As
Instituições de Ensino tem profunda necessidade
de serem enxergadas como locais seguros para crianças
e adultos freqüentadores. A percepção de
segurança é um dos componentes básicos
para que um pai entregue seu filho a uma escola ou um jovem
a uma universidade. Por outro lado temos assistido a um incremento
da violência nestes que se espera serem santuários.
Agressões a estudantes e distorções do
processo educacional passaram a ser local comum. Brigas, tráfico
de drogas, furtos internos, violência no entorno, tem
forçado educadores, profissionais da segurança
e membros da comunidade escolar a buscar rápidas soluções
para enfrentar as ocorrências e melhorar a percepção
da segurança.
Informações
básicas e empíricas sobre segurança e o
emprego dos modelos tradicionais de segurança baseados
em vigilância e repressão (polícia escolar)
já não são suficientes para atender às
necessidades de segurança das Instituições
de Ensino. Técnicas de Gestão de Risco, baseadas
no planejamento, análise do custo/benefício e
prevenção, amplamente utilizadas em outros ramos
de negócio e adaptadas à prática escolar,
criando a visão de que segurança em Instituições
de Ensino vai além da segurança dos alunos e é
também parte da própria manutenção
da sua existência, começam a ser empregadas. Exemplos
de algumas destas técnicas:
Identificação dos Pontos Críticos: (Análise
Situacional)
-
Quanto à atratividade: Portarias, caixas automáticos
e postos bancários, laboratórios de informática
e idiomas, salas de projeção.
- Quanto à incêndio: Arquivos mortos e auditórios
com material combustível, laboratórios de química
e gastronomia, cozinhas de refeitórios e cantinas, depósitos
de gás.
- Quanto a outras ocorrências: Localização,
existência de locais isolados e ermos dentro e no entorno,
etc.
Identificação dos Perigos: (Causas das Perdas)
-
Desvios e Furtos Internos
|
-
Roubo/Assalto |
| -
Fuga de Informação |
-
Brigas e Gang´s |
| -
Incêndio |
-
Responsabilidade Civil |
| -
Violência no Entorno |
-
Estupros |
| -
Tráfico e consumo de drogas |
-
Trotes violêntos |
| -
Vandalismo |
|
Análise
dos Riscos:
Determinação da probabilidade de efetivação
dos perigos através de métodos de análise
de risco adaptados à área de segurança,
alguns deles são:
- Metodologia de Willian T Fine
- Metodologia Mosler
- Metodologia Brasiliano
- Metodologia Estatística
-
Impacto Negativo:
Determinação do custo financeiro em caso de concretização
do perigo, através de entrevistas com os gestores da
IE.
-
Matriz de Vulnerabilidade e determinação da Perda
Esperada:
É o matriciamento do RISCO (probabilidade) e do Impacto
Negativo de cada perigo identificado.
RISCO x IMPACTO = PERDA ESPERADA

-
O Plano de Ação – 5W2H
| WHAT |
WHO |
WHEN |
WHERE |
WHY |
HOW |
HOW
MUCH |
| O
que? |
Quem?
|
Quando? |
Onde? |
Porque? |
Como? |
Quanto
custa? |
Em
diversos aspectos as especificidades da segurança escolar
divergem dos outros ramos de negócio, o que reforça
a idéia de que o profissional de segurança deve
se preparar nas áreas de atendimento e gestão
de segurança, em um processo contínuo de aprendizagem.
Porteiros, vigilantes, líderes e gestores de segurança
em Instituições de Ensino são profissionais
especializados, que dificilmente são encontrados no mercado
disponíveis para contratação, precisam
ser selecionados e treinados. A maioria dos profissionais de
segurança não está adequadamente preparado
para lidar com as complexas questões da violência
escolar.
-
Como responder a uma ameaça de bomba em uma época
de provas?
-
Como montar uma estratégia para realizar segurança
durante a realização de torneios esportivos entre
classes ou instituições?
-
Até onde tolerar a comemoração dos alunos
calouros e veteranos antes que a situação se transforme
em um “trote” violento?
-
Como estender a atuação da área de segurança
para evitar assaltos no entorno, nos horários de entrada
e saída?
