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Educação e Informação

PNGE - ganhadores do ensino básico e na modalidade “Responsabilidade Social"

Durante a edição de 2023 do GEduc, foi realizada a entrega dos prêmios do PNGE, que contou com a presença de ilustres instituições de ensino. Confira a seguir um pouco mais sobre os ganhadores do ensino básico e seus respectivos trabalhos na modalidade “Responsabilidade Social”.



 



O grande vencedor do dia, na categoria Responsabilidade Social foi o Centro Universitário IESB, com o projeto “Projeto i.prótese IESB”, confira o case completo:


1. PRÁTICA EFICAZ DE GESTÃO EDUCACIONAL 1.1. Histórico da Prática Eficaz – descrever como surgiu o programa/prática e indicar a data de início das ações. O Centro Universitário IESB tem como Missão: “Desenvolver, ao máximo possível, as potencialidades dos seus alunos para que se transformem em profissionais competentes e cidadãos responsáveis, capazes de se tornarem agentes de mudança da sociedade e da profissão em que atuarão no futuro.” Nessa perspectiva, no ano de 2019 o IESB inaugurou o Laboratório FABLAB, aonde dentre várias tecnologias são utilizados softwares e metodologia BIM (Building Information Modeling), visando proporcionar aos discentes e docentes acessos a ferramentas para a geração e gestão de representações digitais das características físicas e funcionais de construções. O curso de arquitetura e urbanismo do IESB privilegia debates para a formação de profissionais sensíveis à acessibilidade. Um dos temas presentes nas atividades de ensino, pesquisa e extensão é a questão do planejamento de edificações residenciais, comerciais, escolas, espaços públicos dentre outros, acessíveis a pessoas com deficiência. Assim, no ano de 2019, uma equipe formada por docentes e discentes do IESB realizou pesquisas no laboratório FABLAB com o objetivo de buscar maneiras para contribuir com a inclusão de pessoas com deficiência na sociedade. No mesmo ano a equipe tomou conhecimento da iniciativa e-Nable, uma rede global de voluntários dedicados a desenhar, imprimir, montar e distribuir próteses feitas em impressoras 3D para crianças e adultos com deficiência. Coerente com a missão do IESB, sua filosofia de aliar teoria e prática, e sua preocupação de formar cidadãos e os conhecimentos adquiridos com a iniciativa eNable, o projeto i.prótese IESB foi planejado e suas atividades foram iniciadas em 2020, com o objetivo de beneficiar crianças e adultos com ausência total ou parcial de membros superiores. Dessa forma, a partir daquele ano, utilizando a tecnologia BIM e as impressoras 3D, discentes, docentes e colaboradores do IESB realizaram estudos comprovando a capacidade de produção de próteses no Laboratório FABLAB. Em 2021, o Projeto i.prótese buscou pessoas com agenesia de membros superiores que necessitavam de próteses. Assim, o projeto foi divulgado em mídias sociais e firmou parceria com a Associação Lelê que visa transformar a realidade de pessoas portadoras de agenesia. Ainda em 2021 o projeto i.prótese IESB fez sua primeira entrega: 2 próteses para uma menina de 4 anos que não possuía as 2 mãos. Esta criança foi acometida de uma infecção crônica aos 2 anos de idade, aonde a decisão médica de amputação foi para mantê-la viva. Inicialmente a família fez uma campanha de doação e conseguiu 20 mil reais para comprar uma prótese comercial. Infelizmente a prótese foi utilizada por menos de 6 meses, pois a criança cresceu, impossibilitando a continuidade do uso. As próteses do projeto i.prótese IESB são de baixo custo (o valor varia entre R$90,00 a R$130,00) e são doadas aos pacientes. O modelo utilizado no projeto é em 3D o que permite ajustes futuros, tornado as próteses viáveis financeiramente e acessíveis para crianças em fase de crescimento. Ainda no ano de 2021, o projeto recebeu contatos de outras famílias interessadas e, em 2022 foram realizadas outras doações. As próteses são personalizadas em cores e desenhos da preferência do usuário. O foco continua sendo crianças, mas há atendimento para adultos que procuram o projeto i.prótese. Em 2022, as próteses de 2 meninos chamaram a atenção pelo lado inspirador de sonhos. Um deles, fã do Capitão América, teve sua prótese personalizada com base no seu super herói favorito. A segunda criança, fã do Ciborgue, também teve a personalização para permitir maior adaptação psicológica à prótese. 