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Learning Commons e a Biblioteca

A percepção do fácil acesso aos livros e outros recursos de informação de qualquer lugar, por meio da internet, induz ao falso entendimento de que bibliotecas e os bibliotecários são desnecessários.

Para alguns estudiosos da área da Biblioteconomia e, mesmo, profissionais atuantes no mercado de trabalho da área, em especial ao relacionado com a educação, a profissão bibliotecária encontra-se em uma encruzilhada. Alega-se que, por anos, enfatizou-se a adoção de um modelo de aprendizado para o uso da biblioteca e de seus recursos, como um caminho a seguir.

No entanto, na atualidade, constata-se que este não é o melhor caminho a seguir, bem como qualquer outra opção escolhida não deve ser realizada de forma solitária.

Na área da educação em geral, há que se atentar para as políticas e padrões nacionais e regionais; para as mudanças nos indicadores de avaliação e, talvez o mais importante, para a transformação digital –  que apontam para uma necessidade urgente de reimaginar a biblioteca (em especial as escolares e universitárias) e o papel do bibliotecário sob o aspecto do empoderamento dos recursos informacionais como uma fonte transformadora.

Para atender essa urgência, as ações precisam ser sistêmicas e envolver todos agentes interessados e participantes das instituições educacionais. Estamos em um ponto de inflexão que impõe por uma transformação profissional e, consequente, um repensar baseado em modelos como o learning commons.

A ideia do learning commons não é nova. Vários espaços dedicados a este conceito surgiram na última década nos Estados Unidos e em alguns outros países.

Trata-se de uma abordagem na qual toda a escola passa a se constituir em uma comunidade de aprendizagem participativa. Por meio do learning commons, a biblioteca torna-se o centro de aprendizagem colaborativa física e virtual da instituição escolar. O conceito se define como um projeto de estabelecer e orientar o aprendizado e o ensino orientados para o futuro, na escola. O aprendizado baseado em projetos, problemas ou evidências é estabelecido como catalisador intelectual do engajamento na busca e geração de informação, ideias, pensamento e diálogo.

Neste contexto, a leitura prospera, o letramento informacional para a aprendizagem e as competências tecnológicas evoluem; e o pensamento crítico, a criatividade, a inovação e a forma lúdica do aprender são estimulados.

Todos tornam-se um aprendiz; todos tornam-se um professor a trabalhar colaborativamente em busca da excelência. Algumas metáforas para designar o learning commons, na biblioteca, podem ser: laboratório de aprendizagem, fábrica de ideias, estúdio ou até mesmo “grande sala” (great room) da escola e da comunidade.

A questão em evidência é o de compreender o modelo dos bens comuns da aprendizagem adotados nas bibliotecas como algo que transcende as paredes da própria biblioteca, da escola ou até mesmo da comunidade usuária das políticas educacionais.

A mudança na forma de uma evolução sistêmica e participativa adotada pela biblioteca escolar deve ser planejada, implementada, divulgada e avaliada, além de celebrada. Seu êxito representa a renovação, reinvenção e inovação como recurso de aprendizagem e não só de apoio informacional.

Este tipo de recurso remodela os padrões documentais. O learning commons também é um conceito essencial para abordar programas pedagógicos inovadores.

É sabido que, anteriormente, padrões e diretrizes (nacionais e internacionais) estabeleciam indicadores para instalação, dimensão e circulação da coleção, dentre outros. Entretanto, em muitos casos, essas normativas estavam fora do alcance das escolas, além de desconectado do que poderia ser medido e o que realmente importava.

Certamente, que indicadores para a qualidade da coleção e para as boas instalações são fatores críticos, mas sem um programa focado na aprendizagem dos alunos, tais indicadores não são sustentáveis.

O êxito de um projeto de learning commons no ambiente escolar e/ou universitário requer:

Abordagem envolvendo toda a escola ou a instituição educacional, não apenas uma simples atualização da biblioteca.

Mudança na forma de trabalho isolado do bibliotecário, do professor ou da equipe de suporte da biblioteca. Há necessidade de um esforço integrado das equipes para que qualquer transformação promovida seja duradoura.

As normas e diretrizes são projetadas para realizar a transição do ensino e da aprendizagem, em conjunto, para desenvolver a criação de ambientes colaborativos de aprendizagem física e virtual.

Os melhores resultados serão alcançados quando o trabalho de learning commons abordar metas por meio de planos de melhoria da educação escolar e superior.

Como consideração final, importa compreender que não existe um ponto de destino definitivo, além de fornecer um melhor ambiente e programa de aprendizado possíveis e satisfatórios para os alunos.

Indicação de leitura:

Kirkland, A. B.; Koechlin, C. Leading learning: Standards of practices for School Library Learning Commons in Canada: A Catalyst for Igniting Chance. Teacher Librarian, vol. 42, n. 5, p. 45-47, June 2015.

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Fernando Modesto é Professor-Doutor no Departamento de Informação e Cultura da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) e será palestrante no ENB 2019, que será realizado nos dias 23 e 24 de outubro, no hotel Meliá Ibirapuera – SP.

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