CONSULTORIA

Como Integrar Tecnologia ao Cotidiano Escolar
Betina von Staa
O mundo de hoje valoriza, cada vez mais, pessoas inovadoras, criativas, autônomas e que sabem pesquisar de maneira independente. Para tanto, é importante investir na integração da tecnologia ao cotidiano escolar, exatamente por que os computadores, quando bem utilizados, têm um potencial enorme para desenvolver estas características entre alunos e professores. Perrenoud afirma que a inserção de tecnologia nas escolas tem um significado muito mais amplo do que saber usar o computador:
Formar para as novas tecnologias é formar o julgamento, o senso crítico, o pensamento hipotético e dedutivo, as faculdades de observação e de pesquisa, a imaginação, a capacidade de memorizar e classificar, a leitura e a análise de textos e de imagens, a representação de redes, de procedimentos e de estratégias de comunicação.¹

Não são poucos os motivos para incluir computadores na rotina da escola. No entanto, computadores não fazem nada sozinhos. Para eles serem úteis, são necessários softwares apropriados para a educação, ferramentas de autoria e de comunicação e conteúdos selecionados. E, na escola, os professores, que orientam os alunos, precisam receber apoio a respeito das aplicações da tecnologia.

Recursos

Uma escola pode optar por usar editores de textos, de multimídia e de html comuns, além de recursos disponíveis na Internet nas suas atividades pedagógicas. A Internet tem conteúdos interessantes e ferramentas convencionais já se prestam a muitos trabalhos de qualidade. O lado difícil dessa opção é que a equipe da escola tem de realizar todo o trabalho exigido pela integração da tecnologia sozinha: tem de realizar pesquisas para distinguir conteúdos de qualidade de conteúdos irrelevantes, tem de desenvolver seu próprio sistema de guardar seus sites prediletos. Se quiser divulgar seus trabalhos na Internet, tem de criar seus sites e blogs, escolher onde hospedá-los, e ainda tem de se preocupar com segurança. Usar recursos convencionais e de fácil acesso, portanto, é uma opção viável, mas extremamente trabalhosa para professores e coordenadores já sobrecarregados com suas tarefas diárias.

Outra opção da escola é investir em recursos próprios para a educação: softwares e portais de educação. Os softwares podem ser usados na escola, em horários marcados e têm de ser instalados nas máquinas. Os portais reúnem conteúdos e, às vezes, também ferramentas e serviços, que podem ser acessados por alunos, professores e responsáveis, na escola ou em casa. Essa oferta de recursos em um espaço conhecido dos professores torna a tarefa de buscar todos os recursos na Internet muito mais simples, além de ser um fator motivador para professores se aventurarem por esse mundo tecnológico, muitas vezes desconhecido e assustador.

Formação de professores e incentivo ao uso de tecnologia nas escolas.

Ao disponibilizar softwares e portais para a sua comunidade, a escola continua precisando oferecer apoio aos professores. Nesse caso, não para encontrar ferramentas e conteúdos e descobrir tudo o que pode ser feito com tecnologia, mas para orientar o uso das ferramentas e conteúdos já disponíveis, que atraíram o interesse dos mais variados professores e alunos.

Afinal, não há máquina nem conteúdo ou ferramenta que funcione em uma escola sem que o professor faça algo com eles. As experiências que se tem com tecnologia educacional revelam que o professor precisa de apoio constante, exatamente por que é no momento em que ele decide conhecer um recurso que ele precisa de ajuda. Não basta um professor aprender em novembro como construir um site e, em maio do ano seguinte, quando estiver criando seu site de verdade, não ter ninguém para ajudar.

São vários os modelos de orientação aos professores que têm surtido efeito nas escolas. A escola pode contar com uma equipe de informática interna ou terceirizada, pode designar professores de diferentes disciplinas que orientem seus colegas quanto ao uso da tecnologia, pode até selecionar alunos para exercerem essa função. O importante é o professor curioso não ficar sem apoio.

Além disso, a direção ajuda muito a desenvolver um ambiente favorável ao uso da tecnologia, valorizando o trabalho daqueles professores que tiveram a iniciativa de desenvolver trabalhos diferenciados. Não há nada mais significativo do que ver o resultado de um trabalho de qualidade, que contou com o empenho de professores e alunos. Se um professor criou um blog ou um site que motivou os alunos, eles merecem ser partilhados. Se os alunos criaram trabalhos digitais sobre algum assunto relevante, eles devem ser divulgados. Se foram produzidos jornais ou livros, eles devem ser lidos por diferentes pessoas. O impacto dessa atitude é que os professores que ainda não se aventuraram quanto ao uso da tecnologia podem querer tentar também.²

Um bom indicador de que a oferta de recursos próprios para a educação em conjunto com a formação de professores e o estímulo à divulgação de trabalhos realizados surtem efeito, são os números de acesso ao Portal Educacional. Com esse modo de lidar com a tecnologia educacional, as escolas parceiras de seus recursos e serviços contam com uma média de acesso mensal de 39% entre professores e de 47% entre alunos.³ No Brasil, somente 9,97% dos professores de 5ª a 8ª série usam tecnologia como recurso educacional. Entre alunos, somente de 28% a 30% usam a Internet uma vez por mês para fins de estudo. Observamos, portanto, que a combinação de oferta de recursos com formação de professores e divulgação de resultados realmente incentiva um uso da tecnologia voltado para o estudo, a criação e a geração de conhecimento.

1. PERRENOUD, Philippe. 10 novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2000.
2. VON STAA, Betina. Como criar um ambiente favorável para a tecnologia na sua escola. Portal Educaciona, 2007. Disponível em http://www.educacional.com.br/articulistas/betina_bd.asp?codtexto=669
3. Comitê Gestor da Internet no Brasil, GOOGLE, Perfil do Internauta Brasileiro, arquivo de divulgação interna, 2006.
4. MEC: Censo profissionais do Magistério: Educação Básica, 2003.


Betina von Staa - coordenadora de pesquisa em tecnologia educacional da divisão de portais da Positivo Informática. Autora e docente de cursos on-line para a COGEAE, a Fundação Vanzolini e o UnicenP, é doutora em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC-SP.
PRÊMIO PNGE 2009
OPERADORA OFICIAL DE TURISMO
PARCERIA
DESTAQUE MÍDIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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