CONSULTORIA

Gestão de Segurança em Instituições de Ensino
Paulo Eduardo Derenne Borges, CES

As Instituições de Ensino tem profunda necessidade de serem enxergadas como locais seguros para crianças e adultos freqüentadores. A percepção de segurança é um dos componentes básicos para que um pai entregue seu filho a uma escola ou um jovem a uma universidade. Por outro lado temos assistido a um incremento da violência nestes que se espera serem santuários. Agressões a estudantes e distorções do processo educacional passaram a ser local comum. Brigas, tráfico de drogas, furtos internos, violência no entorno, tem forçado educadores, profissionais da segurança e membros da comunidade escolar a buscar rápidas soluções para enfrentar as ocorrências e melhorar a percepção da segurança.

Informações básicas e empíricas sobre segurança e o emprego dos modelos tradicionais de segurança baseados em vigilância e repressão (polícia escolar) já não são suficientes para atender às necessidades de segurança das Instituições de Ensino. Técnicas de Gestão de Risco, baseadas no planejamento, análise do custo/benefício e prevenção, amplamente utilizadas em outros ramos de negócio e adaptadas à prática escolar, criando a visão de que segurança em Instituições de Ensino vai além da segurança dos alunos e é também parte da própria manutenção da sua existência, começam a ser empregadas. Exemplos de algumas destas técnicas:
Identificação dos Pontos Críticos: (Análise Situacional)

- Quanto à atratividade: Portarias, caixas automáticos e postos bancários, laboratórios de informática e idiomas, salas de projeção.
- Quanto à incêndio: Arquivos mortos e auditórios com material combustível, laboratórios de química e gastronomia, cozinhas de refeitórios e cantinas, depósitos de gás.
- Quanto a outras ocorrências: Localização, existência de locais isolados e ermos dentro e no entorno, etc.
Identificação dos Perigos: (Causas das Perdas)

- Desvios e Furtos Internos
- Roubo/Assalto
- Fuga de Informação - Brigas e Gang´s
- Incêndio - Responsabilidade Civil
- Violência no Entorno - Estupros
- Tráfico e consumo de drogas - Trotes violêntos
- Vandalismo  

Análise dos Riscos:
Determinação da probabilidade de efetivação dos perigos através de métodos de análise de risco adaptados à área de segurança, alguns deles são:
- Metodologia de Willian T Fine
- Metodologia Mosler
- Metodologia Brasiliano
- Metodologia Estatística

- Impacto Negativo:
Determinação do custo financeiro em caso de concretização do perigo, através de entrevistas com os gestores da IE.

- Matriz de Vulnerabilidade e determinação da Perda Esperada:
É o matriciamento do RISCO (probabilidade) e do Impacto Negativo de cada perigo identificado.
RISCO x IMPACTO = PERDA ESPERADA

- O Plano de Ação – 5W2H

WHAT
WHO
WHEN
WHERE
WHY
HOW
HOW MUCH
O que?
Quem?
Quando?
Onde?
Porque?
Como?
Quanto custa?

Em diversos aspectos as especificidades da segurança escolar divergem dos outros ramos de negócio, o que reforça a idéia de que o profissional de segurança deve se preparar nas áreas de atendimento e gestão de segurança, em um processo contínuo de aprendizagem. Porteiros, vigilantes, líderes e gestores de segurança em Instituições de Ensino são profissionais especializados, que dificilmente são encontrados no mercado disponíveis para contratação, precisam ser selecionados e treinados. A maioria dos profissionais de segurança não está adequadamente preparado para lidar com as complexas questões da violência escolar.

- Como responder a uma ameaça de bomba em uma época de provas?

- Como montar uma estratégia para realizar segurança durante a realização de torneios esportivos entre classes ou instituições?

- Até onde tolerar a comemoração dos alunos calouros e veteranos antes que a situação se transforme em um “trote” violento?

- Como estender a atuação da área de segurança para evitar assaltos no entorno, nos horários de entrada e saída?

