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Inovação/Tecnologia

Instituições de ensino à prova de futuro promovem experiências de aprendizagem memoráveis

Que o futuro é digital, todos nós sabemos. Inclusive na educação. Cada vez mais, as estratégias digitais farão parte de iniciativas educacionais, desde aquelas que oferecem apoio aos alunos dos cursos presenciais até as que viabilizam educação totalmente on-line para pessoas que não teriam acesso à educação por motivos de agenda ou de geografi­a.

Diante de tantas possibilidades de implementação de educação digital que o mundo atual oferece, é importante tomar as decisões que tornem as instituições de ensino à prova de futuro, isto é, à prova das transformações sociais, econômicas e tecnológicas que todos nós teremos de enfrentar de forma cada vez mais acelerada.

Existe uma expectativa de que, em um futuro próximo, algoritmos entregarão aos alunos os conteúdos de que eles gostam, para aprender o que desejam, da maneira que preferirem. No entanto, já se observa em outras esferas da atuação humana que somente receber os conteúdos de que gostamos e que preferimos remete a um estreitamento de visões de mundo e a uma limitação das possibilidades de desenvolvimento cognitivo. Além de não serem educativas, por tolherem a autonomia do aluno e a busca por ampliação de horizontes, as tecnologias que moldam escolhas e comportamentos chegam a ser consideradas prejudiciais à saúde. Jack Lynch, CEO da editora Houghton Mi‑in Harcourt, ressalta que “para tornar realidade a promessa da tecnologia educacional, precisamos enfocar a ´tecnologia com propósito’, aquela que amplia as habilidades dos professores – e não os substitui” (Lynch, 2018).

É por isso que é importante investir em tecnologias digitais que permitem que se aprenda de maneiras diferentes, com abordagens pedagógicas cada vez mais personalizadas, atendendo às diferentes formas como cada aluno prefere estudar: de forma mais superfi­cial ou aprofundada, em períodos de tempo curtos ou longos, com agenda regular ou flexível, com colegas e professores ou individualmente. Para Paul Krause, CEO da ECornell, famosa pelo seu pioneirismo e qualidade em EAD, o que faz a diferença na instituição são “as melhores abordagens instrucionais, tecnologia inovadora e suporte excelente” (Stoller, 2018).

Quais abordagens instrucionais seriam essas? Segundo o site influenciador de políticas educacionais KnowledgeWorks, elas envolvem os seguintes aspectos: Promover a expressão criativa, o autoconhecimento e o pertencimento social do aluno, integrar o aprendizado à tecnologia para ampliar oportunidades dos alunos, usar dados para implementar estratégias de ensino-aprendizagem efi­cazes e oferecer modelos de engajamento e canais de comunicação para ampliar as possibilidades do aluno exercer impacto na sua comunidade (KnowledgeWorks, 2018).

Para quem acompanhou o crescimento da EAD em escala no Brasil, com distribuição de conteúdo iguais para grandes grupos de alunos, a personalização dos processos educacionais e a promoção do protagonismo do aluno podem parecer simplesmente impraticáveis. No entanto, as tecnologias e abordagens mais modernas da educação digital permitem oferecer um atendimento personalizado que gera muita satisfação por parte dos alunos que desejam aprender com conveniência e de forma flexível.

Por tudo isso, entendemos que a educação digital deve oferecer possibilidades variadas de estudo por parte dos alunos em qualquer momento do seu desenvolvimento pessoal e profi­ssional, deve considerar o professor um aliado e deve promover interações humanas de vários tipos, garantindo o acompanhamento do desenvolvimento dos alunos. É esse o tipo de experiência variada, flexível, conveniente e, acima de tudo, e­ficaz, que os alunos consideram a mais enriquecedora. É esse tipo de abordagem que os satisfaz e tem gostinho de “quero mais”. Como a­rma Julin Sharp, diretor de educação digital do Marist College de Nova York, “se você não mobiliza o seu lado social, cognitivo e instrucional, você de­finitivamente não tem uma experiência de aprendizagem signi­ficativa” (Nazerian, 2018).

Em resumo, valorizar a autonomia do aluno, desenvolver estilos de aprendizagem cada vez mais complexos e enriquecedores, promover a interação humana com pessoas experientes e com colegas, ampliar horizontes e aprender o que é necessário para enfrentar os novos desa­fios que o mundo nos apresenta a cada dia: isso é o que se chama de educação à prova de futuro!

Referências:

KNOWLEDGEWORKS. Forecast 5.0 – The Future of Learning: Navigating the Future of Learning. KnowledgeWorks. Nov, 2018. Disponível em: <https://knowledgeworks.org/resources/forecast-5/>. Acessado em: 14/1/2019. Repercutido em: NEOEDU. Os fatores que vão impactar o futuro da educação. NeoEdu, 2019. Disponível em:  <https://neoedu.com.br/blog/neoedu/1/1734/Os_fatores_que_vao_impactar_o_futuro_da_educacao>. Acesso em 11/1/2019. Acessado em 14/1/2019.

 

LYNCH, Jack. How Do We Make Edtech More Effective? (Hint: It Has Nothing to Do With Technology). EdSurge, Dez, 2018. Disponível em: <https://www.edsurge.com/news/2018-12-01-how-do-we-make-edtech-more-effective-hint-it-has-nothing-to-do-with-technology>. Acessado em: 14/1/2019.

 

NAZERIAN, Tina. Moving from face-to-face to online teaching can be hard. Here´s one expert´s advice. EdSurge. Nov, 2018. Disponível em: <https://www.edsurge.com/news/2018-11-14-moving-from-face-to-face-to-online-teaching-can-be-hard-here-s-one-expert-s-advice>. Acesso em: 11/1/2019.

 

STOLLER, Eric.  5 Questions for the CEO of eCornell: Leading a high-touch online university. Inside Higher Ed. Nov. 2018. Disponível em: <https://www.insidehighered.com/blogs/student-affairs-and-technology/5-questions-ceo-ecornell>. Acessado em: 14 jan 2019.

 

Betina Von Sta é consultora de inovação em educação na UOL EdTech e foi  moderadora no GEduc – XVII Congresso Brasileiro de Gestão Educacional, que foi realizado pela HUMUS nos dias 27 a 29 de março de 2019.