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| OS
AVANÇOS DA GESTÃO EDUCACIONAL |
Falar
sobre gestão em um passado recente junto a um grupo de educadores
era motivo de rejeição quanto à concepção do termo, bem como
pela respectiva prática no cotidiano das escolas. A não aceitação
era devida a uma visão distorcida a respeito dos atributos e
finalidades que englobam esta atividade.
Muitos
educadores tinham receio de reduzir a instituição de ensino
a uma empresa mercantilista, desprovida dos nobres valores que
contemplam o meio acadêmico. A tendência era considerar apenas
os atributos pedagógicos, os conhecimentos e os saberes, sem
se preocupar com o pragmatismo e racionalidade existentes no
mundo corporativo. Havia escassez de literatura sobre gestão
educacional e a imaginação deturpada sobre os seus efeitos impedia
a revisão deste paradigma. Entretanto, com a concorrência acirrada,
evasão, queda no número de alunos, dificuldade na captação de
novos discentes, inadimplência elevada e clientes mais exigentes,
fizeram com que as escolas passassem a se interessar sobre a
implementação das estratégias e ferramentas próprias da gestão.
Timidamente,
alguns dirigentes educacionais, começaram a participar de congressos
e seminários que despontavam neste segmento, debatiam sobre
o assunto com seus pares, buscavam literaturas no mercado e
um movimento positivo passou a vigorar. Começaram a perceber
e constatar que é perfeitamente possível na gestão preservar
o núcleo central que permeia a razão de ser do trabalho educativo.
Verificaram que a filosofia e a linha pedagógica da escola caminham
juntas na prática da boa gestão, não correndo o “risco” de transformar
a instituição de ensino em uma empresa mercantilista, pelo contrário,
exemplos de sucesso foram surgindo no mercado educacional, colaborando
para a compreensão dos atributos da gestão.
Aos
poucos foi se compreendendo que gerir é mais amplo do que administrar,
pois engloba, além dos aspectos de planejamento, organização,
controle, acompanhamento e avaliação, também os atributos do
pensamento e ação estratégica, inovação e aprendizagem permanente
dos processos organizacionais. A gestão é um processo pragmático,
com foco em resultados. Não adianta ter apenas o esforço na
busca de objetivos e metas, pois o que é relevante é a eficácia
obtida.
Atualmente
as instituições de ensino encontram-se em um novo momento no
âmbito da gestão de seus processos, sejam eles acadêmicos, administrativos,
mercadológicos ou financeiros. Tanto quanto as demais empresas
contemporâneas precisam e sabem da importância de se obter resultados
positivos para poderem sobreviver e desenvolver em seus empreendimentos
educativos. Desta maneira, a estrutura organizacional está mais
ágil, simplificada e menos burocrática, favorecendo o alcance
de metas mais efetivas.
Não
é mais pertinente que o gestor educacional que tenha sob a sua
responsabilidade, pessoas, recursos, processos e clientes, execute
movimentos amadores e centrados apenas nos princípios e normas
de ordenação e controle, próprios da administração tradicional.
Não há mais espaço para ações calcadas apenas na intuição e
na experiência do que deu certo no passado.
Portanto,
torna-se indispensável, que os profissionais gestores ampliem
o escopo de atuação, implementando inovações, identificando
oportunidades e agindo preventivamente perante as possíveis
ameaças.
A
gestão já ocupa o seu papel de destaque para obtenção do sucesso
de uma instituição de ensino. Com certeza, cada vez mais, o
que diferenciará uma escola da outra será a qualidade dos cursos
oferecidos e a maneira como é gerida. Não basta a escola acreditar
que tenha qualidade. É indispensável que esta qualidade seja
também percebida, de fato, pelos seus atuais e futuros alunos,
influenciando as decisões destes. E para esta qualidade ser
percebida todos precisam participar desta gestão: mantenedores,
diretores, coordenadores de cursos, coordenações pedagógicas
e até mesmo pelos professores na gestão da sala de aula.
Pode
parecer estranho, num primeiro momento, inserir o professor
num assunto relacionado a gestão. Porém, o docente pode e precisa
fazer, com excelência, a gestão de vários processos relacionados
à sala de aula, tais como: planejamento da aula, acompanhamento
da aprendizagem de seus alunos, implementação de metodologias
de acordo com a realidade de cada turma, avaliação do rendimento
acadêmico da classe, analise dos indicadores de desempenho etc.
A
gestão profissional, com toda a certeza, ainda terá um longo
caminho a ser percorrido, colaborando continuamente para o fortalecimento
da qualidade almejada e solidificação da marca institucional
das escolas.
Sonia
Simões Colombo - Diretora da Humus Consultoria Educacional.
Graduada em Psicologia, pós-graduada em Administração de Empresas
e especialista em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo.
Autora do livro "Escolas de Sucesso" (2000), Organizadora e co-autora
dos livros "Gestão Educacional: uma Nova Visão" (2004) e “Marketing
Educacional em Ação” (2005). Revisora técnica do livro “Gestão
em educação - Estratégias, qualidade e recursos” (2006).
Professora de cursos de MBA. Lead Assessor pela Quality Management
International.
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