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Gestão Educacional

Liderança em ambiente educacional

Alçados à condição de liderança, em um cenário exigente no qual as escolas se encontram, torna-se fundamental uma reflexão sobre o papel do líder em uma instituição educacional.

Desde que o homem se agrupou em bando, focado inicialmente na sua sobrevivência, ali já nascia alguém que, por coragem de enfrentar o inimigo ou por imposição, fora percebido como líder pelos seus pares. Estão aí as premissas básicas de que essa pessoa e seus seguidores remontam há dois milhões de anos, na savana africana. Podemos dizer que existe uma teoria evolucionista da liderança. Assim como foram surgindo outras teorias sobre essa temática.

A liderança evoca imagens altamente romantizadas e emocionais para muitos de nós. Quando pensamos em líderes específicos nos vêm nomes como Gandhi, Churchill, Mandela, Thatcher, entre outros. O próprio termo projeta imagens de indivíduos poderosos, dinâmicos, que comandam exércitos vitoriosos, que transformam o curso das relações entre nações e/ou grupos. Além disso, a liderança é considerada fator de sucesso ou insucesso das corporações e dos países. Isso vale também para as instituições educacionais.

Partindo, então, da premissa de que líderes são essenciais para as escolas, e que estas são um sistema social dinâmico, qual ou quais papéis eles deveriam sustentar?

Um aspecto importante que cabe salientar aqui é o de que, na escola, todos os liderados querem muito de seus líderes. Sempre há alta expectativa. Então, todos se voltam para a figura do diretor. Ele é o principal agente dos acertos e dos erros na condução da escola. Professores voltam seus olhares para seus coordenadores. Alunos e pais para professores, coordenadores e diretores.

Como disse no início, frente à alta expectativa dos liderados, todos os envolvidos em função de liderança têm, a princípio, a obrigação de se desenvolverem naquilo que maximizará sua atuação. Percebam que digo “desenvolverem-se”. Acredito na constituição de líderes ao longo do tempo. Acredito no desenvolvimento das chamadas competências do gestor escolar baseando, esse desenvolvimento, na natureza do trabalho educacional. Liderar uma escola requer conhecimento do seu cotidiano, das particularidades que envolvem o seu dia a dia, da dinâmica singular de seus variados grupos – coordenadores, pais, professores, alunos, etc...

 

Nesse sentido, características e competências de um líder não significam eficiência no liderar. Essa distinção é significativa, e aos meus olhos, importante. As propriedades organizacionais de cada escola são fatores que influenciam a liderança: tamanho, clima e cultura internos, ambiente social e econômico, etc... Portanto, não existe um modelo de liderança a ser seguido.

Pesquisas mais recentes sobre o tema associadas à configuração de um ambiente educacional volátil, incerto e líquido, parafraseando Zygmunt Bauman, sinalizam como inimigos da liderança o determinismo, a centralização do poder, o egocentrismo, a visão antiga do “eu decido tudo” e a não gestão da autonomia do grupo.

No mundo em alta transformação como o nosso, são bem-vindas atitudes éticas, cooperação, escuta inteligente, criatividade, descentralização de decisões e, principalmente, preparo ininterrupto de sua condição de líder em ambiente educacional.

 

Profa. Márcia Rosiello Zenker é consultora associada da HUMUS, educadora e psicóloga.

 

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