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Inovação/Tecnologia

Ensino híbrido deve colocar o aluno no centro do processo de aprendizagem

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Atividades remotas e presenciais precisam ser combinadas de modo a se obter o melhor de cada meio; tecnologia pode favorecer a personalização e o protagonismo dos estudantes
 

No contexto da pandemia, com as aulas remotas mediadas por tecnologia e os momentos de retorno ao presencial, o chamado ensino híbrido ganhou destaque. Mas, para Lilian Bacich, cofundadora da Tríade Educacional, é preciso definir com precisão o que esse termo significa para também estabelecer os modelos pedagógicos mais adequados a ele.

 

Segundo ela, a definição de ensino híbrido deve levar em conta a educação do século XXI, que coloca o estudante no centro do processo de ensino e aprendizagem. “O ensino híbrido tem como foco a personalização, considerando que os recursos digitais são meios para que o estudante aprenda, em seu ritmo e tempo, e possa ter protagonismo.”

Lilian esclarece que, de acordo com esse conceito, aulas que acontecem no espaço físico da escola e são transmitidas ao vivo para quem está em casa não poderiam ser consideradas ensino híbrido, da mesma forma que aulas no modelo remoto, com alunos e professores em suas residências, mesmo que combinando momentos síncronos e assíncronos, também não se enquadrariam nessa definição. Isso porque, em ambos os casos, o professor está no centro do processo e há uma aula expositiva.

 

“Não se trata de ter a mesma experiência acontecendo online e presencialmente. Para ocorrer o ensino híbrido, além dessas duas dimensões se complementarem, é preciso ter o estudante no centro do processo, o professor com o papel de mediador, e não apenas expositor de conteúdos, a tecnologia como um suporte que possibilita o protagonismo dos estudantes e o desenvolvimento da cultura digital”, destaca.

 

Um aspecto importante que o ensino híbrido possibilita, de acordo com ela, é obter e combinar o melhor de cada meio. Por exemplo, experiências que envolvem debater, argumentar, pensar criticamente e lidar com a resolução de problemas são mais bem aproveitadas presencialmente. Já as tecnologias digitais oferecem oportunidade de os alunos produzirem conhecimentos a partir de experiências pensadas especificamente para esse ambiente, além de favorecerem interações e acompanhamento das aprendizagens individuais ou em pequenos grupos.

Entre as metodologias que ela cita que podem proporcionar essa configuração híbrida estão a rotação por estações (em que os alunos são divididos em grupos, cada um com uma tarefa diferente, e rotacionam pelas atividades), o laboratório rotacional (em que circulam por diferentes espaços), a sala de aula invertida (estudantes acessam os conteúdos em casa e vêm para a sala de aula para debatê-los) e a rotação individual (alunos seguem roteiros individuais de tarefas).

 

Para ela, um modelo de aula em que crianças e jovens precisam ficar horas na frente de um professor, por meio de telas ou presencialmente, assistindo a exposição de conteúdos, não é a melhor forma de desenvolver habilidades e competências essenciais para o século XXI, como colaboração, comunicação e criatividade. “Aprender a aprender, aprender a ser, aprender a conviver e aprender a fazer são os quatro pilares da educação da Unesco que merecem ser considerados na sala de aula online, híbrida ou presencial.”


Lilian Bacich vai falar sobre o tema o tema “Modelos pedagógicos no ensino híbrido” no GEduc 2021. Ele estará no I FÓRUM DE GESTÃO DO ENSÍNO HÍBRIDO, que acontecerá no dia 13 de abril. Inscreva-se!

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