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ARTIGOS

Gestão de Pessoas

O conhecimento essencial aos dias atuais

A base da formação de todo profissional está fortemente associada aos conhecimentos desenvolvidos ao longo de sua trajetória. Iniciado a partir do momento em que qualquer pessoa se presta a realizar uma atividade, o processo de aprendizado possui, como característica essencial, o dinamismo. É ele que garante um aspecto único, a possibilidade de ele acontecer, seja qual for a situação presente. Muito disso se deve ao fato de o conhecimento ser composto por uma parcela explícita, obtida através de meios formais de capacitação, e outra tácita, desenvolvida por conta do convívio com outras pessoas e experiências. Este entendimento faz tornar inócuo o conceito básico que suporta os autodidatas, aquele que faz verdadeira a afirmação sobre a capacidade de aprender algo sem a presença de um mestre ou professor. O conhecimento tácito evidencia que o aprendizado é, necessariamente, um processo coletivo, onde todos que dele fazem parte atuam como mestre e aluno perpetuamente. Enfim, não há aprendizagem solitária.

Esta linha de pensamento também fortalece o fato de as pessoas mais experientes tenderem a ter mais conhecimentos a ser compartilhados, ponto de vista suportado justamente por conta do potencial maior de número de oportunidades de aprendizado vividas por elas ao longo dos anos. Ao que parece, no entanto, esta óbvia sequência de raciocínio não se faz presente em nosso dia a dia corporativo. Um paradoxo que possui uma explicação banal. Fato é que as experiências vividas nem sempre são devidamente abraçadas como fontes de conhecimento pelas pessoas que delas fizeram parte. Isto faz com que muitos profissionais, embora tenham muitos anos de atividades desenvolvidas descritas em seus currículos, não internalizem estas experiências na parcela tácita que compõem sua formação profissional. É certo afirmar que quando preenchido majoritariamente por conhecimentos explícitos, o arcabouço de competências de um profissional se torna de menor valia real, afinal, o conhecimento na prática é o que faz a diferença.

Sendo assim, ao considerarmos como cenário de fundo o mundo corporativo, com fortes características inovadoras e alto grau de competitividade, é de se lamentar que um profissional inicie o relato de suas competências evidenciando títulos conquistados nas bancadas escolares, sejam quais forem as renomadas instituições envolvidas. Longe de sequer sugestionar relativização da importância do estudo acadêmico, é certo, no entanto, evidenciar que as características que costumam ser mais bem valorizadas nas organizações, sejam quais forem seus tamanhos e segmentos, tendem a estar muito mais próximas com questões de socialização, com a forma como os colaboradores devem se portar diante determinadas situações, a resiliência presente para suportar dignamente certas questões e tantas outras que, certamente não são aprendidas com a leitura e estudo formal, mas sim, ao ‘bebermos’ e internalizarmos devidamente as experiências vividas.

Diante disso, por exemplo, não é por mero acaso que muitas organizações já passaram a abrir mão da presença dos títulos universitários formais como um critério essencial para a contratação de colaboradores. Em tempos como os de hoje, onde há menor prazo de validade dos conhecimentos formais, mais um presente da inovação, os tácitos ganham valor ainda maior e tendem a superar fragorosamente quaisquer um deles. Não irá demorar para que os conhecimentos explícitos se tornem meros commodities, se é que já não os são.

José Renato Sátiro Santiago é Consultor e Professor, e escreve sobre temas relacionados a Gestão do Conhecimento, Inovação, Pessoas, Projetos e Lições Aprendidas.