As
notícias enfatizam o crescimento econômico de nosso
país: a indústria cresce, o setor sucroalcooleiro
tem perspectivas nunca vistas, mineração e siderurgia
tornam-se altamente lucrativas, o agribusiness tem grandes incrementos.
E assim vemos nosso país crescer, talvez não na
intensidade desejada ou necessária, mas sem dúvida
crescendo. Mas, e a sustentabilidade deste crescimento?
Para
crescer é preciso investir. E não é só
em máquinas, filiais, equipamentos, terras e tecnologia,
pois tudo isto não terá resultados se não
tivermos um corpo de gestores, de verdadeiros líderes
que fazem o “meio de campo” entre as diretrizes
emanadas do topo das organizações e os níveis
de operação. Sem processos, sem delegação,
sem treinamento, sem competências de gestão, os
planos não se realizam, não saem do nível
das intenções.
Ainda
hoje as organizações indicam e promovem pessoas
a cargos de gestão baseados em seus conhecimentos técnicos.
Isto sem contar pessoas que são indicadas por relações
familiares, políticas ou de amizade. E isto vale tanto
em empresas onde o genro ou o cunhado, sendo acionista, quer
ocupar posições de gestão sem ter competência
para tanto; isto vale para multinacionais, onde as boas relações
com os níveis corporativos podem levar a rápidos
progressos de carreira; ou no governo, onde muitas indicações
são feitas mais por motivos políticos que por
competência.
Mas,
afinal, o que significa ser um “gestor competente”?
É
aquele que atinge resultados com pessoas e com inovação.
Cabe
destacar que estas três dimensões são unidas
pela palavra “com”, que dá um sentido de
integração, de parceira, de complementação.
Compare como fica a frase quando usamos:
-
É aquele que atinge resultados através
das pessoas ...
-
É aquele que atinge resultados às
custas das pessoas ...
Atingir
resultados significa ter o senso de finalização,
de assegurar o atingimento de metas, de “não deixar
a peteca cair”, de não ficar se desculpando por
fatores que saíram do controle.
Alguns
indicadores de “resultados”:
-
% de atingimento das metas
-
Retorno do investimento
-
Crescimento das vendas
-
Qualidade dos produtos e serviços
-
Orientação ao cliente
-
Acervo de equipamentos e instalações
-
Eficiência dos processos e dos produtos
-
Imagem da organização frente aos clientes
Estes
indicadores precisam ser ajustados às peculiaridades
de cada organização (por exemplo “crescimento
de vendas” num serviço público de saúde
deve ser entendido como “crescimento do número
de doentes atendidos” ou “melhoras no nível
de saúde da população”).
Alguns
indicadores de “pessoas”, que representam a dimensão
humana no trabalho:
-
Competência e atualização das pessoas
-
Clima de motivação, “garra” e entusiasmo
-
Estilos de liderança abertos e participativos
-
Políticas e procedimentos de Gestão de Pessoas
(RH)
-
Fluxo de comunicações
-
Espírito de equipe
-
Cooperação entre áreas e pessoas (inexistência
de feudos)
-
Fixação e estabilidade do pessoal (baixo turn-over)
-
Relações com sindicatos
-
Relações com comunidade / meio ambiente
Estes
indicadores são universais, e a prática tem mostrado
que o foco e atenção às necessidades das
pessoas elevam a dimensão “resultados”. A
Pesquisa de Clima Organizacional é um excelente meio
de mensuração destes indicadores, e temos constatado
estatisticamente que há uma forte correlação
entre a atuação dos gestores e o clima da organização.
Alguns
indicadores de “inovação”:
-
Atualização tecnológica dos produtos, processos
e equipamentos
-
Novos produtos e serviços oferecidos
-
Inovação nas formas de gerenciamento
-
Agilidade de resposta: ser proativa ao invés de reativa
-
Investimentos em pesquisa e desenvolvimento
-
Flexibilidade e abertura a idéias novas
-
Transformação de idéias novas em realidades
Estes
indicadores também são universais e precisam ser
ajustados às características de cada organização.
A
dimensão resultados é a mais visível, é
a ponta do iceberg. As dimensões pessoas e inovação
são menos visíveis, mas nem por isto menos importantes.
Pelo contrário, são as bases sobre as quais os
resultados se assentam.
Cada
dimensão está associada a um objetivo organizacional.
Assim:
-
Resultados se associa a sobrevivência
- Pessoas
se associa a saúde
- Inovação
se associa a longevidade
Para
sair da visão estreita de promover pessoas a posições
de gestão sem que tenham as competências necessárias,
é fundamental investir em processos de desenvolvimento
gerencial, que sejam estruturados para a realidade específica
de cada organização, que tenham continuidade,
que tenham atividades e projetos a serem realizados no local
de trabalho, que sejam acompanhados pelos níveis mais
altos da estrutura e que levem a recompensas àqueles
que se ajustam mais rapidamente ao perfil desejado.
Só
assim teremos crescimento com sustentabilidade.
Gustavo
G. Boog - Fundador e Diretor do Sistema Boog de Consultoria.
Conduz palestras, workshops e projetos de desenvolvimento das
pessoas, equipes e organizações.