1.2 Objetivos da Prática Eficaz. Objetivo Geral: Sensibilizar o estudante para a busca de soluções de problemas relacionados à acessibilidade, visando despertar habilidades que os diferencie como seres humanos e profissionais na sociedade. Objetivos específicos: ● Contribuir para a inclusão dos receptores das próteses na sociedade. ● Beneficiar cidadãos com ausência total ou parcial de membros superiores, proporcionando aos discentes formação em projetos inclusivos. ● Estimular pesquisas nas mais diversas áreas do conhecimento para alunos do IESB. ● Instigar os alunos na busca de soluções que atendam da melhor forma a realidade de cada necessidade de prótese. ● Despertar nos estudantes o pensamento crítico e criativo. 1.3 Público Alvo Atingido – indicar se incluem clientes, fornecedores, funcionários, docentes, terceirizados, comunidade etc. O projeto i.prótese envolve docentes e discentes dos cursos de: arquitetura, design de interiores, design de moda, design gráfico e do curso de direito do IESB. Estão envolvidos também colaboradores do IESB que dão suporte na área de tecnologia e do departamento de marketing promovendo a divulgação do projeto. Os profissionais da Associação Lelê, parceira do projeto também estão diretamente envolvidos. São médicos, fisioterapeutas e psicólogos. Esses profissionais encaminham candidatos para o projeto i.prótese, bem como realizam o acompanhamento e reabilitação após a entrega das próteses. O projeto i.prótese conta ainda com a parceria do Laboratório de Fabricação Digital e Customização em massa (LFDC) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU/UnB). A parceria consiste na troca de experiências, estudos de caso e encaminhamentos de candidatos para receber as próteses. O público que recebe as próteses são pessoas com ausência total ou parcial de membros superiores. O projeto i.prótese até dezembro de 2022 beneficiou quatro crianças e um adulto, sendo que uma das crianças recebeu próteses para as duas mãos. Há mais duas próteses em processo de construção que serão entregues no ano de 2023, beneficiando mais duas crianças. A coordenação do projeto i.prótese é realizada pela Pela Professora Larissa Cayres, coordenadora dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e de Design de Interiores. 1.4 Descrição das Atividades Implantadas. No ano de 2021, após a certeza de que o FABLAB do IESB tinha capacidade de produzir próteses para membros superiores, o projeto i.prótese iniciou suas atividades. A princípio buscou a parceria da Associação Lelê e do Laboratório de Fabricação Digital e Customização em Massa (LFDC) da UnB. A divulgação do projeto i.prótese iniciou em 2021, visando buscar candidatos à receberem as próteses. Após a demanda inicial dos candidatos é realizada uma entrevista para ver se o caso se enquadra na proposta do projeto de prótese de membro superior. Outra variável a considerar é a residência do candidato. Os usuários do projeto i.prótese devem residir no Distrito federal, considerando o acompanhamento necessário. Após a seleção, o candidato é encaminhado para a equipe médica da Associação Lelê Agenesia de Membros com o intuito de verificar se a prótese que será projetada atende às necessidades do candidato. Após a liberação da equipe médica da Associação é iniciada a produção. Uma das preocupações da equipe do projeto i.prótese é de que o usuário entenda que a prótese não pode ser utilizada durante as 24 horas do dia. No FABLAB do IESB, utilizando a ferramenta e metodologia BIM, e de acordo com as especificações médicas, as próteses são estudadas em modelos tridimensionais, por discentes de arquitetura. Há toda uma adaptação dos modelos tridimensionais ao usuário que receberá a prótese, por isso, são feitas medições, acompanhadas por estudantes de design de moda. São feitos testes com peças provisórias até que seja confeccionada a peça definitiva que será doada. Durante todo esse processo, os usuários são acompanhados por médicos, fisioterapeutas e psicólogos da Associação Lelê. O acompanhamento desses profissionais continua após a entrega da prótese final. Os discentes do Curso de Direito, supervisionados por docentes, assessoram o projeto na esfera legal. Produzem o termo de esclarecimento relacionado ao uso e limites da prótese, dando ciência aos usuários e responsáveis da funcionalidade das próteses. Além disso, como o projeto i.prótese já foi veiculado em mídia digital, mídia televisiva e escrita, os alunos de Direito também produzem o termo de uso de imagem, aonde usuários permitem ter sua imagem divulgada. Considerando que as próteses são personalizadas, discentes dos cursos de design de interiores, gráfico e moda realizam a customização, indicando cores e 5 soluções estéticas e até mesmo embalagens para armazenamento da prótese. Como exemplo podemos citar o caso de um dos usuários, uma criança de cinco anos, que ganhou uma prótese personalizada com as cores de seu super-herói favorito: o Capitão América.



