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Financeiro

Vencendo a crise com orçamento na escola

Não há como negar as dificuldades financeiras que, de alguma maneira, atingiram o setor educacional privado nos três últimos anos em decorrência da crise econômica e política mais ampla, enfrentada pela sociedade brasileira.

Inadimplência, evasão, formação de turmas menores, demissão de colaboradores, adiamento de investimentos, operação simplificada. Essas foram algumas das muitas consequências desse cenário, que têm enfrentado os Mantenedores do setor educacional no seu cotidiano de gestão.

Ao se aproximar da elaboração de mais um Orçamento anual, agora para 2018, é tempo de colocar na ponta do lápis todas essas variáveis e planejar sua instituição, utilizando a ferramenta do Orçamento como seu aliado para vencer as dificuldades da crise.

Sem perder a esperança, mas crendo que a educação é vital para a nossa sociedade, em qualquer cenário político ou econômico, o que nos resta é profissionalizar cada vez mais a gestão e utilizar ferramentas que lhe proporcionem segurança no processo decisório para correr riscos calculados na sua atividade.

 

Neste sentido, apresento-lhe cinco dicas importantes para a preparação do Orçamento em sua instituição para o próximo ano:

 

1. Rever o seu desempenho no ano em curso comparativamente ao ano anterior.

 

Faça uma revisão do seu desempenho institucional nos dois últimos anos à luz de indicadores e dos dados disponíveis. É muito importante observar que os números nos dizem, independentemente de sua percepção da realidade.

 

2. Identifique as principais variáveis que têm influenciado particularmente a sua instituição na consecução dos seus objetivos e de melhores resultados.

 

Listamos acima alguns fatores que afetaram o setor nos últimos anos. É importante sua identificação daquilo que é específico do seu empreendimento, dada à diversidade do setor e das condições de cada instituição. Num cenário adverso temos instituições com desempenho exemplar e outras, noutro extremo, à beira do fechamento. Qual é a sua realidade concreta? O que lhe é fundamental no cenário atual?

 

3. Defina premissas para a elaboração do seu planejamento anual e do orçamento para 2018.

 

Esta parte é bastante técnica e é determinante para projetar dados e construir cenários. São as crenças que temos em relação a reajuste de mensalidade, expectativa de matrícula, de reajuste salarial, de taxa de inflação e da realização de despesas.

 

4. Simule cenários para o seu orçamento anual.

 

Esta parte é vital, pois irá lhe permitir construir cenários pessimista, realista e otimista para as diferentes variáveis de sua instituição. A partir dessa construção você chegará a diferentes previsões orçamentárias para o próximo ano. E a partir disso, sua instituição poderá definir qual o cenário lhe parece mais factível, com os números de receita e despesa que acompanham essa tendência.

 

5. Valide o seu trabalho como gestor ouvindo especialistas de sua confiança.

 

Essa atividade de planejamento e de projeção orçamentária é de alto risco e por vezes extremamente solitária, pois não se pode partilhar o risco da atividade com muitos dos seus atores, a não ser os que atuam como Mantenedores no sentido econômico e societário. A busca de especialistas em gestão financeira educacional pode ser um caminho interessante para ouvir uma opinião isenta, capaz de atuar criticamente e contribuir na busca de um melhor cenário orçamentário.

 

Não deixe para amanhã esse trabalho. 2018 já começou. Dedique tempo, energia e profissionalismo na elaboração do Orçamento da sua Instituição. Será uma experiência muito rica e os resultados certamente serão frutíferos.

Sergio Marcus Nogueira Tavares é consultor associado da HUMUS para Gestão Financeira e será palestrante na Oficina: Técnicas de Elaboração de Orçamento na Instituição Educacional