O
INEP – MEC acaba de criar um novo índice ranqueador
de qualidade para o ensino superior. Trata-se do IGC –
Índice Geral de Cursos da Instituição.
Segundo
o INEP, o Índice Geral de Cursos da Instituição
(IGC), indicador de qualidade de instituições de
educação superior traz, em sua primeira edição,
conceitos de 173 universidades, 131 centros universitários
e 1.144 faculdades isoladas e integradas. O IGC sintetiza, para
cada instituição, a qualidade de todos os seus cursos
de graduação, mestrado e doutorado, distribuídos
na totalidade de campi e municípios onde a instituição
atua. O resultado final está em valores contínuos
(que vão de 0 a 500) e em faixas (de 1 a 5).
No
cálculo do indicador, são utilizados a média
dos conceitos preliminares dos cursos da instituição
(CPC) – componente relativo à graduação
– e o conceito fixado pela Capes para a pós-graduação.
A média dos conceitos dos cursos é ponderada pela
distribuição dos alunos entre os diferentes níveis
de ensino (graduação, mestrado e doutorado).
Para
esta primeira divulgação do IGC, foram utilizados
os CPCs referentes às edições do Exame Nacional
de Desempenho dos Estudantes (Enade) no período de 2005
a 2007. Esse indicador de cursos considera, além de resultados
de avaliação de desempenho de estudantes, infra-estrutura
e instalações, recursos didático-pedagógicos
e corpo docente.
O
IGC varia conforme a seguinte tabela
Segundo dados
divulgados pelo INEP, as melhores universidades da cidade de São
Paulo estão assim classificadas, segundo o critério
do IGC:

As
duas universidade públicas paulistas classificadas (UNIFESP
e UNESP) estão em primeiro e terceiro lugar, respectivamente.
Lembrando que a USP e a UNICAMP não participam do ENADE,
logo, não entram nessa classificação.
Entre
as universidades privadas os destaques estão com a PUC-SP
e o Mackenzie, ambas com IGC igual a 4.
Nas
últimas classificações, com IGC = 2, estão,
UNIb em penúltimo e UNISA em último lugar. A UNIb
tem o Valor Contínuo igual a 183 contra 173 da UNISA, fator
que as diferenciam na classificação. O Valor Contínuo
183 é o que mais se aproxima do Valor Contínuo 195
que passa para o conceito IGC = 3.
A
Dra.Fabíola Andréa Chofard Adami, pró-reitora
Acadêmica da Universidade Ibirapuera, ressalta que a Universidade
tem cumprido integralmente, ao longo dos últimos anos,
todas as exigências previstas com relação
ao artigo 52 da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação)
que, em seus incisos II e III, esclarece sobre a necessidade de
contratação de 1/3 de professores mestres e doutores
e de 1/3 de docentes em Regime de Tempo Integral, os chamados
RTI´s.
"Nosso
quadro hoje é composto por 54,85% de mestres e doutores,
bem acima do que é estabelecido pela LDB. Outros 33,33%
são RTI´s. Com relação ao conceito
atribuído pelo IGC, temos a informar que algumas graduações
ficaram sem conceito no Conceito Preliminar de Curso (CPC) por
não possuírem alunos ingressantes naquele ano específico.
Tal fato influenciou o resultado geral do IGC, uma vez que o mesmo
é baseado no próprio CPC, o que nos leva a afirmar
que houve sim prejuízo na média final do IGC divulgada
pelo MEC e que a mesma não condiz com a realidade",
destaca a Dra. Fabíola Adami.
A
Dra. Fabíola Adami conclui dizendo que a Universidade protocolou
um ofício, nesta terça-feira, junto ao MEC, pedindo
esclarecimentos complementares sobre os critérios que levaram
à elaboração do IGC e que de toda forma,
aguardará a resposta e orientação no Ministério
e tomará todas as medidas cabíveis que forem necessárias.
Em
abrangência nacional, as dez melhores universidades do Brasil,
segundo o novo índice (IGC) são as seguintes:

Podemos
observar que nove delas são públicas federais. Apenas
a PUC – Rio, com IGC = 4 e Valor Contínuo = 385 apresenta-se
como instituição privada.
No
caso específico das universidades particulares, o ranking
nacional das 15 melhores, segundo o IGC, é o seguinte:
NOTA:
na notação (x/y) após o nome da IES, x significa
a classificação da IES entre as 15 melhores universidades
particulares pelo critério IGC e y a classificação
geral da instituição considerando também
as universidades públicas.
Podemos
notar que entre as 15 melhores universidades particulares do Brasil
pelo critério IGC, quatro são universidades da Pontifícia
Universidade Católica – PUC (RJ, SP, MG e RS).
A
tabela nos mostra também que a Universidade do Vale do
Rio dos Sinos, apesar de ser a terceira melhor universidade privada
pelo critério IGC, encontra-se na 37º colocação
no ranking geral das universidades. A Universidade FUMEC, 15º
melhor universidade entre as particulares, com base no novo índice,
situa-se apenas em 71º lugar na classificação
geral. Vale lembrar que o INEP conceituou com o IGC 173 universidades.
Apenas três não foram conceituadas por que ainda
são novas.
A Avaliação dos Centros Universitários
São
Paulo, capital, possui hoje 18 Centros Universitários e,
segundo dados divulgados pelo INEP, os melhores Centros Universitários
da cidade de São Paulo estão classificados, conforme
o critério do IGC, na próxima tabela.
Nenhum
Centro Universitário da capital paulista conseguiu alcançar
o IGC máximo (5). Os destaques, porém, ficam com
o Centro Universitário Álvares Penteado e o Centro
Universitário SENAC, ambos com IGC = 4.
O
Centro Universitário Metropolitano de São Paulo
e o Centro Universitário Sant´Anna estão nas
duas últimas classificações, respectivamente,
penúltimo e último, ambos com IGC = 2 entre os Centros
Universitários da capital paulista.

O
que se pode concluir é que tanto o CPC –
Conceito Preliminar de Curso, como o IGC
– Índice Geral de Cursos da Instituição
“colocam lenha” em uma fogueira que pode se transformar
em um incêndio de grandes proporções, pois
ambos os índices utilizam como variável principal
o ENADE que, conforme o próprio Ministério da Educação
sempre afirmou, não serve, isoladamente, como padrão
de avaliação de qualidade de curso e nem de instituições
de ensino superior.
Sempre
haverá quem diga, porém, que no caso do CPC,
além do ENADE há também a participação
do Cadastro Nacional de Docente do Ensino Superior e, no caso
do IGC, há a participação
da avaliação da CAPES. Mas não há
como negar a forte e predominante influência dos resultados
do ENADE nos dois índices recentemente criados.
A
divulgação dos conceitos do CPC e do IGC afetará
fortemente a imagem dos cursos e das instituições
avaliadas e serão elementos utilizados com vigor por setores
de marketing institucional.
Além
disso, esses conceitos de avaliação, por estarem
relacionados com a qualidade das instituições e
de seus cursos de graduação contribuirão
para gerar uma competição ainda mais acirrada no
ensino superior.
Resta
saber como os alunos responderão aos resultados desses
índices divulgados pelo MEC.
Prof.
Dr. Samuel José Casarin - consultor em Instituições
de Ensino Superior e autor de várias produções
científicas (nacional e internacional) e de artigos sobre
temas do ensino superior