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Educação e Informação

ChatGPT: Reflexões do fenômeno que impacta o imaginário do setor educacional

Atualizado: 10 de mar. de 2023

Nos últimos meses temos recebido informações sobre um novo fenômeno tecnológico que impactoutodas as indústrias, e porque não, pessoas comunsem suas atividades de dia a dia. Falo do ChatGPT, lançado no dia 30 novembro de 2022 pela OpenAI, e que após 5 dias já tinha alcançado a incrível marca de 1 milhão de usuários[1] (recorde absoluto no mercado – o melhor resultado até então era do Instagram que atingiu esta marca com 2anos e meio!). O ChatGPT é uma Inteligência Artificial (IA) Generativa que tem estimulado a criatividade de usuários em sua aplicação, e aflorado sentimentos de todos os tipos nas indústrias e uso pessoal. Empresas vem discutindo o valor agregado do uso em seu negócio, profissionais refletem desde o potencial de substituição de suas própriasatividades até a forma como podem usar em seu benefício, e fora do âmbito profissional, pessoas comuns iniciamas interações e começam a perceber que tem uma nova fontede pesquisa e geração de conteúdo para aplicações diversas.

É fato que esta nova tecnologia tem um potencial significativo de transformação, e neste artigo o objetivoprincipal é dar clareza sobre as características da inteligência artificial generativa e refletirsobre os impactos, em especial no mercado de educação. Em tempo, o artigonão foi escrito pelo ChatGPT,porém, o uso da tecnologia foi essencial para gerar os insights e orientações necessários para as abordagens a seguir. Vamos entender melhoreste fenômeno! Inteligência ArtificialGenerativa: qual a diferença de tudo que já utilizamos? Para evoluirmos as reflexões é importante entendermos o que significaeste novo modelode inteligência artificial e o que a difere das demais que já estamos acostumados a interagir em nosso dia a dia.

Inteligência Artificial Generativa se concentra em criar conteúdo autônomoao invés de repetir ou organizar informações existentes à partir de estimulos, como por exemplo, solicitação via chat. Dentre os conteúdos gerados podemos destacar textos: resumos, artigos, teses, poemas, letras de músicas, etc. Outras tecnologias similaresao ChatGPT tambémgeram outros tipos de conteúdocomo imagens, design de produtos,vídeos. Sua inteligência é baseada em um método ou técnicachamado de Máquina de Aprendizagem (Machine Learning), criado em 1959 por Artur Samuel que o definecomo um campo de estudo que da a computadores a capacidade de aprender sem ser programado de forma explícita[2], ou seja, aprendercontinuamente a partirde dados amostrais a partir de dados amostrais[3].

Mas afinal de contas, qual a diferença de uma IA Generativa de tecnologias que já utilizamos como o mecanismo de busca da Google, e assistentes com Alexa, da Amazon? As tecnologias de busca e assistentes também são baseadas em respostas geradas por Máquinas de Aprendizagem, porém, ao invés de criarem conteúdos, elas respondem perguntase realizam tarefasbaseadas em informações já existentes, como por exemplo, responder uma pergunta com links e materiais sobre determinado assunto, tocar uma música existente, criar um lembrete, dentre outras funções com respostas dentro uma ação já pré-estabelecida. Enquanto a inteligência artificial generativa está se tornando cada vez mais avançada e capaz de criar conteúdocomplexo, os mecanismos de pesquisa e


assistentes virtuais continuam a se concentrar na entrega de informações precisas e úteis para os usuários.Ambas as tecnologias têm seu papel a desempenhar na indústria da inteligência artificial e, juntas, ajudama melhorar nossa capacidade de aprender, criar e inovar[4].

Hoje temos a oportunidade de presenciar um novo modelode interação via chat por meio do Chat GPT, ressignificando nossas expectativas e entendimento do poder computacional na compreensão de nossas necessidades e na capacidade de proferir respostas, em sua grande maioria das vezes, com alta precisão. Além das experiências com chat a Open AI[5], criadora do ChatGPT, também lançou em simultâneo outra tecnologia que, ao invés de interagir e prover respostas em texto, cria imagenscom qualquer cenáriodescrito pelos usuários, chamada de DALL-E[6].

As novidades publicadas pela OpenAIimpactaram o imaginário do setor educacional, e como consequência trouxe a tona sentimentos de êxtase e insegurança derivados da pluralidade de aplicações possíveis. Em contatos mais próximos ouvi com alguma frequência questionamentos do tipo: É o fim dos professores? Adeus à educaçãoque conhecemos?

Reinvenção do processo educacional, da escola e dos professores?

