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O
mundo de hoje valoriza, cada vez mais, pessoas inovadoras, criativas,
autônomas e que sabem pesquisar de maneira independente.
Para tanto, é importante investir na integração
da tecnologia ao cotidiano escolar, exatamente por que os computadores,
quando bem utilizados, têm um potencial enorme para desenvolver
estas características entre alunos e professores. Perrenoud
afirma que a inserção de tecnologia nas escolas
tem um significado muito mais amplo do que saber usar o computador:
Formar para as novas tecnologias é formar o julgamento,
o senso crítico, o pensamento hipotético e dedutivo,
as faculdades de observação e de pesquisa, a imaginação,
a capacidade de memorizar e classificar, a leitura e a análise
de textos e de imagens, a representação de redes,
de procedimentos e de estratégias de comunicação.¹
Não
são poucos os motivos para incluir computadores na rotina
da escola. No entanto, computadores não fazem nada sozinhos.
Para eles serem úteis, são necessários softwares
apropriados para a educação, ferramentas de autoria
e de comunicação e conteúdos selecionados.
E, na escola, os professores, que orientam os alunos, precisam
receber apoio a respeito das aplicações da tecnologia.
Recursos
Uma
escola pode optar por usar editores de textos, de multimídia
e de html comuns, além de recursos disponíveis na
Internet nas suas atividades pedagógicas. A Internet tem
conteúdos interessantes e ferramentas convencionais já
se prestam a muitos trabalhos de qualidade. O lado difícil
dessa opção é que a equipe da escola tem
de realizar todo o trabalho exigido pela integração
da tecnologia sozinha: tem de realizar pesquisas para distinguir
conteúdos de qualidade de conteúdos irrelevantes,
tem de desenvolver seu próprio sistema de guardar seus
sites prediletos. Se quiser divulgar seus trabalhos na Internet,
tem de criar seus sites e blogs, escolher onde hospedá-los,
e ainda tem de se preocupar com segurança. Usar recursos
convencionais e de fácil acesso, portanto, é uma
opção viável, mas extremamente trabalhosa
para professores e coordenadores já sobrecarregados com
suas tarefas diárias.
Outra
opção da escola é investir em recursos próprios
para a educação: softwares e portais de educação.
Os softwares podem ser usados na escola, em horários marcados
e têm de ser instalados nas máquinas. Os portais
reúnem conteúdos e, às vezes, também
ferramentas e serviços, que podem ser acessados por alunos,
professores e responsáveis, na escola ou em casa. Essa
oferta de recursos em um espaço conhecido dos professores
torna a tarefa de buscar todos os recursos na Internet muito mais
simples, além de ser um fator motivador para professores
se aventurarem por esse mundo tecnológico, muitas vezes
desconhecido e assustador.
Formação
de professores e incentivo ao uso de tecnologia nas escolas.
Ao
disponibilizar softwares e portais para a sua comunidade, a escola
continua precisando oferecer apoio aos professores. Nesse caso,
não para encontrar ferramentas e conteúdos e descobrir
tudo o que pode ser feito com tecnologia, mas para orientar o
uso das ferramentas e conteúdos já disponíveis,
que atraíram o interesse dos mais variados professores
e alunos.
Afinal,
não há máquina nem conteúdo ou ferramenta
que funcione em uma escola sem que o professor faça algo
com eles. As experiências que se tem com tecnologia educacional
revelam que o professor precisa de apoio constante, exatamente
por que é no momento em que ele decide conhecer um recurso
que ele precisa de ajuda. Não basta um professor aprender
em novembro como construir um site e, em maio do ano seguinte,
quando estiver criando seu site de verdade, não ter ninguém
para ajudar.
São
vários os modelos de orientação aos professores
que têm surtido efeito nas escolas. A escola pode contar
com uma equipe de informática interna ou terceirizada,
pode designar professores de diferentes disciplinas que orientem
seus colegas quanto ao uso da tecnologia, pode até selecionar
alunos para exercerem essa função. O importante
é o professor curioso não ficar sem apoio.
Além
disso, a direção ajuda muito a desenvolver um ambiente
favorável ao uso da tecnologia, valorizando o trabalho
daqueles professores que tiveram a iniciativa de desenvolver trabalhos
diferenciados. Não há nada mais significativo do
que ver o resultado de um trabalho de qualidade, que contou com
o empenho de professores e alunos. Se um professor criou um blog
ou um site que motivou os alunos, eles merecem ser partilhados.
Se os alunos criaram trabalhos digitais sobre algum assunto relevante,
eles devem ser divulgados. Se foram produzidos jornais ou livros,
eles devem ser lidos por diferentes pessoas. O impacto dessa atitude
é que os professores que ainda não se aventuraram
quanto ao uso da tecnologia podem querer tentar também.²
Um
bom indicador de que a oferta de recursos próprios para
a educação em conjunto com a formação
de professores e o estímulo à divulgação
de trabalhos realizados surtem efeito, são os números
de acesso ao Portal Educacional. Com esse modo de lidar com a
tecnologia educacional, as escolas parceiras de seus recursos
e serviços contam com uma média de acesso mensal
de 39% entre professores e de 47% entre alunos.³ No Brasil,
somente 9,97% dos professores de 5ª a 8ª série
usam tecnologia como recurso educacional. Entre alunos, somente
de 28% a 30% usam a Internet uma vez por mês para fins de
estudo. Observamos, portanto, que a combinação de
oferta de recursos com formação de professores e
divulgação de resultados realmente incentiva um
uso da tecnologia voltado para o estudo, a criação
e a geração de conhecimento.
1.
PERRENOUD, Philippe. 10 novas competências para ensinar.
Porto Alegre: Artmed, 2000.
2. VON STAA, Betina. Como criar um ambiente favorável para
a tecnologia na sua escola. Portal Educaciona, 2007. Disponível
em http://www.educacional.com.br/articulistas/betina_bd.asp?codtexto=669
3. Comitê Gestor da Internet no Brasil, GOOGLE, Perfil do
Internauta Brasileiro, arquivo de divulgação interna,
2006.
4. MEC: Censo profissionais do Magistério: Educação
Básica, 2003.
Betina
von Staa - coordenadora de pesquisa em tecnologia educacional
da divisão de portais da Positivo Informática. Autora
e docente de cursos on-line para a COGEAE, a Fundação
Vanzolini e o UnicenP, é doutora em Lingüística
Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC-SP. |