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Educação e Informação

Mindset: a mudança necessária para a inovação acadêmica

Para haver evolução no modelo educacional, primeiro é preciso alterar a mentalidade das pessoas





Muito difundido em palestras motivacionais e empresariais nos últimos tempos, o termo “mindset” tem como significado “mentalidade”, ou seja, uma determinada maneira de pensar. Em tradução livre para o português, as palavras “mind” e “set” são compreendidas como “mente” e “configuração”, o que também reforça o seu sentido.

 

A professora Camila Brasil Gonçalves Campos, doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pró-reitora de Inovação na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, conta que a palavra tem sido utilizada em diferentes contextos. Porém, entre suas definições, ela nada mais é do que uma forma de pensar o mundo, que pode ser modificada de acordo com as necessidades.

 

Quando o assunto é inovação acadêmica, é necessário falar sobre uma alteração na ordem vigente da educação tradicional. Para que isso aconteça, a sociedade precisa alterar sua forma de pensar — seu “mindset” — e se adaptar a novos métodos.

 

Por que pensar em inovação acadêmica?

 

Para entender o motivo das mudanças no meio acadêmico, é preciso rever a ideia de “modelo tradicional”. Isso porque a organização da educação formal é construída de acordo com as expectativas culturais e sociais de determinada época e local. “A escola sempre serve à sociedade”, afirma Camila.

 

O modelo “tradicional” de educação consiste em uma classe com trinta ou mais alunos, um único professor, cadeiras enfileiradas e aulas expositivas. Esse padrão foi criado durante a Primeira Revolução Industrial, pensando no tipo de mão de obra que se precisava naquele momento. “Todo mundo teria o mesmo conhecimento e todos atuariam mais ou menos da mesma forma, visando à produção em massa”, explica a professora. Eficiência e produtividade são duas palavras-chave desse método.

 

Ela diz que, naquele momento, a escola não foi pensada segundo uma lógica pedagógica. “Claro que havia alguma preocupação, mas ela não foi prioritariamente organizada tendo em vista a aprendizagem do aluno. Ela foi estruturada considerando uma lógica administrativa. Não se falava em aprendizagem individual, até porque esses estudos foram posteriormente construídos.”

 

Porém, com as novas demandas da sociedade, esse modelo passou a apresentar alguns problemas. “Todo mundo já ouviu falar que a criança, quando vai para a escola, deixa de ser curiosa e criativa. Porque a escola tradicional, dado todo esse contexto da sociedade industrial, realmente quer homogeneizar o conhecimento. E a nova sociedade tem outros requisitos para a formação dos cidadãos. E isso, é claro, começa a dar conflito”, aponta. É a partir desse ponto que a inovação na educação se faz necessária.

 

O que o mindset tem a ver com isso? 

 

Camila comenta que as mudanças na educação, muitas vezes, não são compreendidas por uma parcela da população que considera que haverá uma simplificação no ensino. “Quando a gente fala de inovação na escola ou no ensino superior, observamos uma corrente defendendo a educação dita como ‘tradicional’. Ela é reconhecida como séria, porque vem de um tempo anterior, possui uma tradição e funcionou por muito tempo para os objetivos propostos.”

 

Segundo ela, esse tipo de pensamento impede um debate mais amplo e profundo sobre o tema e mantém a ordem vigente. “O problema de ter esse mindset para o novo tem por trás essa resistência e o fato de se achar que algo “novo” é menos sério. E de forma alguma é isso — inovar na educação pode ser começar a ler livros inteiros na faculdade, por exemplo, ou ter uma discussão baseada numa bibliografia lida autonomamente. Quando se fala em inovação, não necessariamente se fala sobre metodologias ultrainovadoras ou tecnológicas do ponto de vista exclusivo da novidade”.

 

Camila afirma que inovação e modernidade são coisas completamente diferentes. “A inovação está no olhar diferente para um problema. Então existe um jeito tradicional de resolvê-lo, que é como todo mundo resolveria. Mas aí você olha para aquele problema e o soluciona de um jeito diferente, que pode usar tecnologia ou não. Existem inovações que são até mesmo mais simples do que era feito anteriormente.”

 

O processo da mudança de mindset

 

Para alterar o pensamento das pessoas e permitir que a inovação acadêmica aconteça, é preciso ter paciência nas explicações e cuidado com os métodos. Em um primeiro momento, a especialista diz que é preciso estabelecer que tipo de cidadão a nova sociedade demanda. Um indivíduo que pensa no meio ambiente, preocupa-se com as questões sociais e sabe trabalhar em equipe, por exemplo.

 

Os relatórios do Fórum Econômico Mundial reúnem algumas habilidades consideradas essenciais para o mercado de trabalho até 2030. Pensamento analítico, capacidade de resolução de problemas, senso crítico, liderança, agilidade com tecnologias, raciocínio lógico e inteligência emocional são exemplos de competências citadas pela organização. Isso não excluí a necessidade de conhecimentos sólidos nas áreas de linguagens, humanas, exatas e biológicas.

 

Entendendo esse contexto, o mindset da população pode se tornar menos resistente à discussão de inovação na educação, e será finalmente possível pensar sobre os métodos para a mudança, sejam metodologias ativas, aulas interativas, protagonismo do aluno ou valorização da leitura e discussão. “Para mudar o mindset, precisamos tratar o assunto com mais seriedade e entender bem os motivos pelos quais precisamos da inovação”, conclui Camila.

 



A professora Camila Brasil Gonçalves Campos, doutora em Educação, falará sobre o tema “Mindset: a mudança necessária para a inovação acadêmica” no GEduc 2024. 



 

O GEduc é o maior Congresso de Gestão Educacional do país. Realizado pela HUMUS, empresa que desenvolve capacitações para gestores de universidades e escolas, o evento reunirá mais de 80 palestrantes e conteúdos inovadores para discutir o tema “Educação por essência: construindo trajetórias”. Serão três dias – de 03 a 05/04 – de imersão às novidades e tendências da área educacional. As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo link.




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