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Gestão Educacional

Como a educação pode solucionar problemas sociais e ambientais?

Sabemos que a educação é um direito de todos e um dos setores mais nobres da economia. É por meio do acesso ao ensino que conseguimos formar cidadãos e desenvolver indivíduos mais conscientes dos desafios da nossa sociedade. Afinal, o conhecimento transforma vidas e permite mudanças significativas no bem-estar coletivo. Investir nesse segmento é trazer perspectivas de um futuro melhor no longo prazo. Quem atua neste mercado tem em mãos elementos suficientes para influenciar pessoas e criar proativamente mudanças positivas e duradouras no mundo.

Na verdade, já estamos cientes disso há muito tempo. O que ainda falta é utilizarmos o poder da educação para solucionar também os problemas sociais e ambientais das nossas comunidades, fora dos muros de nossas salas de aula. E não estou me referindo a algo novo, mas incentivando a reflexão dos gestores educacionais para um movimento que vem sendo implementado por diversas empresas que pretendem ser as melhores para o mundo e não do mundo. Você já ouviu aquela sábia frase “para sermos a mudança que desejamos”? Então, isso já está acontecendo!

Quem integra essa frente está mudando a regra do jogo e redefinindo o sucesso dos negócios para gerar ainda mais valor para a sociedade. A ideia é promover uma verdadeira revolução na forma como os nossos sistemas vêm sendo construídos, modificando o nosso atual cenário por algo que tenha um significado mais inclusivo e sustentável. Se você ainda não sabe como fazer isso na prática, junte-se a quem tem soluções alternativas, escaláveis e viáveis para fazer isso acontecer efetivamente, assumindo esse compromisso publicamente ao mensurar o que realmente importa: os impactos positivos.

 

Uma sugestão é integrar a dinâmica proposta pelo B Lab®, uma organização independente, sem fins lucrativos, que adota padrões de desempenhos abrangentes, responsáveis e transparentes, com o intuito de verificar e medir o real impacto das corporações em seus públicos. Após uma rigorosa avaliação em cinco dimensões: clientes, colaboradores, comunidade, meio ambiente e governança, as empresas que decidem aplicar a avaliação recebem a certificação B CorpTM, caso tenham cumprido os requisitos exigidos. A meta é reformular estruturas, alinhar interesses e unir em um mesmo propósito os líderes regionais, nacionais e internacionais.

 

Conforme estatísticas do Banco Mundial existem 125 milhões de empresas no mundo. Porém, atualmente, ainda há somente cerca de 2.300 empresas certificadas, incluindo Natura, Ben & Jerry's, Warby Parker, Patagonia e a Laureate, que foi a maior organização multinacional a ter todas as subsidiárias certificadas, sendo a primeira empresa de educação superior a ser certificada no Adendo de Educação Superior do B Lab®, a parcela de avaliação específica para instituições de ensino superior com foco no impacto em seus estudantes.

 

De acordo com dados do Censo da Educação Superior Brasileira 2016, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) em agosto de 2017, foram registradas mais de 2.400 instituições de ensino no país, sendo que aproximadamente 90% são privadas. Esse número é praticamente o total de organizações que fazem parte desse movimento globalmente. Já segundo o Censo Escolar de Educação Básica 2016, temos mais de 186 mil escolas, sendo que a rede particular representa mais de 20%. Com esse universo em potencial, o setor educacional tem grandes oportunidades de liderar esse movimento no país.

 

Ser uma empresa B certificada é tomar decisões equilibradas, afinal há ações que precisam ser deliberadas, mas que são árduas na execução. No entanto, se uma corporação estiver tratando as diferentes partes interessadas de forma justa e com respeito, mesmo as decisões mais difíceis podem ser positivas no futuro. Trabalhar no segmento de educação nos coloca de uma maneira muito integrada com a sociedade, ou seja, já somos privilegiados nesse quesito de fazer parte de um mercado tão essencial para a população.

 

No setor educacional, a Laureate foi pioneira em conquistar a certificação em 2015. Em janeiro deste ano, foi a vez de alcançarmos a recertificação B Corp™ da rede, atingindo 104 pontos – quase 10 a mais do que a pontuação anterior. A presença de escolas e instituições de ensino ainda é incipiente e de extrema relevância para nosso país expandir ainda mais a consciência da transformação dos negócios. Fazer parte de um movimento que tem o intuito de gerar uma economia mais inclusiva apenas ratifica o compromisso social da educação.

 

José Roberto Marmo Loureiro é CEO da Laureate Brasil e foi palestrante no GEduc 2018.