Disrupção na Educação: um trabalho de todos nós

Disrupção na Educação: um trabalho de todos nós

Talvez esse seja um dos termos mais em moda nos dias de hoje. Disrupção virou sinônimo de modernidade. Ser disruptivo é ser criativo, inovador, é reinventar processos e modelos consagrados, agregando novos valores e significados ao cotidiano e à vida das pessoas. Mas, e quando esse conceito é aplicado à Educação? O que será que ele significa? A que destinos a disrupção na Educação e nas escolas pode nos levar? E por quais caminhos?

Essas são perguntas que norteiam o trabalho da Mind Lab desde os tempos em que o termo disrupção ainda nem era usado com esse sentido que hoje alcançou. Já na sua fundação, em 1994, a Mind Lab buscava desenvolver nos alunos as habilidades que, mais tarde, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) transformaria em objetivos para a educação do século XXI: aprender a aprender, a fazer, a conviver e a ser. Em outras palavras, os jogos de raciocínio eram aplicados com o objetivo de elevar a autonomia do aluno na busca do conhecimento, por meio do desenvolvimento de suas habilidades sociais, éticas, cognitivas e emocionais. Queríamos formar seres humanos completos, integrais e íntegros, com capacidade de atuar em equipe, de se relacionar, de tomar decisões, de administrar recursos prevendo e mensurando as consequências de suas decisões. Não era pouca coisa, num cenário em que a imensa maioria das escolas continuava a trabalhar no modelo de transmissão vertical do conhecimento. Implicava em questionar várias crenças estabelecidas sobre construção de autoridade, disciplina, papéis na escola e posse do saber. Era disruptivo, embora, na época, a Mind Lab não usasse essa palavra para classificar a metodologia. Eu me juntei à Mind Lab a partir de sua chegada ao Brasil, em 2006. Em minha trajetória como educadora e pedagoga, eu já havia passado, então, por todas as etapas da Educação. Comecei como professora dos pequeninos no Infantil, depois lecionei no Ensino Fundamental, fui coordenadora pedagógica, diretora... Em todas as funções que desempenhei, eu sempre me interessei pelo desenvolvimento dos dois maiores protagonistas do processo de ensino e de aprendizagem: o professor e o aluno. Porque sem o sucesso de um, não há êxito do outro; quando um falha, o outro sofre. Essa foi uma das minhas primeiras contribuições como Diretora Pedagógica da Mind Lab. Acrescentamos, àqueles programas tão exitosos com o foco nos alunos, o olhar para o professor. Como formá-lo para que ele pudesse assumir o seu novo papel na educação? Para que ele passasse a trabalhar dentro de um novo modelo em que deixava de ser o detentor único dos saberes? Como convencê-lo de que descer do pedestal do conhecimento era a melhor coisa que ele poderia fazer? Precisávamos ressignificar a função docente para que o professor passasse a ser um mediador, facilitador da construção do conhecimento, ao mesmo tempo guiando e estabelecendo uma parceira com seu aprendiz. Nasceu assim o Programa MenteInovadora, baseado no tripé dos jogos de raciocínio, dos métodos metacognitivos e dos professores mediadores. Os números, hoje, falam por si mesmos sobre o alcance e o sucesso do MenteInovadora: implantado em 21 países, em mais de 1000 escolas, ele já formou 4 milhões de alunos e 15 mil professores mediadores. Os benefícios, como um aumento médio de 10% no rendimento em disciplinas tradicionais como Língua Portuguesa e Matemática, foram mensurados por mais de 14 estudos conduzidos por renomadas instituições, como as Universidades de Yale (EUA), Northumbia (Reino Unido) e Istambul (Turquia), e pelos institutos Iprase (Itália) e Inade (Brasil). O investimento na formação contínua dos professores não para de render frutos, como provam os inúmeros trabalhos de altíssima qualidade que disputaram as duas edições que realizamos do Concurso Práticas Exitosas, em 2018 e 2019, e agora com o Inspira Mind Lab, em 2020. A disrupção é um processo contínuo, e bastante amplo, sem dúvida. Envolve muitas transformações, do espaço físico das escolas às ferramentas tecnológicas disponíveis aos professores, sem mencionar a necessária reestruturação do currículo. Nada disso, porém, dará plenos resultados se não tivermos um foco muito bem estabelecido na transformação dos modelos dessa relação entre professor e aluno. A disrupção precisa trazer protagonismo, tanto a quem aprende, quanto a quem ensina, para que dessa nova relação surja o conhecimento significativo, construído em colaboração, por meio de currículos flexíveis e integrados. Um conhecimento onde o saber não mais se aprisiona, estanque, em uma disciplina, mas se integra a outros saberes em torno de diferentes áreas, todos relacionados a temas geradores que tenham ligações com a vida real, com o mundo que habitamos e que transformamos diariamente com nossas atitudes. É um trabalho árduo, mas necessário. E que é de todos os atores envolvidos na Educação. Juntos, gestores, coordenadores, professores, alunos e suas famílias serão capazes de transformar a Educação que o futuro exige. Sandra Garcia é Diretora Pedagógica e de soluções pedagógicas da Mind Lab do Brasil e será presidente de sessão no XVIII Congresso Nacional de Gestão Educacional, durante o Geduc 2020, que será realizado nos dias 27 a 29 de julho de 2020, no Hotel Maksoud Plaza – São Paulo/SP.

 
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