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A
facilidade de uso da internet proporciona a qualquer pessoa conectada
não só o acesso a um sem-número de informações,
como também a possibilidade de publicar e divulgar suas
próprias idéias e participar de comunidades cujos
espaços são especialmente criados para o debate
e de assuntos de interesse de seus usuários. O sistema
educacional também está sendo prestigiado com a
disseminação da internet pelo país. Escolas
podem levar seus alunos a ter contato com informações
antes inacessíveis, promover a comunicação
entre estudantes, professores e outros profissionais de qualquer
lugar do mundo para trocas de experiência, podem divulgar
suas idéias, projetos e os trabalhos de seus alunos, realizar
debates on-line etc. Os potenciais da internet podem ser de fundamental
importância para auxiliar a aplicação das
propostas educacionais exigidas pelo mundo no qual o conhecimento
ganha valor imensurável.
O
uso de tecnologias diversas será de grande valia para facilitar
a implementação de metodologias que levem em conta
a aquisição de conhecimento não mais como
algo fragmentada, vários campos do saber precisam estar
disponíveis para se compreender o funcionamento do mundo
e se permitir aos indivíduos uma participação
integral e integrada no fazer histórico.
A
Internet, por exemplo, tem demonstrado ser uma ferramenta importante
para a Educação, pois facilita o acesso a informações
antes dificílimas, se não inalcançáveis,
e proporciona, por meio de hipertextos, a interdisciplinaridade
e a interação entre o estudante e o mundo globalizado.
A
internet pode ser facilitadora da produção de conhecimentos,
mas, se analisada por si só, corre-se o risco de se envolver
em um discurso tecnicista. É preciso relevar a emergente
necessidade do domínio técnico do funcionamento
da rede e de suas potencialidades, mas não se pode deificar
suas qualidades e negligenciar uma profunda reflexão sobre
as vantagens e desvantagens de seu uso para a Educação.
No
Brasil o uso da internet foi difundido primeiramente no meio educacional,
mas, com o advento da World Wide Web, a rede passou a
ser utilizada intensamente para objetivos comerciais. Sua popularidade
no meio empresarial permitiu rápido desenvolvimento dos
recursos tecnológicos que podem e precisam ser utilizados
pela Educação. Isso não significa que esses
serão capazes de solucionar sozinhos os problemas educacionais
do país, ou que todos os seus recursos impulsionarão
uma melhoria na qualidade da Educação. A internet
– assim como a informática, a lousa, o giz, o livro
– é apenas um meio que pode contribuir para se atingir
objetivos pedagógicos, dependendo, sempre, da forma como
será utilizada.
A
característica interativa da rede não é fato
integralmente consumado pela Educação. Se partir
da premissa de que uma interação só ocorre
quando seus atores sofrem influências significativas, os
sistemas chamados interativos na internet não necessariamente
produzem interação, por enquanto são apenas
potenciais. Se não houver a construção de
conhecimento por parte do usuário desses sistemas, podemos
dizer que a interação fracassou. Por isso, a proposta
de uso desses sistemas para a Educação precisa levar
em conta os objetivos educacionais e as suas possíveis
formas de implementação. Em outras palavras, é
preciso considerar a criação de projetos educacionais
consistentes, antes de levar alunos aos laboratórios para
simplesmente navegar na internet.
Há
diversas experiências educacionais realizadas pela web que
têm contribuído para a reflexão sobre o seu
potencial para uso na Educação, muitas delas inclusive
se utilizam de sistemas interativos, mas nem sempre se pode verificar
a concretização dos objetivos educacionais. As próprias
potencialidades da Internet: comunicação, interatividade,
acesso rápido a informações e bancos de dados
por meio de hipertextos e, principalmente, tratar-se de uma rede
são fundamentais para a Educação. Essas potencialidades,
porém, precisam ser exploradas, estudadas, compreendidas
pelos atores que delas farão uso, no caso, aqui, educadores
e aprendizes, e muito poderão desfrutar se fizerem uso
adequado de seus recursos, em especial do hipertexto e da interatividade.
Hipertexto
e Interatividade na Aprendizagem
O uso da internet como ambiente de aprendizagem considera fundamental
o hipertexto e a interatividade. O aspecto principal do hipertexto
é que para cada conteúdo que se proponha para o
estudante, podem-se utilizar hipertextos que o direcionem para
as mais variadas formas de aprendizagem: associativa, exploratória
ou por descoberta. Mesmo que os hipertextos disponíveis
na internet tenham sido propostos pelos autores dos conteúdos
organizados nos sites, será o usuário que decidirá
o caminho a seguir. O usuário será, portanto, autor
de seu próprio conhecimento, estrategista da estruturação
e da produção do conhecimento.
Por
essa razão, mesmo que o criador de um site ou o autor/proponente
do conteúdo ofereça, por exemplo, um ambiente exploratório,
o aluno poderá decidir por realizar descobertas ou apenas
traçar inúmeras associações. Esta
liberdade, ou melhor, autonomia cedida ao usuário do hipertexto
é justamente o que o difere de outros ambientes de aprendizagem.
Por essa razão, ambientes de aprendizagem baseados em hipertextos
procuram atender ao máximo os diversos “estilos”
de aprendizes, isto é, esses ambientes exploram todas as
potencialidades do hipertexto.
As
interações realizadas pelo estudante podem se dar
de quatro maneiras:
Aluno–interface: está diretamente
relacionada com os meios utilizados no ambiente. Necessita ser
amigável e transparente;
Aluno–conteúdo:
interação intelectual o uso otimizado do meio consegue
manter a atenção e permite usar a imaginação
como ferramenta do conhecimento;
Aluno–professor: os papéis do professor
e do aluno estão diretamente relacionados, conforme o design
do ambiente;
Aluno–aluno:
esta interação torna-se mais ou menos possível
conforme o meio utilizado. Quando possível, é uma
das mais produtivas experiências de produção
de conhecimento.
Em
última análise, a autonomia e controle da aprendizagem
estarão nas mãos do estudante, pois, por mais fechado
que seja um determinado ambiente, que pretenda “induzir”
o aluno a seguir e a agir de forma pré-determinada, experiências
práticas demonstram que essa manipulação
não é possível pela internet. O estudante
escolherá seus caminhos, fazendo as articulações
que lhe convierem, traçando suas estratégias para
cumprir os objetivos propostos pelo projeto pedagógico.
Muito
ainda há que se refletir sobre os conceitos de hipertexto
e interatividade. O que foi exposto até aqui permite uma
compreensão geral dessas potencialidades para iniciarmos
nossa trajetória de inserir práticas no dia-a-dia
da escola que permitam o uso da internet comprometido com a Educação.
Sílvia
Dotta - graduada em Comunicação Social
pela ECA-USP, e mestre em Educação pela Unicamp.
Autora do livro Construção de Sites (São
Paulo, Global, 2000), especializou-se no uso educativo da internet
e em educação à distância. Desde 1997,
tem atuado na formação de professores e tutores
nessas áreas.
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