 

Quem levou o troféu de prata para casa foi a Universidade La Salle, com o trabalho intitulado “Projeto Rede Mulher: Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar"


Confira um pouco mais do case:


1. PRÁTICA EFICAZ DE GESTÃO EDUCACIONAL


1.1. Histórico da Prática Eficaz

O projeto "Rede mulher: enfrentamento à violência doméstica e familiar" surge em decorrência de situações de violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral as quais histórica e globalmente são submetidas as mulheres, sendo esse cenário reproduzido no Brasil, no estado do Rio Grande do Sul e na cidade de Canoas. o Brasil é signatário de acordos e tratados internacionais que objetivam reduzir e combater a violência de gênero entretanto, a despeito do inegável avanço trazido pela Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), sobretudo no que tange às políticas de assistência à mulher vítima de violência doméstica e familiar, ainda é necessário promover maior enfrentamento a essa realidade.

Segundo dados do relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, de 2021, 536 mulheres foram vítimas de agressão física a cada hora em 2020 no país (dado que corresponde a um total de 4,7 milhões de mulheres). O relatório também apresenta infográficos com relação aos tipos de violência, conforme a Figura 1 a seguir.



Na pandemia, houve redução da violência nas ruas e aumento dentro de casa. Dados de pesquisa do Instituto Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostram que durante a pandemia de Covid-19 uma em cada quatro mulheres acima de 16 anos afirma ter sofrido algum tipo de violência no último ano no Brasil.

No estado do Rio Grande do Sul, dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública indicam que, desde janeiro até junho de 2022, 15.217 mil mulheres sofreram algum tipo de ameaça, 8.743 mulheres sofreram lesão corporal, 1.045 foram vítimas de estupro e 55 sofreram feminicídio consumado (Indicadores da Violência Contra a Mulher - RS).

O contexto de aumento da violência contra a mulher conta com o agravante de ser estrutural e ser potencializado por questões de raça, classe, origem e outros marcadores de diferença, sendo as mulheres negras e pobres as que historicamente têm menos acesso à justiça (DELL'AGLIO; MACHADO, 2019; LAVOR FILHO, 2018). Soma-se a isso o fato de que a violência contra a mulher também é reconhecida como um grave problema de saúde pública (AZAMBUJA; NOGUEIRA, 2008). Nesse sentido, entende-se que a Universidade, a partir das suas políticas de ensino, pesquisa e extensão, deve contribuir por meio de ações efetivas a partir do seu potencial para a redução dessa problemática social.

Entende-se que a problemática é transversal na formação acadêmica. Por esse motivo, cursos de diferentes áreas possuem potencial para contribuir com o enfrentamento da violência contra a mulher, especialmente no que diz respeito ao seu caráter multidisciplinar e integral.

Os estudantes da área da saúde, por exemplo, podem colaborar e devem estar atentos no atendimento às vítimas de violência. Trabalhar esta temática na formação de profissionais da saúde/enfermagem possibilita a inserção de espaços de reflexão, transversalizando todo o curso e estendendo-se para a comunidade, por meio da disseminação de práticas que empoderem as mulheres para o enfrentamento da violência, permitindo, assim, a desconstrução das desigualdades de gênero presentes na sociedade.

Cabe ressaltar que a violência contra a mulher também atinge suas famílias, especialmente seus filhos em idade escolar, podendo vir a afetar o desenvolvimento cognitivo e as condições de aprendizagem destes indivíduos. Desta forma, para as crianças que se encontram em processo de alfabetização, pretende-se realizar ofertas de oficinas voltadas ao reforço escolar, a fim de apoiar na manutenção dos estudos e na compreensão de conteúdos, oferecendo suporte extra curricular e especializado por discentes do curso de Pedagogia.

