O
MEC começou a mudar a história da educação
no Brasil ao instituir o Fundo Nacional de Desenvolvimento do
Ensino Fundamental – FUNDEF, em 1996. Ao criar o Fundo,
o MEC passou a estimular o investimento no Ensino Básico
público e a criar mecanismos de controle dos gastos. Essa
iniciativa aconteceu ao mesmo tempo do lançamento do projeto
de universalização do Ensino Fundamental, fazendo
com que fosse obrigatória a permanência no sistema
de educação de todas as crianças em idade
escolar.
Essa
iniciativa lembra a história da Coréia do Sul que,
na década de 1970, começou a mudar sua educação
pela universalização da matrícula. A preocupação
era que toda criança ficasse na escola o maior tempo possível,
não importando, no primeiro momento, a qualidade do ensino.
No momento seguinte, outras medidas foram tomadas, como a centralização
dos investimentos educacionais, a descentralização
da decisão e a criação de um sistema de avaliação
claro e legítimo.
Para
criar seu sistema de ensino, a Coréia do Sul estudou profundamente
o projeto realizado pela Finlândia, país com melhor
qualidade de ensino medido pela OCDE – Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
– que compara o desenvolvimento educacional de trinta países
que utilizam seu modelo.
A
Finlândia tem em seu histórico educacional o mesmo
caminho seguido pela Coréia do Sul e pelo Brasil: a primeira
etapa é a reforma da legislação educacional,
passando pela municipalização da educação,
pela unificação do sistema de financiamento da educação,
pela reforma dos currículos escolares e chega à
unificação das séries do Ensino Básico.
Todo esse trabalho começou em 1968 e ainda não acabou.
Se
o caminho é o mesmo, por que o Brasil não avança
tão rápido quanto avançaram a Finlândia
e a Coréia do Sul?
Podemos
responder a essa pergunta de muitas formas diferentes. Vou me
ater a um aspecto: a decisão de investir antes na avaliação
e depois na formação do professor.
Ao
instituir o Saeb – Sistema de Avaliação do
Ensino Básico – em 1990, antes da mudança
da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional,
em 1996, o Brasil deu o primeiro passo para um novo direcionamento
no seu Sistema de Ensino, cerca de vinte anos depois da Finlândia
e da Coréia do Sul. O Saeb foi melhorado e passou a incorporar
a Prova Brasil e a Provinha Brasil. O ENEM foi criado para avaliar
o Ensino Médio e, apesar de não fazer parte do Saeb,
segue a matriz de competências da OCDE.
Todos
os investimentos realizados pelo MEC em avaliação
ainda não se traduziram em uma questão anterior:
para trabalharmos com nossos alunos da mesma maneira que eles
serão avaliados, com base na metodologia de competências,
precisamos de professores que saibam o que são competências
e que sejam formados na mesma metodologia.
Essa
história lembra-me a história de um diretor de Escola
que demite um professor extremamente tradicional e contrata um
recém-saído da Universidade para mudar o formato
de ensino. Ao acompanhar seu novo professor, ele percebe que a
arrumação da sala é a mesma, a dinâmica
da aula é a mesma, a forma de abordar o conteúdo
é a mesma, a metodologia é a mesma. Ao abordar o
professor sobre sua aula, o Diretor recebe como resposta: “desculpe-me,
mas estudei por quatorze anos em escolas dessa maneira, mais quatro
anos na Universidade dessa maneira, eu não sei como fazer
isso diferente”.
O
Brasil começou pela avaliação em 1990 e,
apenas em 2008, anunciou investimentos em pesquisa para melhoria
da formação dos professores. Esse hiato de dezoito
anos já está fazendo diferença em nosso desempenho.
Não podemos cobrar de nossos professores uma atuação
metodologicamente alinhada com o sistema de avaliação
do MEC, tecnologicamente atualizada e mais próxima da linguagem
dos alunos se não mudarmos seu sistema de educação.
Em
curto prazo, é necessário capacitar nossos professores
para atuação de maneira próxima a nossa Proposta
Político-Pedagógica, alinhando o trabalho com a
retenção de talentos. Em longo prazo, o país
precisa priorizar o investimento em novas metodologias no Ensino
Superior.
Denis
Drago - Responsável pelas soluções
de Gestão Educacional do Senac Rio, Mestrando em Administração,
Comunicação e Educação pela Universidade
São Marcos – SP, Pós-graduado em Gestão
de Pequenas e Médias Empresas pela FGV – RJ, Pedagogo,
conteudista das Pós-graduações em Gestão
Educacional e Educação a Distância do Senac
Nacional, possui mais de quinze anos de experiência em gestão
de escolas e universidades do Brasil e da Inglaterra.