovado e buscado aprimorar sistemas de gerenciamento, alcançando
patamares superiores em seus resultados, como aumento no nº
de alunos, melhoria nos relacionamentos com seus parceiros, etc.
Deixo
apenas a provocação para que o setor de ensino seja
visto como altamente estratégico, afinal, todas as instituições
sem exceção, independentemente do público
para o qual estejam voltadas, não podem se dar ao luxo
de ignorar seus concorrentes, que estão atuando de forma
cada vez mais efetiva.
Confira as qualidades necessárias para ser um líder:²
| Competências |
Definição |
| Paciência |
Autocontrole |
| Gentileza |
Atenção,
apreciação e encorajamento |
| Humildade |
Ser
autêntico e não arrogante |
| Respeito
|
Tratar
os outros com a devida importância |
| Altruísmo |
Ir
ao encontro das necessidades alheias |
| Capacidade
de perdoar |
Saber
perdoar ressentimentos quando se está errado |
| Honestidade |
Estar
livre da frustração |
| Comprometimento |
Realizar
suas escolhas |
|
Serviço e sacrifício |
Deixar
de lado seus próprios desejos e buscar maior benefício
para os outros |
1
Artigo: O Executivo Experiente e seu estilo de decisão
– agosto 2006 – Harvard Business Review.
2 Como se tornar um líder servidor – O Monge e o
Executivo - James Hunter
Sandra
R. Turchi - Superintendente de Comunicação
e Marketing da FGV-EAESP; Graduada pela Faculdade de Administração
da FEA-USP, Pós-graduada pela Fundação
Getulio Vargas FGV-EAESP e MBA pela Business School São
Paulo com especialização pela Toronto University. |