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A Competência em Informação e em Mídias como um instrumento para o acesso e uso da informação no contexto social e profissional

A informação é concebida como um recurso que requer a existência daqueles que as produzem (criadores), os que fazem a sua gestão e processamento/mediação (processadores/mediadores), e os que a utilizam em benefício próprio ou coletivo (usuários).  Devido ao uso intensivo da informação acoplada às tecnologias de informação e comunicação (TIC), nos últimos anos a sociedade vem sendo identificada como "Sociedade da Informação e do Conhecimento", assentando-se nos processos decorrentes da globalização e de relações estabelecidas nas esferas: econômica, política, social e cultural. Sendo uma "matéria prima" de todas as áreas do conhecimento, a informação acha-se também atrelada ao conceito de documento, no sentido de informação registrada, e, dependendo dos propósitos e abordagens de estudos e pesquisa, é conectada ao conteúdo ou à estrutura do próprio documento. Nesse contexto, tanto a informação/documento, como os meios de comunicação, que proporcionam a sua mediação nas mais variadas formas de busca/recuperação/uso, têm sido objeto de estudo de diferentes áreas, em especial, a Ciência da Informação.

A compreensão sobre como se dá esse fluxo, a seleção e interpretação dos dados coletados nas diferentes fontes de informação, associadas às formas de divulgação, subsidiam o desenvolvimento da ciência e das humanidades, e, nesse sentido, a United Nations Educational, Scientific  and Cultural Organization (UNESCO) identifica que é a qualidade da informação, as formas de escolhas e ações, a capacidade de vivenciar a liberdade e a construção de habilidades necessárias que proporcionarão esse  desenvolvimento de forma sustentável.¹ Assim, propôs um conjunto de diferentes tipos de competências identificadas como “Competência em Informação e em Mídias – CIM” (tradução nossa do original de Wilson, 2013). ²  O conceito de competência é identificado como um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que o indivíduo detém; é o saber agir que vai mobilizar, integrar e transferir conhecimentos, recursos e habilidades que agreguem valor ao indivíduo, à organização onde trabalha, e na sociedade como um todo.

 

O que está implícito quando se fala em competência é que sempre envolve uma ação; é saber mobilizar o repertório individual e como efetivar a entrega para o meio no qual se insere. Além disso, saber usar tecnologias, os vários tipos de documentos e de mídias são também variáveis a serem consideradas nos diferentes contextos organizacionais alicerçados em processos de gestão da informação e do conhecimento e relacionadas à memória organizacional, às políticas de acesso e uso da informação e de seus fluxos. Considerando esse cenário, a Competência em Informação e em Mídias (CIM) é compreendida como um instrumento importante no processo de ensino e aprendizagem, constituindo-se em conjunto de ações que promova a interação e internalização de fundamentos conceituais, atitudinais e de habilidades específicas e que são essenciais à compreensão da informação e sua abrangência, na busca de fluência e capacidades necessárias à geração de novos conhecimentos e sua aplicabilidade ao cotidiano das pessoas e das comunidades ao longo da vida.

 

Dessa forma, os gestores das organizações, em especial os de serviços de informação e conhecimento, precisam estar conscientes de que a informação e os seus espaços são elementos que desempenham um papel central na sociedade, assim como devem conhecer as necessidades de informação de sua comunidade e construírem processos que propiciem o desenvolvimento de competências apropriadas em distintos ambientes. Conhecer os variados tipos de provedores de informação, de mídias e tecnologias são também competências consideradas essenciais e fazem parte da proposta da UNESCO como explicitado na Figura 1. Um programa de desenvolvimento de competências pressupõe a existência de profissionais qualificados para elaborar projetos apoiados em bases pedagógicas a fim de contemplar o estudo do contexto, análise de características e peculiaridades dos usuários, especialmente suas necessidades de informação e seu uso inteligente, contribuindo, dessa forma, para a construção de potencialidades cognitivas e de atitude científica nas bibliotecas e em articulação com as atividades acadêmicas.

 

Nesse sentido, a formação de Competência em Informação e em Mídias (CIM) é um dos principais desafios das bibliotecas frente às variadas possibilidades de acesso aos recursos de informação que os meios digitais proporcionam atualmente e é necessário conhecer e aplicar os melhores critérios de seleção e avaliação da informação para recuperá-la de forma mais pertinente e com maior qualidade. Questões tais como: O que é Competência em Informação e Mídias (CIM) no ambiente acadêmico; Como criar e implementar programas de desenvolvimento da CIM nas bibliotecas acadêmicas; Que modelos e padrões podem ser utilizados para o desenvolvimento dessas competências; Em que a Competência em Informação e Mídias (CIM) se inter-relaciona com a pesquisa, ensino e extensão na universidade; e Quais seriam os pontos fortes e fracos das bibliotecas em relação à gestão da informação para otimizar a construção do conhecimento, são os desafios a serem considerados.

Figura 1 – Elementos da Competência em Informação e em Mídias (CIM) [3]

Competência em Informação
Definição e articulação de necessidades
Localização e acesso à informação
Acesso à informação
Organização da informação

Uso ético da

informação

Comunicação da

informação

Uso das habilidades de TICs no gerenciamento da informação

Competência em Mídias

Compreensão do papel e das funções das mídias

nas sociedades democráticas

Compreensão das condições sob as quais as mídias podem cumprir suas funções

Avaliação

crítica do

conteúdo midiático à luz das funções  da mídia

Compromisso junto às mídias para a auto -expressão e

participação democrática

Revisão das habilidades (incluindo as TICs) necessárias para a produção de conteúdo pelos usuários

Fonte: Adaptado de Wilson et al. (2013)

 

 

Profa. Dra. Marcia Rosetto integra a coordenação do Labirinto do Saber - Núcleo de Pesquisa e Aprendizagem em Gestão da Informação, Gestão do Conhecimento e Competência em Informação e em Mídias (CIM), e do Observatório CoInfo, e será palestrante no VII Encontro Nacional de Bibliotecários de IES e Escolares, a ser realizado pela HUMUS no dia 25 de outubro de 2018.

 

[1] Informações sobre a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da UNESCO estão disponíveis no site http://www.agenda2030.org.br/sobre/

[2]  WILSON, C. et al. Alfabetização midiática e informacional: currículo para formação de professores. Brasília: UNESCO, UFTM, 2013. 194p.