CONSULTORIA

O Índice Geral de Cursos da Instituição (IGC) e as IES de São Paulo

Prof. Dr. Samuel José Casarin

O INEP – MEC acaba de criar um novo índice ranqueador de qualidade para o ensino superior. Trata-se do IGC – Índice Geral de Cursos da Instituição.

Segundo o INEP, o Índice Geral de Cursos da Instituição (IGC), indicador de qualidade de instituições de educação superior traz, em sua primeira edição, conceitos de 173 universidades, 131 centros universitários e 1.144 faculdades isoladas e integradas. O IGC sintetiza, para cada instituição, a qualidade de todos os seus cursos de graduação, mestrado e doutorado, distribuídos na totalidade de campi e municípios onde a instituição atua. O resultado final está em valores contínuos (que vão de 0 a 500) e em faixas (de 1 a 5).

No cálculo do indicador, são utilizados a média dos conceitos preliminares dos cursos da instituição (CPC) – componente relativo à graduação – e o conceito fixado pela Capes para a pós-graduação. A média dos conceitos dos cursos é ponderada pela distribuição dos alunos entre os diferentes níveis de ensino (graduação, mestrado e doutorado).

Para esta primeira divulgação do IGC, foram utilizados os CPCs referentes às edições do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) no período de 2005 a 2007. Esse indicador de cursos considera, além de resultados de avaliação de desempenho de estudantes, infra-estrutura e instalações, recursos didático-pedagógicos e corpo docente.

O IGC varia conforme a seguinte tabela

Segundo dados divulgados pelo INEP, as melhores universidades da cidade de São Paulo estão assim classificadas, segundo o critério do IGC:

As duas universidade públicas paulistas classificadas (UNIFESP e UNESP) estão em primeiro e terceiro lugar, respectivamente. Lembrando que a USP e a UNICAMP não participam do ENADE, logo, não entram nessa classificação.

Entre as universidades privadas os destaques estão com a PUC-SP e o Mackenzie, ambas com IGC igual a 4.

Nas últimas classificações, com IGC = 2, estão, UNIb em penúltimo e UNISA em último lugar. A UNIb tem o Valor Contínuo igual a 183 contra 173 da UNISA, fator que as diferenciam na classificação. O Valor Contínuo 183 é o que mais se aproxima do Valor Contínuo 195 que passa para o conceito IGC = 3.

A Dra.Fabíola Andréa Chofard Adami, pró-reitora Acadêmica da Universidade Ibirapuera, ressalta que a Universidade tem cumprido integralmente, ao longo dos últimos anos, todas as exigências previstas com relação ao artigo 52 da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) que, em seus incisos II e III, esclarece sobre a necessidade de contratação de 1/3 de professores mestres e doutores e de 1/3 de docentes em Regime de Tempo Integral, os chamados RTI´s.

"Nosso quadro hoje é composto por 54,85% de mestres e doutores, bem acima do que é estabelecido pela LDB. Outros 33,33% são RTI´s. Com relação ao conceito atribuído pelo IGC, temos a informar que algumas graduações ficaram sem conceito no Conceito Preliminar de Curso (CPC) por não possuírem alunos ingressantes naquele ano específico. Tal fato influenciou o resultado geral do IGC, uma vez que o mesmo é baseado no próprio CPC, o que nos leva a afirmar que houve sim prejuízo na média final do IGC divulgada pelo MEC e que a mesma não condiz com a realidade", destaca a Dra. Fabíola Adami.

A Dra. Fabíola Adami conclui dizendo que a Universidade protocolou um ofício, nesta terça-feira, junto ao MEC, pedindo esclarecimentos complementares sobre os critérios que levaram à elaboração do IGC e que de toda forma, aguardará a resposta e orientação no Ministério e tomará todas as medidas cabíveis que forem necessárias.

Em abrangência nacional, as dez melhores universidades do Brasil, segundo o novo índice (IGC) são as seguintes:

Podemos observar que nove delas são públicas federais. Apenas a PUC – Rio, com IGC = 4 e Valor Contínuo = 385 apresenta-se como instituição privada.

No caso específico das universidades particulares, o ranking nacional das 15 melhores, segundo o IGC, é o seguinte:

NOTA: na notação (x/y) após o nome da IES, x significa a classificação da IES entre as 15 melhores universidades particulares pelo critério IGC e y a classificação geral da instituição considerando também as universidades públicas.

Podemos notar que entre as 15 melhores universidades particulares do Brasil pelo critério IGC, quatro são universidades da Pontifícia Universidade Católica – PUC (RJ, SP, MG e RS).

A tabela nos mostra também que a Universidade do Vale do Rio dos Sinos, apesar de ser a terceira melhor universidade privada pelo critério IGC, encontra-se na 37º colocação no ranking geral das universidades. A Universidade FUMEC, 15º melhor universidade entre as particulares, com base no novo índice, situa-se apenas em 71º lugar na classificação geral. Vale lembrar que o INEP conceituou com o IGC 173 universidades. Apenas três não foram conceituadas por que ainda são novas.

A Avaliação dos Centros Universitários

São Paulo, capital, possui hoje 18 Centros Universitários e, segundo dados divulgados pelo INEP, os melhores Centros Universitários da cidade de São Paulo estão classificados, conforme o critério do IGC, na próxima tabela.

Nenhum Centro Universitário da capital paulista conseguiu alcançar o IGC máximo (5). Os destaques, porém, ficam com o Centro Universitário Álvares Penteado e o Centro Universitário SENAC, ambos com IGC = 4.

O Centro Universitário Metropolitano de São Paulo e o Centro Universitário Sant´Anna estão nas duas últimas classificações, respectivamente, penúltimo e último, ambos com IGC = 2 entre os Centros Universitários da capital paulista.

O que se pode concluir é que tanto o CPC – Conceito Preliminar de Curso, como o IGC – Índice Geral de Cursos da Instituição “colocam lenha” em uma fogueira que pode se transformar em um incêndio de grandes proporções, pois ambos os índices utilizam como variável principal o ENADE que, conforme o próprio Ministério da Educação sempre afirmou, não serve, isoladamente, como padrão de avaliação de qualidade de curso e nem de instituições de ensino superior.

Sempre haverá quem diga, porém, que no caso do CPC, além do ENADE há também a participação do Cadastro Nacional de Docente do Ensino Superior e, no caso do IGC, há a participação da avaliação da CAPES. Mas não há como negar a forte e predominante influência dos resultados do ENADE nos dois índices recentemente criados.

A divulgação dos conceitos do CPC e do IGC afetará fortemente a imagem dos cursos e das instituições avaliadas e serão elementos utilizados com vigor por setores de marketing institucional.

Além disso, esses conceitos de avaliação, por estarem relacionados com a qualidade das instituições e de seus cursos de graduação contribuirão para gerar uma competição ainda mais acirrada no ensino superior.

Resta saber como os alunos responderão aos resultados desses índices divulgados pelo MEC.


Prof. Dr. Samuel José Casarin - consultor em Instituições de Ensino Superior e autor de várias produções científicas (nacional e internacional) e de artigos sobre temas do ensino superior
PRÊMIO PNGE 2009
OPERADORA OFICIAL DE TURISMO
PARCERIA
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