Objetiva-se que tais momentos proporcionem apoio às mulheres, numa perspectiva de emancipação, promoção de direitos, autoestima e vislumbre de novas possibilidades. Além disso, pretende-se explorar as singularidades, potencialidades e assistências que podem ser a elas proporcionadas. Ademais, o projeto pretende propor momentos de sensibilização e reflexão para a comunidade com relação à temática, contribuindo assim no combate a desigualdade de gênero.

Como entidade parceira a Fundação La Salle contempla o Centro Regional de Abrigamento de Mulheres Vítimas de Violência (CRAM). Desde 2019 o CRAM atua no atendimento às mulheres, oferecendo um local seguro, de moradia protegida, e de atendimento integral, um serviço de caráter sigiloso e de longa duração no qual as usuárias podem permanecer por um período de até 180 dias. O CRAM tem como objetivo garantir a integridade física e psicológica das mulheres em risco de morte e de seus filhos, favorecendo o exercício da sua condição cidadã, bem como fortalecer a sua autoestima, possibilitando que se tornem protagonistas de seus próprios direitos. Outrossim, o projeto também prevê parcerias com outras instituições da região, identificadas ou demandantes de serviços que contemplem o escopo.

O projeto, por meio da extensão comunitária, propõe estreitar laços entre entidades e discentes de graduação, promovendo capacitações, oficinas para as mulheres e seus filhos, bem como para os profissionais que trabalham nessas entidades e atendem mulheres vítimas de violência. Além disso, torna-se fundamental o acolhimento e a escuta dos profissionais que em sua atividade laboral cotidiana, acompanham os ciclos de violência das vítimas, visando também sua proteção e saúde mental.

No que tange a pesquisa, a academia cumpre papel relevante na tríade indissociável com a extensão e o ensino, de forma que poderá atuar no monitoramento e na formação, tanto dos estudantes de graduação e Pos-graduacao, bem como dos profissionais envolvidos e mulheres atendidas pelo projeto, gerando dados, reflexões e suscitando novos estudos a respeito da temática.

Tendo esse cenário como horizonte, a figura 2 a seguir apresenta a identidade desenvolvida para o projeto, iniciado no mês de março de 2022.



1.2. Objetivos


O projeto tem como objetivo geral contribuir para o enfrentamento a violência contra a mulher e a assistência às mulheres vítimas de violência, por meio de ações em diferentes áreas, que promovam seus direitos, sua autoestima e sua emancipação, bem como a formação cidadã e integral dos estudantes. Como objetivos específicos, delineou-se:

- Proporcionar capacitação profissional para mulheres vítimas de violência;

- Capacitar profissionais que atuem no atendimento de mulheres vítimas de violência;

- Oportunizar atividades voltadas à alfabetização para filhos e filhas de mulheres vítimas de violência;

- Orientar a comunidade com relação ao enfrentamento da violência contra a mulher e igualdade de gênero;

- Estimular atitudes cooperativas para o enfrentamento dos desafios da comunidade, do trabalho e da sociedade atual, fomentando a atitude solidária e comunitária dos estudantes da Universidade La Salle;

- Integrar as atividades desenvolvidas no escopo do projeto às ações previstas junto aos projetos integradores e disciplinas extensionistas dos cursos envolvidos, sendo estes espaço de interação e desenvolvimento junto à sociedade;

- Proporcionar aos discentes a resolução de problemas existentes na comunidade, a partir da vivência de situações práticas e reais, nos quais apliquem o conhecimento aprendido em sala de aula;

- Contribuir para o desenvolvimento pessoal, profissional e acadêmico dos estudantes envolvidos com o projeto, por meio da articulação entre ensino, pesquisa e extensão e da promoção de aprendizagens significativas


1.3. Público Alvo Atingido

O público-alvo contempla as mulheres e suas famílias, vítimas de ameaças ou violência; entidades e profissionais que desenvolvem trabalhos com mulheres e famílias, órgãos públicos e comunidade em geral.

Os acadêmicos envolvidos são estudantes de sete cursos de graduação, formado por discentes matriculados em disciplinas extensionistas, projeto integrador, em estágio supervisionado, ou selecionados em edital para discente extensionista não remunerado.


