
Prof. Dr. Samuel José Casarin
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O
INEP relacionou 133 Centros Universitários em uma lista na
qual 130 receberam um valor de IGC (Índice Geral de Cursos
da Instituição), que varia entre 1 e 5, e seu correspondente
Valor Contínuo, que varia entre 0 e 500. Apenas três
Centros Universitários ficaram sem conceito (SC) por motivos
diversos, todos Federais (Cefetes).
A
distribuição do IGC entre os Centros Universitários
ficou assim:
| IGC |
N |
% |
SC |
3 |
2,3 |
1
|
0 |
0 |
2 |
16 |
12 |
3
|
102
|
76,7 |
4
|
12 |
9 |
5 |
0 |
0 |
| Total |
133 |
100 |
Nenhum
Centro Universitário recebeu IGC máximo (IGC = 5)
e nenhum recebeu o conceito mínimo (IGC = 1). O que, se por
um lado mostra que ainda não há Centros Universitários
de excelência, segundo critérios de avaliação
do INEP/MEC; por outro lado, também não se constata
a existência de Centros Universitários medíocres,
segundo os mesmos critérios.
Dos
12 Centros Universitários que receberam IGC = 4, seis deles
são federais (Cefetes) e seis são privados. Ou seja,
dos 133 Centros Universitários relacionados na lista de IGC
do INEP/MEC, apenas 9% tiveram IGC = 4, sendo que 4,5% dessas 133
instituições são privadas.
Os
12 Centros Universitários com IGC = 4 estão assim
distribuídos no país, segundo a região geográfica:
Região |
IES
com IGC=4 |
%
(1) |
%
(2) |
Sul |
5 |
41,7 |
3,75 |
Sudeste |
4 |
33,3 |
3 |
Centro
Oeste |
0 |
0 |
0 |
Nordeste |
3 |
25 |
2,25 |
Norte |
0 |
0 |
0 |
TOTAL |
12 |
100 |
9 |
Nota:
[% (1)] em relação aos 12 Centros com IGC = 4 e [%
(2)] em relação aos 133 Centros Universitários
avaliados pelo INEP/MEC.
Dos
cinco Centros Universitários da Região Sul com IGC
= 4, três estão no Rio Grande do Sul (todos privados),
um no estado de Santa Catarina (Federal) e um no Paraná (privado).
Dos
quatro Centros Universitários da região Sudeste com
IGC = 4, um é de Minas Gerais (Federal), um do Rio de Janeiro
(Federal) e dois são de São Paulo (privados).
Os
três Centros Universitários do Nordeste com IGC = 4
são federais e estão localizados nos estados do Rio
Grande do Norte, Pernambuco e Bahia.
Para
que uma instituição tenha o IGC = 4, o seu Valor Contínuo
deve estar no intervalo de valores entre 295 e 394. Acima de 394
o IGC passa a valer 5 (conceito máximo).
Se
dividirmos o intervalo de IGC = 4 em três faixas de Valor
Contínuo:
• Faixa 1: 295 - 319
• Faixa 2: 320 – 369
• Faixa 3: 370 - 394
Dos
12 avaliados com IGC = 4, apenas um Centro Universitário
(Federal) estaria mais próximo de passar para o conceito
IGC = 5 (o Centro Federal de Educação Tecnológica
de Santa Catarina, possui Valor Contínuo = 380), três
estariam mais próximos de cair para um IGC = 3 e os outros
oito permaneceriam no conceito IGC = 4.
Dos
16 Centros Universitários que receberam IGC = 2, todos (100%)
são privados e eles correspondem a 12% dos Centros Universitários
avaliados com o IGC.
Os
16 Centros Universitários com IGC = 2 estão assim
distribuídos nos país, segundo a região geográfica:
Região |
IES
com IGC=2 % |
% (1) |
%
(2) |
Sul
|
0 |
0 |
0 |
Sudeste |
9
|
56,25 |
6,7 |
Centro
Oeste |
5
|
31,25 |
3,8 |
Nordeste |
0 |
0 |
0 |
Norte
|
2
|
12,5 |
1,5 |
TOTAL
|
16
|
100
|
12 |
Nota:
[% (1)] em relação aos 16 Centros com IGC = 2 e [%
(2)] em relação aos 133 Centros Universitários
avaliados pelo INEP/MEC.
As
regiões Nordeste e Sul não apresentam nenhum Centro
Universitário com IGC = 2.
A
região Centro-Oeste apresenta cinco Centros Universitários
com IGC = 2, sendo que dois estão localizados no Distrito
Federal (DF), dois no estado do Mato Grosso (MT) e um em Goiás
(GO).
Na
região Norte os estados do Pará (PA) e Amazonas (AM)
têm, cada um, um Centro Universitário com IGC = 2.
