Apesar
das crises financeiras internacionais, as notícias enfatizam
o crescimento econômico de nosso país. Vemos nosso
país crescer, talvez não na intensidade desejada
ou necessária, mas sem dúvida crescendo. Neste contexto
as instituições educacionais também crescem,
e muito, num mercado crescentemente competitivo. Mas, e a sustentabilidade
deste crescimento?
Para
crescer e desenvolver uma escola, uma instituição
educacional ou um sistema integrado de educação
é preciso investir. E não é só em
novas unidades, equipamentos, aumento de quadro de pessoal e novas
tecnologias: tudo isto não terá resultados se não
tivermos um corpo de gestores, de verdadeiros líderes que
façam o “meio de campo” entre os acionistas
e os níveis de execução. São estes
gestores que coordenam os professores, lideram as áreas
de apoio, de atendimento, de matrículas, da gráfica.
Sem processos, sem delegação, sem treinamento, sem
competências de gestão, os planos não se realizam,
não saem do nível das intenções. Uma
escola pode perder alunos por um atendimento mal feito na secretaria
ou por alguém da segurança.
Ainda
hoje as organizações promovem pessoas a cargos de
gestão baseados em seus conhecimentos técnicos.
Isto sem contar pessoas que são indicadas por relações
familiares, políticas ou de amizade. E isto vale especialmente
em escolas onde os fundadores gostariam que seus filhos, genros,
noras ou amigos ocupassem posição de gestão,
mas muitas vezes sem ter o preparo e competência para tanto.
Isto vale para também para indicações baseadas
em boas relações ou por motivos políticos.
Mas,
afinal, o que significa ser um “gestor competente”?
É aquele que atinge resultados com pessoas
e com inovação.
Cabe
destacar que estas três dimensões são unidas
pela palavra “com”, que dá um sentido de integração,
de parceira, de complementação. Compare como fica
a frase quando usamos:
• É aquele que atinge resultados
por meio das pessoas...
• É aquele que atinge resultados
às custas das pessoas ...
Atingir
resultados significa ter o senso de finalização,
de assegurar o atingimento de metas, de “não deixar
a peteca cair”, de não ficar se desculpando por fatores
que saíram do controle.
Alguns
indicadores de “resultados”:
• progresso no atingimento das metas
• retorno do investimento
• crescimento do faturamento
• qualidade dos serviços prestados
• orientação ao aluno
• acervo de equipamentos e instalações
• eficiência dos processos e dos produtos
• imagem da organização frente aos pais e
alunos
Alguns
indicadores de “pessoas”, que representam a dimensão
humana no trabalho:
• competência e atualização das pessoas
• clima de motivação, “garra”
e entusiasmo
• estilos de liderança abertos e participativos
• políticas e procedimentos de Gestão de Pessoas
(RH)
• fluxo de comunicações
• espírito de equipe
• cooperação entre áreas e pessoas
(inexistência de feudos)
• fixação e estabilidade do pessoal (baixo
turn-over)
• relações com sindicatos
• relações com comunidade / meio ambiente
Nas
instituições de ensino constatamos que muitas vezes
a área de Gestão de Pessoas (RH) fica restrita às
atividades de folha de pagamento e atendimento às obrigações
trabalhistas legais. Os indicadores de "pessoas" são
universais, e a prática tem mostrado que o foco e atenção
às necessidades das pessoas elevam a dimensão “resultados”.
A Pesquisa de Clima Organizacional é um excelente meio
de mensuração destes indicadores, e temos constatado
estatisticamente que há uma forte correlação
entre a atuação dos gestores e o clima da organização.
Alguns
indicadores de “inovação”, que representam
o foco em atualização e flexibilidade:
• atualização tecnológica
• novos produtos e serviços oferecidos
• inovação nas formas de gerenciamento
• agilidade de resposta: ser pro-ativa ao invés de
reativa
• investimentos em pesquisa e desenvolvimento
• flexibilidade e abertura a idéias novas
• transformação de idéias novas em
realidades
Estes
indicadores também são universais e precisam ser
ajustados às características de cada escola.
A
dimensão resultados é a mais visível, é
a ponta do iceberg. As dimensões pessoas e inovação
são menos visíveis, mas nem por isto menos importantes.
Pelo contrário, são as bases sobre as quais os resultados
se assentam.
Cada
dimensão está associada a um objetivo organizacional.
Assim:
• Resultado se associa a sobrevivência da escola
• Pessoa se associa a saúde da escola
• Inovação se associa à longevidade
da escola
Para
sair da visão estreita de promover pessoas a posições
de gestão sem que tenham as competências necessárias,
é fundamental investir em processos de desenvolvimento
dos líderes, que sejam estruturados para a realidade específica
de cada escola, que tenham continuidade, que tenham atividades
e projetos a serem realizados no local de trabalho, que sejam
acompanhados pelos níveis de Direção e que
levem a recompensas àqueles que se ajustam mais rapidamente
ao perfil desejado.
Só
assim teremos crescimento com sustentabilidade.
Gustavo
G. Boog - Fundador e Diretor do Sistema Boog de Consultoria.
Conduz palestras, workshops e projetos de desenvolvimento das pessoas,
equipes e organizações.