1.4. Descrição das Atividades Implantadas

O projeto Rede Mulher inicia tendo como foco o diagnóstico e mapeamento de demandas do CRAM (Centro Regional de Abrigamento de Mulheres em situação de risco e Violência). A partir de reuniões e visitas no abrigo, foram realizados encontros com os coordenadores e coordenadoras dos cursos de graduação para verificar possibilidades e aderências.

Tendo conhecimento de demandas gerais com relação ao enfrentamento da violência contra a mulher estabeleceu-se quatro eixos específicos, sendo esses:

Eixo de Profissionalização e Educação: atividades voltadas para a formação, atualização, empregabilidade e inserção no mercado de trabalho.

Eixo de Atendimento em Saúde: atividades voltadas para o atendimento em saúde e psicológico de mulheres vítimas de violência e de profissionais que trabalham em entidades que abrigam mulheres;

Eixo de Alfabetização: oficinas destinadas às crianças, filhos e filhas das mulheres vítimas de violência, como reforço escolar;

Eixo de Promoção de Direitos: promoção de oficinas virtuais ou presenciais e atendimentos sobre Direitos (direitos das mulheres, direitos de crianças e adolescentes, direito de família, etc.).


A seguir, no Quadro 1, estão listadas as atividades pertinentes, bem como o eixo pertencente, o curso de graduação relacionado e o modo como se dá a participação e envolvimento discentes. Ressalta-se que os atendimentos ocorrem conforme calendário acadêmico.




O fluxo das demandas ocorrem da seguinte forma:


1) Para demandas pontuais:

- O CRAM ou demais entidades acionam a coordenação do projeto;

- A coordenação do projeto entra em contato com a área responsável;

- A estrutura é organizada em conjunto e o CRAM será contatado.


2) Para demandas que possamos organizar previamente:

- A coordenação do projeto, junto à coordenação da área, estrutura

o plano de ação;

- O plano de ação será enviado para validação do CRAM ou

demais entidades;

- A atividade será colocada em prática.

As atividades do projeto iniciaram no primeiro semestre do ano de 2022 e tem previsão de duração de dois anos, com possibilidade de renovação. Para além das ações junto às coordenações de curso da graduação, também foi realizada uma campanha relativa ao dia da mulher, no mês de março de 2022, oportunidade na qual foram arrecadados mais de 800 itens que compuseram kits de



 

E o terceiro lugar, levando o troféu de bronze, mas não menos importante, foi o Centro Universitário de Brasília - CEUB, com o trabalho “Saúde Mental no Campus


Acompanhe abaixo:


