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Todos
sabemos que não há mais como a instituição
de ensino se manter restrita aos contornos tradicionais dos padrões
de qualidade de ensino centrados principalmente nos processos
pedagógicos que sempre lhe caracterizaram. Também
não é mais possível pensar na qualidade da
instituição de ensino apenas em função
da excelência de suas características pedagógicas,
embora estas sejam, na prática do dia a dia, aquilo que
vai diferenciar uma instituição da outra numa visão
mais holística.
Por
outro lado, tem-se o modelo de formação do educador,
construído em função dessa estrutura tradicional,
voltada unicamente para a qualidade pedagógica, exigindo
uma re-significação, uma reestruturação
fundamentada nos paradigmas do novo contexto social de contínua
mudança. Assim, a formação do gestor educacional,
passa a requerer modificações consistentes que se
harmonizem com as novas formas de gestão requeridas pelo
mercado.
Em
seu conjunto, tais mudanças têm exigido das instituições
de ensino uma postura única na história da educação,
pautada, sobretudo, no dinamismo para responder rapidamente aos
desafios que se impõem e na agilidade em assumir novas
funções e papéis a partir das diferentes
necessidades que a sociedade passa a manifestar.
Os
alunos, que aqui podemos chamar de clientes, buscam hoje não
apenas a qualidade de ensino, mas, também, padrões
de organização, excelência no atendimento,
facilidade de acesso às informações e estímulo
à participação da comunidade na definição
e consecução dos objetivos pedagógicos. Para
fazer frente às novas exigências da clientela, as
instituições passaram a se reestruturar adotando
três estratégias: desenvolvimento da capacidade local
de planejamento, aperfeiçoamento dos dirigentes e modernização
da gestão.
Destaca-se,
então, o papel do gestor educacional, a quem cabe interpretar
as novas expectativas, confrontá-las com a realidade educacional
da instituição e, por fim, elaborar e implementar
as respostas que a comunidade escolar deverá assumir a
partir de então.
O
trabalho do gestor deve apoiar-se em três tipos de habilidades
essenciais: técnica, humana e conceitual. Ou seja, o profissional
de gestão educacional deve deter conhecimentos técnicos
que o habilitem a utilizar-se adequadamente de métodos
e técnicas para solução de questões
pedagógicas ou administrativas próprias da rotina
da instituição, como as relacionadas à coordenação
pedagógica ou aos setores administrativos. Deve, também,
possuir habilidade humana para interagir com as pessoas, entendendo-as
como seres únicos com características específicas
e que reagem de forma particular frente a diversas situações
e compreendendo suas atitudes e comportamentos. Por fim, a habilidade
conceitual que se relaciona à habilidade do gestor educacional
para trabalhar com os aspectos mais complexos da instituição
e estabelecer o ajuste necessário para que os membros da
comunidade educacional possam nela conviver e atuar de forma produtiva,
satisfatória e motivadora. Cabe, portanto, a este profissional,
a responsabilidade de criar estratégias eficazes que possibilitem
à instituição o alcance de seus objetivos.
Isso pode soar como lugar comum, uma vez que esta é uma
atribuição inerente à função
do gestor. Porém, o planejamento e a consecução
dessas estratégias, bem como a conduta que o gestor deverá
adotar com relação aos demais membros da comunidade
escolar no intuito de motivá-los a assumir as mudanças
necessárias exigem dele muito mais do que os conhecimentos
pedagógicos e administrativos que fazem parte de sua formação
normal.
Daí
a necessidade de se abordar com maior ênfase aquilo que
se convencionou chamar de “profissionalização”
do gestor, ou seja, o reordenamento de sua capacidade gerencial
em bases mais abrangentes, além da estritamente pedagógica,
como o diagnóstico da instituição dentro
e fora do âmbito educacional, que lhe irá permitir
tomar medidas para modernizar os procedimentos administrativos,
criar condições propícias para a auto-gestão,
redefinir metas e objetivos condizentes com a nova realidade que
se pretendem imprimir. Vale ressaltar: tudo isso tendo como pressuposto
básico o seu contínuo aperfeiçoamento e o
de seus colaboradores, em conformidade com os novos modelos gerenciais
de ensino baseados na co-responsabilidade, autonomia e participação
da comunidade educacional interna e externa.
No
entanto, esta nova concepção de gestão, enfatiza
a “profissionalização” ou, mais especificamente,
a necessidade de aperfeiçoamento contínuo dos gestores
sob a ótica da teoria administrativa, assumindo o compromisso
de gerir a instituição a partir de ações
que visem otimizar a aplicação de recursos, bem
como a formação de equipes multifuncionais, avaliação
da satisfação da clientela, análise do mercado
e da concorrência, buscando, enfim, aplicar uma visão
mercadológica, voltada a resultados, objetivo comum nas
empresas tradicionais, mas pouco ou nunca aplicados à gestão
de instituições de ensino.
Esta
“re-qualificação” se impõe na
medida em que os padrões de gestão requeridos devem
satisfazer às novas demandas da gestão participativa
e autônoma e a urgência de atingir este propósito
se justifica frente à rapidez com que as mudanças
sociais ocorrem no cenário atual.
O
gestor educacional que não acompanhar a velocidade destas
mudanças e não fornecer a tempo as respostas requeridas
está sujeito a “perder o trem da história”,
pois a escola contemporânea irá exigir de seus gestores
a modernização dos processos administrativos, a
reformulação de funções, o realinhamento
das decisões e, o mais importante, a participação
da comunidade educacional na decisão dos novos rumos a
serem seguidos em direção ao futuro.
Renato
Casagrande - Consultor, conferencista, pesquisador e
autor de livro e artigos publicados no Brasil e no exterior sobre
gestão educacional. Mestre em administração
pela Fundação Getúlio Vargas; especialização
em Liderança Educacional pela PennState University. |