CONSULTORIA

Potencialidades da Internet para a Educação
Sílvia Dotta

A facilidade de uso da internet proporciona a qualquer pessoa conectada não só o acesso a um sem-número de informações, como também a possibilidade de publicar e divulgar suas próprias idéias e participar de comunidades cujos espaços são especialmente criados para o debate e de assuntos de interesse de seus usuários. O sistema educacional também está sendo prestigiado com a disseminação da internet pelo país. Escolas podem levar seus alunos a ter contato com informações antes inacessíveis, promover a comunicação entre estudantes, professores e outros profissionais de qualquer lugar do mundo para trocas de experiência, podem divulgar suas idéias, projetos e os trabalhos de seus alunos, realizar debates on-line etc. Os potenciais da internet podem ser de fundamental importância para auxiliar a aplicação das propostas educacionais exigidas pelo mundo no qual o conhecimento ganha valor imensurável.

O uso de tecnologias diversas será de grande valia para facilitar a implementação de metodologias que levem em conta a aquisição de conhecimento não mais como algo fragmentada, vários campos do saber precisam estar disponíveis para se compreender o funcionamento do mundo e se permitir aos indivíduos uma participação integral e integrada no fazer histórico.

A Internet, por exemplo, tem demonstrado ser uma ferramenta importante para a Educação, pois facilita o acesso a informações antes dificílimas, se não inalcançáveis, e proporciona, por meio de hipertextos, a interdisciplinaridade e a interação entre o estudante e o mundo globalizado.

A internet pode ser facilitadora da produção de conhecimentos, mas, se analisada por si só, corre-se o risco de se envolver em um discurso tecnicista. É preciso relevar a emergente necessidade do domínio técnico do funcionamento da rede e de suas potencialidades, mas não se pode deificar suas qualidades e negligenciar uma profunda reflexão sobre as vantagens e desvantagens de seu uso para a Educação.

No Brasil o uso da internet foi difundido primeiramente no meio educacional, mas, com o advento da World Wide Web, a rede passou a ser utilizada intensamente para objetivos comerciais. Sua popularidade no meio empresarial permitiu rápido desenvolvimento dos recursos tecnológicos que podem e precisam ser utilizados pela Educação. Isso não significa que esses serão capazes de solucionar sozinhos os problemas educacionais do país, ou que todos os seus recursos impulsionarão uma melhoria na qualidade da Educação. A internet – assim como a informática, a lousa, o giz, o livro – é apenas um meio que pode contribuir para se atingir objetivos pedagógicos, dependendo, sempre, da forma como será utilizada.

A característica interativa da rede não é fato integralmente consumado pela Educação. Se partir da premissa de que uma interação só ocorre quando seus atores sofrem influências significativas, os sistemas chamados interativos na internet não necessariamente produzem interação, por enquanto são apenas potenciais. Se não houver a construção de conhecimento por parte do usuário desses sistemas, podemos dizer que a interação fracassou. Por isso, a proposta de uso desses sistemas para a Educação precisa levar em conta os objetivos educacionais e as suas possíveis formas de implementação. Em outras palavras, é preciso considerar a criação de projetos educacionais consistentes, antes de levar alunos aos laboratórios para simplesmente navegar na internet.

Há diversas experiências educacionais realizadas pela web que têm contribuído para a reflexão sobre o seu potencial para uso na Educação, muitas delas inclusive se utilizam de sistemas interativos, mas nem sempre se pode verificar a concretização dos objetivos educacionais. As próprias potencialidades da Internet: comunicação, interatividade, acesso rápido a informações e bancos de dados por meio de hipertextos e, principalmente, tratar-se de uma rede são fundamentais para a Educação. Essas potencialidades, porém, precisam ser exploradas, estudadas, compreendidas pelos atores que delas farão uso, no caso, aqui, educadores e aprendizes, e muito poderão desfrutar se fizerem uso adequado de seus recursos, em especial do hipertexto e da interatividade.

Hipertexto e Interatividade na Aprendizagem
O uso da internet como ambiente de aprendizagem considera fundamental o hipertexto e a interatividade. O aspecto principal do hipertexto é que para cada conteúdo que se proponha para o estudante, podem-se utilizar hipertextos que o direcionem para as mais variadas formas de aprendizagem: associativa, exploratória ou por descoberta. Mesmo que os hipertextos disponíveis na internet tenham sido propostos pelos autores dos conteúdos organizados nos sites, será o usuário que decidirá o caminho a seguir. O usuário será, portanto, autor de seu próprio conhecimento, estrategista da estruturação e da produção do conhecimento.

Por essa razão, mesmo que o criador de um site ou o autor/proponente do conteúdo ofereça, por exemplo, um ambiente exploratório, o aluno poderá decidir por realizar descobertas ou apenas traçar inúmeras associações. Esta liberdade, ou melhor, autonomia cedida ao usuário do hipertexto é justamente o que o difere de outros ambientes de aprendizagem. Por essa razão, ambientes de aprendizagem baseados em hipertextos procuram atender ao máximo os diversos “estilos” de aprendizes, isto é, esses ambientes exploram todas as potencialidades do hipertexto.

As interações realizadas pelo estudante podem se dar de quatro maneiras:
Aluno–interface: está diretamente relacionada com os meios utilizados no ambiente. Necessita ser amigável e transparente;

Aluno–conteúdo: interação intelectual o uso otimizado do meio consegue manter a atenção e permite usar a imaginação como ferramenta do conhecimento;

Aluno–professor: os papéis do professor e do aluno estão diretamente relacionados, conforme o design do ambiente;

Aluno–aluno: esta interação torna-se mais ou menos possível conforme o meio utilizado. Quando possível, é uma das mais produtivas experiências de produção de conhecimento.

Em última análise, a autonomia e controle da aprendizagem estarão nas mãos do estudante, pois, por mais fechado que seja um determinado ambiente, que pretenda “induzir” o aluno a seguir e a agir de forma pré-determinada, experiências práticas demonstram que essa manipulação não é possível pela internet. O estudante escolherá seus caminhos, fazendo as articulações que lhe convierem, traçando suas estratégias para cumprir os objetivos propostos pelo projeto pedagógico.

Muito ainda há que se refletir sobre os conceitos de hipertexto e interatividade. O que foi exposto até aqui permite uma compreensão geral dessas potencialidades para iniciarmos nossa trajetória de inserir práticas no dia-a-dia da escola que permitam o uso da internet comprometido com a Educação.

Sílvia Dotta - graduada em Comunicação Social pela ECA-USP, e mestre em Educação pela Unicamp. Autora do livro Construção de Sites (São Paulo, Global, 2000), especializou-se no uso educativo da internet e em educação à distância. Desde 1997, tem atuado na formação de professores e tutores nessas áreas.

PRÊMIO PNGE 2009
OPERADORA OFICIAL DE TURISMO
PARCERIA
DESTAQUE MÍDIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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