1. PRÁTICA EFICAZ DE GESTÃO EDUCACIONAL 1.1. Histórico da Prática Eficaz Nos últimos anos, a saúde mental dos estudantes de ensino superior vem sendo um alvo de preocupação, já que é documentado um aumento na gravidade e incidência de sofrimentos mentais dos estudantes universitários (SILVEIRA, 2011). Porém, a percepção, o enfrentamento e a estigmatização dos agravos mentais pela docência universitária não vêm acompanhando essa mudança. Um estudo avaliativo de atitudes diante de problemas de saúde mental na sala de aula mostrou que os professores não sabiam como lidar com tais situações, pois recebiam pouco treinamento (PAVRI, 2000). Pesquisas mostram que existe desconhecimento em temas de saúde mental que fazem parte do cotidiano de professores, como o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH). Um estudo realizado nos Estados Unidos com professores de ensino fundamental encontrou falta de conhecimento e falsas concepções em relação ao TDAH (PEROLD, 2010). A literatura mostra que o conhecimento em grupos da comunidade como familiares, professores e outros profissionais de educação sobre saúde mental facilita a identificação precoce e o tratamento dos problemas de saúde mental (HOVEN, 2008). Esse conhecimento tem se mostrado eficaz na facilitação do acesso a serviços de saúde, diminuição do estigma, busca por tratamento, aumento das oportunidades de promoção e manutenção dos tratamentos e capacidade de promover saúde mental e prevenir transtornos (PATERNITE, 2005). Além disso, quando a relação do trabalhador com a organização do trabalho é bloqueada inicia-se um processo de sofrimento. A energia que não pode ser atenuada no exercício laboral se acumula no psíquico, causando desprazer e tensão (FONTANA, 2010). Sabe-se que fatores inerentes ao próprio processo/organização do trabalho docente podem funcionar como estressores, precipitar doenças e/ou gerar insatisfações, tais como a pressão do tempo, decorrente das metas de produtividade, por excessivas demandas de cursos e atualizações; conflitos nas relações hierárquicas; ausência de autonomia decisória; dificuldades de contato com colegas durante a jornada de trabalho e, desvalorização e desrespeito por parte dos alunos (ARAÚJO, 2005) levando a um aumento na prevalência de agravos mentais nos docentes universitários. Lacaz (2010) afirma que a impregnação da lógica capitalista e da reestruturação produtiva neoliberal, identificada como capitalismo organizacional e acadêmico nos espaços da universidade pública, produz a precarização das condições do trabalho docente. Como desdobramento dessa forma de trabalhar - que impõe a competição e o individualismo, entre outras características próprias do capitalismo - , ocorrem repercussões na saúde dos trabalhadores, especialmente na esfera psicoafetiva e da saúde mental (ARBEX, 2013). Ademais, o momento no qual se encontra a sociedade deve ser levado em consideração, já que há impactos na saúde mental decorrentes da pandemia causada pela COVID-19 e pelo distanciamento social. Na crise, percebe-se que as pandemias não são apenas um fenômeno biológico, pois afetam indivíduos e a sociedade em vários níveis, causando diversas perturbações (FARO, 2020). Durante uma pandemia, é provável que seja vivenciada uma carga elevada de experiências e emoções negativas, suscitando a necessidade de cuidados psicológicos constantes desde o período inicial do problema (HO, 2020). No 2º semestre de 2021, o projeto foi idealizado e realizado sob supervisão do professor Gustavo Oliveira pelos alunos extensionistas do curso de Medicina do Centro Universitário de Brasília - CEUB para atendimento ao corpo docente da Universidade de Brasília - UnB. Devido ao excelente resultado do projeto em 2021 avaliado pela Assessoria de Extensão e Integração Comunitária do CEUB, no 1º semestre de 2022, o projeto foi institucionalizado e desenvolvido pela professora Renata Bittencourt e pelo professor Gustavo Oliveira para atendimento ao corpo docente do CEUB. As atividades iniciaram durante a semana pedagógica com todos os professores dos cursos de graduação da instituição e seguiram com encontros quinzenais de um grupo de escuta docente. No 2º semestre de 2022, foram realizados encontros temáticos a partir das demandas dos professores no semestre anterior. 1.2. Objetivos da Prática Eficaz Objetivo Geral O projeto de extensão Saúde mental no campus ora apresentado como prática eficaz objetiva abordar os temas da saúde mental nas instituições de ensino superior no contexto pandêmico, de modo a capacitar os docentes universitários a identificar e construir estratégias de enfrentamento para as problemáticas no contexto acadêmico causadas por situações de sofrimento psíquico docente e ou discente. Objetivos Específicos - Ampliar os conhecimentos dos docentes universitários acerca da saúde mental na situação atual do país. - Conscientizar docentes acerca do sofrimento psíquico e quanto à rede de apoio em saúde mental. - Facilitar o entendimento dos docentes da sua saúde mental após isolamento social. - Relacionar os principais problemas enfrentados pelos professores com as possíveis ferramentas de enfrentamento de tais problemas. - Capacitar os docentes a elaborarem um plano para lidar com as mudanças psíquicas dos discentes após isolamento social. - Oferecer aos docentes estratégias de intervenção em crise que possam ser utilizadas, também, com seus alunos. - Discutir os impactos e criar ferramentas para lidar com conflitos discente-docente e discente-discente. 1.3. Público-alvo O público-alvo do projeto são os professores do corpo docente dos cursos de graduação do CEUB, aproximadamente 600 pessoas, e a participação é voluntária. 