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Gestão Educacional

Desenvolvimento de competências socioemocionais: sua escola já pensou nisso?

Não é novidade a discussão sobre as chamadas competências socioemocionais das pessoas. Talvez uma nova nomeação para aquilo que os antigos gregos já refletiam em seus diálogos a respeito da vida na polis e da educação plena de seus cidadãos.

Hoje, porém, esse debate ganha força, a partir das últimas décadas, amparado pelo Paradigma do Desenvolvimento Humano proposto pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e também pela publicação do Relatório Jacques Delors (1990), organizado pela UNESCO. O primeiro coloca a educação como a oportunidade de transformar o potencial das pessoas em competências que as ajudarão a enfrentar o mundo em constante transformação, e que me parece, de alta complexidade, como tem sido o nosso momento.  O segundo sugere quatro pilares para o ensino: aprender a conhecer, a fazer, a ser e a conviver. Perceba que essas colocações vão muito além das competências cognitivas que a escola sempre elegeu. Algo a mais está se exigindo das instituições educacionais.

A partir daí, várias áreas do conhecimento (Economia, Psicologia, Neurociências, Educação) começam a se interessar por definir quais seriam as competências necessárias para o aluno atingir o que foi/é proposto pelo dito acima. Pesquisas relacionam aspectos emocionais e de convivência com aprendizagem em diversos contextos – família, escola, comunidade, ambiente de trabalho; criam-se indicadores de bem estar (renda, saúde e segurança). Tudo isso afeta a escola. Destina-se a ela a responsabilidade também de tratar de conteúdos que não só os formais (de conhecimento). E, agora, de maneira intencional. Veja o que já estamos presenciando no cenário educacional:

“Pisa analisará competências globais em 2018. Atitudes como respeito ao próximo, responsabilidade, diversidade cultural, o agir criativamente e eticamente, colaborando com outras pessoas serão considerados em seus novos questionários.” (Jornal O Estado de São Paulo, dez/2017).

“As escolas municipais de São Paulo ensinarão a partir de 2018 as chamadas habilidades socioemocionais, que incluem criatividade, empatia e abertura à diversidade.” (Jornal O Estado de São Paulo, dez/2017).

“Organismos multilaterais como a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) passaram a produzir conhecimento para apoiar governos e instituições a criarem políticas e práticas voltadas intencionalmente (grifo meu) para a promoção de competências socioemocionais.” (http://porvir.org/especiais/socioemocionais/ acessado em 07/12/2017).

“Sociedade decide currículo socioemocional no Canadá. Em 2009, o Ministério da Educação de Ontário, no Canadá, alterou as diretrizes curriculares para que contemplasse o desenvolvimento de habilidades socioemocionais nos alunos.” ((http://porvir.org/especiais/socioemocionais/ acessado em 07/12/2017).

Veja que a preocupação com o desenvolvimento de competências socioemocionais se faz presente a nível brasileiro como mundial.

Acredito que a expansão dessa temática será cada vez maior. Famílias já questionam, quando estão para decidir por uma escola, se há programas anti bullying, ou como são trabalhadas as questões de convivência entre os alunos, que não só a disciplina em sala de aula.

Sua escola já pensou nisso? Já envolveu os profissionais, especialmente seus professores, a terem a intenção de trabalhar competências socioemocionais?

Gostaria de sugerir uma visita ao Museu da Empatia, que fica no Parque do Ibirapuera até 17/12. Ou ler a respeito no Google. Boa inspiração para trabalhar o “se colocar no lugar do outro”, competência das mais difíceis hoje em dia. E tão necessária! Bom começo para uma reflexão e implantação prática na escola.

Márcia Rosiello Zenker é consultora associada da HUMUS, educadora, professora e psicóloga.