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Não
se constitui mais uma novidade o aumento da concorrência no
setor educacional ao longo dos últimos anos. O significativo
acréscimo no número de escolas superou o crescimento
da demanda. Em decorrência disto, modificações
passam a ser uma necessidade na administração das
escolas. Um novo ambiente externo afetou diretamente a dinâmica
das instituições educacionais, porém algumas
permaneceram em sua “zona de conforto” e não
perceberam ou não souberam como enfrentar essa nova situação.
Consolidaram - ou já estava consolidada - a competência
na visão pedagógica e não se preocuparam -
ou não souberam lidar - com a visão estratégica.
Tente responder as questões:
1. Como o gestor escolar tem se posicionado frente ao atual cenário
de constantes mudanças e de inovação?
2. O gestor escolar está preparado para liderar as transformações
decorrentes do novo contexto? Sabe reconhecer “talentos”
na sua equipe de colaboradores?
3. Quais as principais mudanças impostas pela competitividade
do mercado? Já definiu o seu diferencial competitivo?
4. A escola é ou não uma empresa que deva ser administrada
a partir de uma visão estratégica, orientada para
resultados, como uma unidade de negócio?
5. Quais as novas ferramentas administrativas e quais são
os diferenciais competitivos capazes de garantir a vida das Instituições
de Ensino?
Visão
pedagógica é importante. Visão estratégica
é importante. Devem funcionar interligadas, de modo integrado,
sistêmico. As duas se complementam dando sustentação
à instituição, o que vai assegurar-lhe condições
de se manter em um mercado altamente competitivo como tem sido o
da educação.
Para
isso é necessário criar o seu diferencial competitivo,
sua vantagem competitiva, a sua inovação. É
necessário compreender que, hoje, apenas trabalhar o ambiente
interno não basta.
É
preciso ir além dos muros da escola, conhecer e entender
as necessidades da sociedade. A excelência do serviço
oferecido vai depender de programas concretos, ações
focadas e também do empenho cotidiano no reconhecimento e
valorização das novas exigências da sociedade
colocando no capital humano sua principal sustentação.
É preciso derrubar o mito de que a escola não pode
pensar estrategicamente. Ela pode e deve. O importante é
como fazer isso e sem esquecer que a sua missão é
“formar gente”. Para isto, é preciso criar mecanismos
adequados para formar cidadãos conscientes, capazes de interferir
positivamente na realidade. A visão estratégica não
pretende descaracterizar os aspectos de uma escola eco-cidadã
com valores éticos, e nem torná-la essencialmente
pragmática, mas sim, somá-la à visão
pedagógica e juntas criar uma vitalidade e dinâmica
organizacional que serão transformados em sólido diferencial
competitivo.
Uma
das principais mudanças no cenário educacional dos
últimos anos é exatamente essa: a escola saber que
junto da visão pedagógica precisa trabalhar e desenvolver
a visão empresarial.
Com
a globalização, informatização e abertura
de mercado, surgiu também um cliente com perfil diferenciado.
Pais e alunos são bombardeados de informações
a cada dia e podem comparar os serviços prestados e o preço
das mensalidades com os da concorrência. Por isso, é
geral e crescente a preocupação com a fidelização
e captação de alunos.
Tudo
isso tem levado dirigentes escolares à uma reflexão
de velhas práticas que não mais são eficazes.
Essa reflexão tem estimulado muitas instituições
na busca de novos caminhos dentro, e também fora da escola.
A
escola que ignorar as mudanças, os avanços tecnológicos
ou não perceber o que ocorre ao seu redor não poderá
atender às expectativas e necessidades atuais dos seus alunos
– alunos cada vez mais exigentes.
A
mudança na forma de pensar a escola tem que considerar a
mudança sofrida pela sociedade e estar atenta ao homem que
queremos, e devemos formar. O papel da escola não se restringe
mais ao Conhecer e Fazer. É
necessário cumprir a missão de ensinar a Ser
e a Conviver. E a base para isso tem que ser a
Ética e a Cidadania.
Novas
habilidades e competências são exigidas pelo mercado
aos profissionais a cada dia. Esse perfil diferenciado não
se baseia apenas na aquisição de novos conhecimentos,
mas o “algo mais” exigido pelo mercado, baseia-se na
capacidade do profissional de resolver problemas, criar e inovar
o seu diferencial.
As
instituições precisam deter as competências
que são essenciais ao seu negócio e outras que são
adjutórias. Segundo Hamel e Prahalad, “competência
essencial é o conjunto de habilidades que habilitam uma companhia
a proporcionar um benefício particular para os clientes”.
E como trabalhar com essas competências essenciais? Se uma
competência tem valor percebido pelo cliente, ela faz a diferença.
E é difícil de ser imitada, pois envolve dinamicidade
e conhecimento tácito e explicito.
A
escola precisa (1) definir sua administração
estratégica: arquitetura, planejamento, criação
da estratégia e competências essenciais e (2) traçar
o perfil da instituição: missão,
visão, negócio, princípios, valores e objetivos.
Em
muitos casos será necessário reformular o conceito
da instituição educacional e repensar as razões
e finalidades de sua existência. Precisamos refletir: a forma
como vejo a escola está atendendo as necessidades atuais?
Faço uso de ferramentas e estratégias adequadas? Como
estou trabalhando as situações intangíveis?
A
escola está diante de um cenário de crescentes e rápidas
mudanças, formado por muitas ameaças e ao mesmo tempo
por grandes oportunidades que precisam ser aproveitadas. Sabemos
que liderar essa escola não é tarefa fácil
e que inovar é também correr risco. Porém,
não podemos rejeitar o novo por ser desconhecido e imprevisível.
Precisamos entender e adequar-nos a esse contexto, assimilar as
tecnologias, revitalizar a tarefa de educar, construir estrategicamente
o futuro e crescer. Tudo isso a partir dessa nova realidade.
Bibliografia
FREIRE,
Paulo. Pedagogia da Autonomia. Editora Paz e Terra. São Paulo,
2001.
HAMEL, Gary; PRAHALAD, C. K. Competindo pelo Futuro.
Rio de Janeiro, Editora Campus. 1995
Laila
Aninger - Pedagoga Empresarial e MBA em Gestão Empresarial,
Pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior e Planejamento
e Gestão, Consultora do Projeto Linha Direta. |