1.4. Descrição das Atividades Implantadas Diante do ineditismo e da imprevisibilidade do cenário apresentado em decorrência da pandemia e da incapacidade de previsão da intensidade da contaminação da COVID 19 em 2020, a Diretoria Acadêmica e a Assessoria de Extensão decidiram que as atividades extensionistas deveriam incluir, a partir de 2021, atividades para contribuir para minimizar os danos no processo de aprendizagem e, ainda, os sociais e psicológicos docentes e discentes resultantes do período em que estiveram suspensas as atividades acadêmicas presenciais nos campi institucionais. Ao longo do ano de 2021, foram realizadas rodas de conversa de participação livre com frequência quinzenal mediados pelos acadêmicos extensionistas junto a professores da UnB, em uma parceria interinstitucional inédita, junto à Diretoria de Atenção à Saúde (DASU) da UnB. Houve oito encontros online por semestre, que foram realizados de forma remota pela plataforma Google Meet. Sendo o primeiro, de introdução do plano de ação aos professores da universidade e de aplicação de questionários acerca de sua saúde mental e de seus conhecimentos sobre saúde mental; e o último, de fechamento do projeto, com reaplicação dos questionários sobre conhecimento acerca do adoecimento mental. Os encontros intermediários seguiram compostos por atividades no modelo da metodologia ativa de aprendizado, envolvendo discussões e práticas. Os temas dos encontros elaborados foram definidos com base na situação do país e nos principais problemas enfrentados pelos professores e conforme a literatura. No final do ano 2021, o relatório do projeto foi avaliado pela Assessoria de Extensão e devido ao sucesso identificado junto ao corpo docente da UnB e à previsão de retomadas das atividades acadêmicas presenciais em 2022, foi realizada uma pesquisa para identificação e análise das expectativas dos professores em relação ao ano 2022 que demonstrou a necessidade de acolhimento psíquico docente para retomada da vivência acadêmica presencial. No 1º semestre de 2022, quando retornaram as atividades acadêmicas presenciais desde a suspensão das atividades presenciais em março de 2020 devido à pandemia da COVID-19, foram realizadas atividades presenciais durante a Semana Pedagógica com temática e foram realizados encontros quinzenais online, sendo o Espaço denominado de Grupo de Escuta Docente. Foi disponibilizado o acesso a uma turma no Google Classroom para para todo o corpo docente do CEUB contendo a programação das atividades, link de acesso aos encontros virtuais e a disponibilização de algumas informações solicitadas pelos docentes participantes durante os encontros. No 2º semestre de 2022, conforme diagnóstico realizado no 1º semestre, foram realizados encontros temáticos quinzenais com a participação de especialistas, seguida de espaço aberto para perguntas e debates. 1.5. Metodologia No início das atividades de 2021, foi explicado para os professores da UnB como seria o funcionamento e qual a finalidade do projeto Saúde mental no campus, projeto de extensão universitária no CEUB. O cronograma foi dividido em diferentes etapas, nas quais foram feitas reuniões com a finalidade de conhecer o perfil dos professores e dos estudantes da universidade, com posteriores abordagens educacionais com a temática de saúde mental por meio de estratégias de metodologia ativa de ensino. Além disso, foram aplicados os questionários sobre saúde mental: Questionários de MAKS e BACE e Inventário de Depressão de BECK. A universidade é um local de extrema importância para o desenvolvimento pessoal, visto que promove a ampliação das habilidades e competências profissionais e pessoais, sendo este período marcado por mudanças características desta etapa. São criadas novas demandas, conduzindo o indivíduo para uma adaptação a esta nova realidade. Este processo pode ser considerado como um estressor e impactar diretamente na saúde dos alunos, os quais estão vulneráveis a uma maior incidência de desenvolvimento de alguns transtornos mentais, como, a ansiedade, depressão e o stress, em comparação a jovens não universitários (ARIÑO, 2018). A MAKS (Mental Illness Knowledge Schedule) encontra-se dividida em duas partes: Parte I, constituída pelas afirmações 1 a 6 e a Parte II, constituída pelas afirmações 7 a 12, sendo cada uma delas cotada de 1 a 5 pontos, estando a pontuação 1 associada a “discordo fortemente” perante uma afirmação correta e 5 associada a “concordo fortemente” perante uma afirmação correta. As questões 6, 8 e 12 são questões invertidas, sendo pontuadas inversamente. A pontuação total da escala é obtida somando os pontos obtidos para cada um dos 12 itens, variando a pontuação possível entre 12 (menor conhecimento) e 60 (maior conhecimento). A Parte I, abrange 6 áreas de conhecimento sobre fatores associados à saúde mental: emprego, procura de ajuda, reconhecimento, apoio, tratamento e recuperação, estando mais relacionada com o estigma. A Parte II apresenta 6 questões que testam a pontuação atribuída a diferentes condições como doença mental , o que permite estabelecer níveis de reconhecimento e familiaridade com várias condições, ajudando a contextualizar as respostas à primeira parte. (GARCIA, 2017). A BACE (Barriers to Access to Care Evaluation Scale) foi utilizada no questionário para verificarmos a relação do conhecimento com as barreiras no acesso aos cuidados de saúde mental. A escala apresenta afirmações relativas a barreiras relacionadas ou não com o estigma, sendo que dentro das barreiras não estigma existem afirmações Atitudinais e Instrumentais. As questões são pontuadas de 0 a 3, 0 “nada”e 3 “muito”, sendo que pontuações elevadas correspondem a barreiras maiores. (CLEMENT, 2012). O Inventário Beck de Depressão (BDI) foi inicialmente desenvolvido como uma escala sintomática de depressão, para uso com pacientes psiquiátricos, mas mostrou-se um instrumento útil para a população geral. É a medida de auto-avaliação mais amplamente usada tanto em pesquisa como em clínica. É uma escala de auto-relato, com 21 itens referentes à: tristeza, pessimismo, sensação de fracasso, falta de satisfação e sensação de culpa, entre outros (MORO et al., 2005). Cada item apresenta quatro alternativas de resposta, que indicam graus crescentes de gravidade de depressão. O escore total é resultado da soma dos escores individuais dos itens. Se o escore total for de 0 a 11, o nível de depressão é mínimo; se o escore total foi de 12 a 19, o nível de depressão é leve; se o escore total foi de 20 à 35, o nível de depressão é moderado e finalmente se o escore total foi de 36 a 63, o nível de depressão é grave. O BDI é uma medida da intensidade da depressão, revelando o padrão sintomático que o examinando descreve (CUNHA 2001). Por fim, foi mostrado o cronograma do semestre, explicação geral de como funcionariam as metodologias, e informou-se sobre a obtenção de certificados emitidos pelo CEUB para os que participassem de forma satisfatória. Em novembro de 2021, a Assessoria de Extensão do CEUB encaminhou o formulário de sondagem para todo o corpo docente da instituição com o objetivo identificar demandas relativas ao possível processo de transição das atividades acadêmicas remotas para as presenciais em 2022. Foram obtidas respostas de 260 professores. Os dados foram analisados em conjunto de forma anônima e os resultados serviram de base para proposição de atividades acadêmicas extensionistas desenvolvidas para o semestre letivo seguinte. Em fevereiro de 2022, durante a Semana Pedagógica, foram realizadas as seguintes atividades iniciais do projeto para o semestre:



Na palestra realizada pelos professores responsáveis pelo projeto, Renata e Gustavo (ver FIGURA 1), estiveram presentes os coordenadores de cursos de graduação e 229 docentes participaram via transmissão online. Nas turmas de Grupos de Escuta, foram 98 participantes e na mesa-redonda, 255 professores ouvintes online. FIGURA 1 - Foto da palestra do projeto da Semana Pedagógica 1º/2021


Fonte: arquivo institucional do CEUB Durante o semestre, os temas dos encontros realizados foram definidos com base na situação do país e nos principais problemas enfrentados pelos professores e conforme a literatura. Foram eles: Impacto do isolamento social na saúde mental; Estratégias de coping na Síndrome de Burnout; Intervenção em crise”; Suicídio - qual o papel do professor?; Resolução de conflitos; e Raça, Cultura, Gênero, Sexualidade e Povos Indígenas do Brasil. No 2º semestre de 2022, as atividades ocorreram às quartas-feiras, às 18h, com duração de 1h via Google Meet. Os temas abordados foram: 1º Encontro: Intervenção na crise psíquica 2º Encontro: Pandemia de sofrimento psíquico 3º Encontro: Racismo, cultura e povos indígenas 4º Encontro: Gênero e sexualidade 5º Encontro: Comportamento suicida 6º Encontro: Uso de substâncias no meio universitário 7º Encontro: Resolução de conflitos e Comunicação não violenta As atividades foram certificadas e os docentes puderam escolher participar ou de todas as atividades ou de encontros específicos, sendo a participação confirmada através de um formulário disponibilizado no momento de cada atividade. Os professores também puderam acessar a turma no Google Classroom. Em novembro de 2022, foram elaborados o relatório do projeto e a solicitação de continuidade para 2023.

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