Tradição e inovação: os caminhos que levam à excelência
- HUMUS

- há 2 dias
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A educação superior vive um tempo de transição profunda. Não apenas tecnológica, mas cultural, econômica e social. As universidades estão sendo desafiadas por novas formas de aprender, por mudanças aceleradas no campo da saúde, pela expansão da inovação e por expectativas cada vez maiores da sociedade em relação ao impacto real que as instituições precisam gerar.
Nesse contexto, tradição continua sendo um patrimônio essencial: ela guarda identidade, memória, valores e credibilidade. Mas tradição, sozinha, já não assegura futuro. A inovação, hoje, não pode ser compreendida como modismo, discurso ou atualização pontual. Inovar é responder com inteligência, velocidade e sentido aos desafios do nosso tempo, preservando aquilo que é essencial, mas mudando com coragem aquilo que já não gera mais valor.
Não existe neutralidade em tempos de transformação: instituições que apenas observam acabam sendo conduzidas pelos acontecimentos, e não pela própria estratégia. E estratégia, de verdade, não é um texto bem escrito; é escolha, foco, renúncia e coerência entre decisão e execução.
Nesse cenário, ganha força a noção de ecossistema. A universidade que faz sentido para o futuro não se organiza como ilha, mas como rede integrada, capaz de articular ensino e educação continuada, pesquisa e pós-graduação, inovação, negócios e serviços especializados, além da área da saúde. Essa integração não é apenas uma arquitetura institucional: é um posicionamento. É reconhecer que o mundo exige soluções sistêmicas e que os grandes desafios não se resolvem com partes isoladas, mas com inteligência coletiva, colaboração e capacidade de execução.
A disputa central, portanto, não é apenas por espaço, mercado ou reputação. É pela capacidade de entregar valor real à sociedade. A universidade do nosso tempo precisa formar com excelência, produzir ciência relevante, inovar com responsabilidade, transformar territórios e sustentar serviços que impactem vidas. Ela precisa ser, ao mesmo tempo, profundamente humana e altamente competente; fiel ao seu propósito e ousada em suas respostas.
Nesse sentido, a PUCRS tem atuado de modo a preservar a força de sua tradição e a potência de seu caráter inovador, o que tem resultado em conquistas relevantes para nosso Estado, como a recente divulgação do conceito máximo de nosso curso de Medicina no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (ENAMED), e 70% de cursos nota 6 e 7 na Avaliação Quadrienal da CAPES, que colocam nossos cursos de mestrado e doutorado em nível de excelência internacional.
Por isso, o eixo decisivo deste tempo é a liderança centrada nas pessoas; como presença, coragem e responsabilidade. Liderar é sustentar estratégia e cultura ao mesmo tempo; é dar direção com sentido, desenvolver pessoas com exigência e cuidado, fortalecer vínculos sem perder a capacidade de decidir. É construir ambientes de pertencimento que impulsionam, e não que acomodam. É ter lucidez para mudar o que precisa ser mudado, sem perder a alma.
O futuro não será das instituições que apenas comunicam bem, mas das que fazem bem, com coerência entre propósito e prática. E a educação superior seguirá sendo uma força essencial de transformação social, desde que tenha coragem de liderar o futuro, e não apenas reagir a ele.

*Ir. Manuir Mentges, reitor da PUCRS
Ele estará no GEduc 2026 e falará sobre “Inovação como cultura e estratégia”








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