-
É possível tornar realidade a “tolerância
zero” dentro da instituição?
-
Como controlar aumentar a segurança no transporte escolar?
-
Como abordar alunos e como treinar a vigilância para fazê-lo?
-
Os vigilantes podem e devem estar armados ou desarmados?
-
Como controlar o acesso ao Campus, impedir o acesso de pessoas
indesejadas e poder oferecer informações de acesso
aos outros departamentos?
-
Em casos de greve em serviços públicos, passeatas,
ataques como os do PCC em São Paulo, como decidir entre
fechar ou manter a instituição aberta?
Não
há receita mágica para responder a estas e outras
questões, principalmente porque são influenciadas
por variáveis que se modificam conforme as condições
do ambiente interno e externo, condições sociais
e políticas, alterações de posicionamento
mercadológico, dependência do poder público
e outros condicionantes. Soluções táticas,
que aliam aspectos operacionais e tecnologia aplicada à
segurança, de forma integrada, são o meio de encontrar
soluções funcionais e efetivas para estas questões.
Estas soluções trabalham de acordo com três
premissas a serem consideradas:
-
Dissuadir: São sistemas que visam desmotivar e dissuadir
psicologicamente as agressões;
-
Detectar: São sistemas que permitem o monitoramento das
situações críticas, a antecipação
para evitar a sua concretização e a identificação
dos agressores;
-
Reagir: São sistemas que permitem a pronta resposta,
cuja rapidez será determinada pela sua eficácia
e eficiência.
Algumas
sugestões táticas que podem aumentar a eficiência
da segurança escolar:
- Criação de um Departamento de Segurança
e Gestão de Risco que detenha efetivamente o controle
de todos os processos que envolvam a segurança da Instituição,
considerando as áreas Segurança do Trabalho, Patrimonial
e Informação. Esta área deverá estar
ligada diretamente à alta administração
escolar e respaldada por estes nas suas ações;
-
Implantação de Normas e Procedimentos de Segurança
formalizadas:
-
Normas e Procedimentos da Portaria e de Acesso;
-
Normas e Procedimentos de Estacionamento;
-
Plano de Contingência de Incêndio e Abandono;
-
Normas e Procedimentos para Exposição e Descarte
de Documentos;
-
Normas e Procedimentos de Acesso e Utilização
da Rede de Dados;
-
Implantação de um Controle de Chaves centralizando
a distribuição das chaves e criando normas de
empréstimo, com registros de empréstimos e devolução.
-
Terceirização de Arquivos de Documentos Antigos.
-
Criação de uma Central de Segurança integrando
as centrais de alarmes e CTFV (Circuito Fechado de Televisão).
-
Desenvolvimento de Campanhas de Endomarketing de Segurança:
Trabalho de conscientização interna, através
do desenvolvimento de folhetos, cartazes, palestras periódicas
e constantes, informando aos freqüentadores as melhores
práticas e as principais normas e procedimentos de segurança;
- Implantação de Ambulatório Médico.
Os
Gestores de Segurança devem voltar sua atenção
para o ambiente externo, acompanhar as tendências e analisar
a situação atual e futura para tentar se antecipar
às condições que virão. Também
não podem prescindir de fazer e manter contatos e freqüentar
as reuniões com os órgãos de segurança
pública, entidades de classe, grupos de apoio à
segurança escolar, associações de gestores
de segurança, CONSEGs (Conselhos de Segurança
Comunitária) de bairro e outros.
Manter uma boa rede de relacionamento é importante para
acompanhar os acontecimentos, trocar experiências e para
ter a quem recorrer em casos extremos.
Paulo
Eduardo Derenne Borges, CES – Formado em Administração
de Empresas (PUC/SP), Microsoft Certified Professional (MCP),
Certificado Especialista de Segurança (ABSO), MBS em Gestão
de Segurança e Cursando MBA em Gestão de Segurança
(FECAP/SP), 1º. Secretário do GIASES (Grupo Integrado
de Apoio à Segurança em Instituições
de Ensino Superior Privado), Gerente de Segurança e Gestão
de Riscos da FECAP – Fundação Escola de Comércio
Álvares Penteado.