- É possível tornar realidade a “tolerância zero” dentro da instituição?

- Como controlar aumentar a segurança no transporte escolar?

- Como abordar alunos e como treinar a vigilância para fazê-lo?

- Os vigilantes podem e devem estar armados ou desarmados?

- Como controlar o acesso ao Campus, impedir o acesso de pessoas indesejadas e poder oferecer informações de acesso aos outros departamentos?

- Em casos de greve em serviços públicos, passeatas, ataques como os do PCC em São Paulo, como decidir entre fechar ou manter a instituição aberta?

Não há receita mágica para responder a estas e outras questões, principalmente porque são influenciadas por variáveis que se modificam conforme as condições do ambiente interno e externo, condições sociais e políticas, alterações de posicionamento mercadológico, dependência do poder público e outros condicionantes. Soluções táticas, que aliam aspectos operacionais e tecnologia aplicada à segurança, de forma integrada, são o meio de encontrar soluções funcionais e efetivas para estas questões. Estas soluções trabalham de acordo com três premissas a serem consideradas:

- Dissuadir: São sistemas que visam desmotivar e dissuadir psicologicamente as agressões;

- Detectar: São sistemas que permitem o monitoramento das situações críticas, a antecipação para evitar a sua concretização e a identificação dos agressores;

- Reagir: São sistemas que permitem a pronta resposta, cuja rapidez será determinada pela sua eficácia e eficiência.

Algumas sugestões táticas que podem aumentar a eficiência da segurança escolar:
- Criação de um Departamento de Segurança e Gestão de Risco que detenha efetivamente o controle de todos os processos que envolvam a segurança da Instituição, considerando as áreas Segurança do Trabalho, Patrimonial e Informação. Esta área deverá estar ligada diretamente à alta administração escolar e respaldada por estes nas suas ações;

- Implantação de Normas e Procedimentos de Segurança formalizadas:

- Normas e Procedimentos da Portaria e de Acesso;

- Normas e Procedimentos de Estacionamento;

- Plano de Contingência de Incêndio e Abandono;

- Normas e Procedimentos para Exposição e Descarte de Documentos;

- Normas e Procedimentos de Acesso e Utilização da Rede de Dados;

- Implantação de um Controle de Chaves centralizando a distribuição das chaves e criando normas de empréstimo, com registros de empréstimos e devolução.

- Terceirização de Arquivos de Documentos Antigos.

- Criação de uma Central de Segurança integrando as centrais de alarmes e CTFV (Circuito Fechado de Televisão).

- Desenvolvimento de Campanhas de Endomarketing de Segurança: Trabalho de conscientização interna, através do desenvolvimento de folhetos, cartazes, palestras periódicas e constantes, informando aos freqüentadores as melhores práticas e as principais normas e procedimentos de segurança;

- Implantação de Ambulatório Médico.
Os Gestores de Segurança devem voltar sua atenção para o ambiente externo, acompanhar as tendências e analisar a situação atual e futura para tentar se antecipar às condições que virão. Também não podem prescindir de fazer e manter contatos e freqüentar as reuniões com os órgãos de segurança pública, entidades de classe, grupos de apoio à segurança escolar, associações de gestores de segurança, CONSEGs (Conselhos de Segurança Comunitária) de bairro e outros.
Manter uma boa rede de relacionamento é importante para acompanhar os acontecimentos, trocar experiências e para ter a quem recorrer em casos extremos.


Paulo Eduardo Derenne Borges, CES – Formado em Administração de Empresas (PUC/SP), Microsoft Certified Professional (MCP), Certificado Especialista de Segurança (ABSO), MBS em Gestão de Segurança e Cursando MBA em Gestão de Segurança (FECAP/SP), 1º. Secretário do GIASES (Grupo Integrado de Apoio à Segurança em Instituições de Ensino Superior Privado), Gerente de Segurança e Gestão de Riscos da FECAP – Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado.
 
PRÊMIO PNGE 2009
OPERADORA OFICIAL DE TURISMO
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