Como podemoslidar com os sentimentos e explorar este fenômeno como uma oportunidade de crescimento? Como podemos nos beneficiar deste fenômeno? No livro "Humans + Machine: Reimagining Work in the Age of AI" (2018)[7], os autores Paul Daughtert e H. James Wilson explorama Teoria do Meio Campo Ausente, que se refereàs atividades híbridas entre humanos e a máquina. O ponto da teoria que mais me despertou atenção foi a possibilidade dos humanos alcançarem “superpoderes” por meio de interações que explorem o potencial de uso de máquinas baseadoem sua necessidades, encarando a IA com aliada, e utilizando o lado humanopara direcionar o potencial tecnológico em prol de necessidades das empresas ou de suas atribuições. Hoje reflito em cada interaçãocom amigos e colegas da área educacional, sobre os sentimentos despertados à partir do início do uso do ChatGPT e todas as informações que são consumidas por eles desde então. Uns entendemque o recurso pode comprometer sua continuidade profissional, outros aguardam um pouco mais sobre as possibilidades de aplicação no setor, e temos o grupo de otimistas que já fazem uso e tentam inseri-lo em sua rotina contribuindo com a automação de suas funções.

Todos os sentimentos são válidos e temos que compreender o momento e capacidade de absorção de cada um, mas independente da forma de recebermos a noticia e o impacto deste tipo de tecnologia, a única premissa válidaé que não haverá retrocesso do mercado em seu uso – inclusive o educacional, muitopelo contrário, o uso será cada dia mais continuo,a depender da velocidade de entendimento das formas de aplicação. Na educação a aplicação certamente se dará no processo de gestão, comunicação e aprendizagem, tantopor parte do corpo acadêmico e administrativo, quantopor parte de alunos – estes com maior potencial de uso.

Tive a oportunidade de ler inúmeraspublicações de uso do ChatGPTpor profissionais acadêmicos e percebi diversas formas de aplicação, dentre as quais posso destacar a geração de artigos, teses, resumos, elaboração de textos com assuntos específicos (inclusive com geração de questões avaliativas e repostas). Uma gama de possibilidades que pode potencializar o papel docentepara ter maior foco em estratégias de aprendizagem e acompanhamento dos alunos e menos em buscar/produzir conteúdo, ou focar em ações administrativas. Formas de aplicação em nível nacionale internacional demonstram um potencial para melhorar a forma como planejamos, ensinamos e avaliamos a aprendizagem dos alunos. A tecnologia nos oportuniza a geração de conteúdos que precisamos em cada etapado processo de ensino-aprendizagem, porém,não nos impõeem nenhum


momento verdadesabsolutas. Ter uma tecnologia de geração não significa dizer que o conhecimento acadêmico deve ser colocado de lado em prol dos insights e respostas, muito pelo contrário, este deve ser utilizado para criticar as respostas antes do uso, encurtar caminhos, gerar novas condições de repensar os processos, aliviarda rotina do dia a dia as atribuições repetitivas e que consomemum período considerável, a fim de termos tempo e energia para dar ao aluno uma educação de qualidade, com conteúdos relevantes e atuais, e avaliações e estratégias pedagógicas que explorem e desenvolvam o seu potencial.

A utilização do ChatGPT (ou de outras tecnologias generativas) oportuniza a reflexão na forma de atuar, mas nunca no papel do educador. Permite potencializar o foco no alunoe reduzir esforço em atribuições repetitivas e burocráticas. Oportuniza desempenhar com maior efetividade estratégias que resultemem uma aprendizagem mais significativa, prática, resolutiva e com mensuração adequada do processo ensino aprendizagem. Oportuniza refletir as tarefas atuais, buscando apoio tecnológico para suprir tudo aquilo que é repetitivo – de forma parcial ou integral. E explorar atuaçãomais prática no processo educacional utilizando nossa capacidade humana – intocável, irreplicável e única – como criatividade, empatia,interação social, observação do comportamento e direcionamento.


O sentimento de aflição e risco de substituição não pode, e não deve, ser maior que a clara oportunidade de concentrar esforços no ato de educar e compreender a forma com que cada aluno precisa de apoio para se desenvolver. É certo que a rotina administrativa sofrerá um impacto considerável da tecnologia, mas o papel do educador nunca será sobreproposto por nenhum método,por mais avançado que seja.


Que a Teoria do Meio Campo Ausente[7] possa trazer reflexõese educadores possamexplorar a tecnologia a fim de adquirir maior capacidade resolutiva, “superpoderes”, e que cada um, em sua função, explore esta oportunidade ímpar e seja mais efetivo no processo de aprendizagem e menos destinado a tudo aquilo que não contribui diretamente para a evolução e desenvolvimento dos nossos alunos. Só quem ganha no processo é a educação...




Referências Bibliográficas:


[2] Samuel, Arthur L. “SomeStudies in MachineLearning Using the Game of Checkers”. IBM Journal of Research and Development. – 1959

[3] Learning from Data: Concepts,Theory, and Methods– Vladimir Cherkassky, Filip M. Mulier– 2007

[4] https://chat.openai.com/chat

[5] https://openai.com/

[6] https://openai.com/dall-e-2/

[7] Daugherty, Wilson.“Humans + Machines:Reimagine the work in the age of AI”. HarvardBusiness Review Press, 2018


Rodrigo Estevam, CEO da empresa Lexp, que estará com um Stand no GEduc 2023




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