O
que chama a atenção é que dos nove Centros
Universitários com IGC = 2 da região Sudeste, cinco
estão no estado de São Paulo (Centro Universitário
Nossa Senhora do Patrocínio, Centro Universitário
Monte Serrat, Centro Universitário Metropolitano de São
Paulo, Centro Universitário Sant´Anna e Centro Universitário
do Norte Paulista) e quatro no estado do Rio de Janeiro (Centro
Universitário da Cidade, Centro Universitário Metodista
Bennett, Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos e Abeu
- Centro Universitário).
Para
que uma instituição tenha o IGC = 2, o seu Valor Contínuo
deve estar no intervalo de valores entre 95 e 194. Acima de 194
o IGC passa a valer 3 (que foi o conceito predominante entre os
Centros Universitários).
Se
dividirmos o intervalo de IGC = 2 em três faixas de Valores
Contínuos (tal como fizemos com o IGC =4):
• Faixa 1: 95 - 119
• Faixa 2: 120 - 169
• Faixa 3: 170 - 194
Dos
16 avaliados com IGC = 2, 14 estão com Valores Contínuos
na Faixa 3, o que os tornam mais próximos do IGC = 3. Apenas
dois Centros Universitários estão com Valor Contínuo
abaixo de 170, valor que caracteriza plenamente o IGC = 2.
Na
avaliação do INEP/MEC, 102 Centros Universitários
(76,7% das instituições dessa categoria avaliadas)
têm IGC = 3.
Esses
resultados mostram, em uma primeira análise que os Centros
Universitários formam uma categoria de instituição
de ensino superior (IES) que está em fase de consolidação
no país. Isso se comprova, em termos estatísticos,
pois os Centros Universitários, na sua totalidade, não
passam de 10% das instituições de ensino superior
credenciadas pelo MEC. Tais instituições deveriam
se caracterizar por oferecer cursos de graduação de
excelência e ter programas de extensão institucionalizados.
A
legislação não exige que os Centros Universitários
desenvolvam pesquisas e também não são obrigados
a oferecer programas de pós-graduação stricto
sensu (mestrados e doutorados) tal como é exigido para as
Universidades.
A
Resolução CNE/CES 10 de 4 de outubro de 2007, que
dispõe sobre normas e procedimentos para o credenciamento
e o recredenciamento de Centros Universitários exige (em
seu art.3º), entre outros requisitos:
I - mínimo de 20% (vinte por cento) do corpo docente contratado
em regime de tempo integral ou dedicação exclusiva
de trabalho na Instituição;
II - mínimo de 33% (trinta e três por cento) do corpo
docente com titulação acadêmica de mestrado
ou doutorado;
III - mínimo de oito cursos de graduação reconhecidos
e com avaliação positiva pelo Ministério da
Educação;
(...)
V - programa de extensão institucionalizado nos campos do
saber abrangidos por seus cursos de graduação;
VI - programa de iniciação científica ou tecnológica
institucionalizado, cujos projetos devem ser orientados por professores
doutores ou mestres.
(...)
Na
prática, há de se considerar que nem todos os Centros
Universitários atendem a esses requisitos. Isso contribui
para que os conceitos das avaliações, em particular
os novos CPC e IGC, apresentem resultados baixos para essas IES
que não atendem plenamente os requisitos relacionados acima.
De
acordo com os resultados divulgados pelo INEP/MEC, o melhor Centro
Universitário é o Centro Universitário Álvares
Penteado (FECAP), localizado em São Paulo, que tem IGC =
4 e Valor Contínuo = 346. O Centro Universitário com
a pior avaliação foi o Centro Universitário
Planalto do Distrito Federal – Uniplan, localizado no Distrito
Federal, com IGC = 2 e Valor Contínuo = 133.
A
pergunta que se faz é: o que difere o centro universitário
(privado) melhor avaliado pelo IGC daquele centro (também
privado) com a pior avaliação pelo IGC?
Segundo
a pró-reitoria de graduação da FECAP, nas palavras
do professor Edison Simoni, os fatores críticos de sucesso
da Instituição são os seguintes: a) a competência
e a dedicação do corpo docente; b) a determinação
dos alunos em construir uma formação acadêmica
e profissional sólida; c) o foco da equipe de gestão
na atividade fim (ensino, pesquisa e extensão); d) o uso
efetivo de resultados de avaliações internas e externas
na gestão.
Ainda segundo a pró-reitoria de graduação,
a FECAP cumpre sim os requisitos exigidos pela Resolução
CNE/CES 10 de 04/10/2007.
Por outro lado, a direção do Uniplan, embora questionada
sobre o mesmo tema, não se manifestou.
Samuel
José Casarin: Consultor Associado da HUMUS Consultoria
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