ARTIGOS

Gestão Educacional

O ensino superior é um dos principais responsáveis pela reinvenção profissional que estamos vivendo. Mas, será que estamos investindo?

O ano de 2020 trouxe muitos desafios para a área da educação, as dificuldades nos colocaram à prova, mas, também nos proporcionaram uma nova visão para as oportunidades de ensino, conhecimento, aprendizado e desenvolvimento profissional

Prefácio: Como instigar os alunos em seu processo de aprendizado? A pandemia tem deixado muitas feridas na área de educação. Há esperança! Não podemos desistir de nossos sonhos.

É preciso união para voltarmos a crescer. É preciso dar oportunidades de ensino para evoluirmos. Precisamos educar quem vai cuidar da gente no futuro. É preciso vislumbrar além do presente. Mas, onde eu quero chegar?

Desde o início da pandemia, a educação é uma das áreas mais abaladas da sociedade. Desistência de estudantes, falta de aulas, atenção, incentivo ao estudo, estrutura para quem desejar estudar, falta de oportunidades, falta de educação. Com isso, os reflexos foram imediatos e exemplo disso é um levantamento da Educa Insights, empresa de pesquisas educacionais, em parceria com a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), que aponta queda de 13% na intenção de início imediato no ensino superior. Entre os entrevistados, 38% dos alunos esperam pela vacina e pretendem começar a graduação apenas no segundo semestre de 2021.

O que eu quero dizer com isso antes de aprofundarmos neste artigo: as instituições de ensino, o governo, as iniciativas privadas e os multimilionários devem dedicar seus esforços em prol da educação, em prol daqueles que a partir do estudo, vão se formar, se tornar cientistas, médicos, pesquisadores, para poder garantir um mundo melhor. É preciso dar oportunidades para eles, via projetos sociais, projetos financeiros para arcar com graduações, financiar estudos, dar a oportunidade a quem hoje nem sequer pode estudar porque não tem uma internet em casa, por exemplo. É preciso despertar essa generosidade, dar aquele pontapé nesses estudantes, com mais ações e incentivos ao ensino - a exemplo disso é o programa Estácio tá pago, voltado para que os novos alunos possam iniciar os estudos imediatamente abonando as três mensalidades do primeiro semestre, as outras três o aluno pagará apenas R$ 49-. Com mais educação, aos poucos nós vamos sair dessa e nossa rotina voltará ao normal, porém, o tempo perdido não volta. Precisamos incentivar, apoiar e nos dispor a educar. REFLITAM!

Ainda há esperança, bem vindos ao lifelong learning

Em um ano em que o mercado de trabalho foi drasticamente afetado com demissões, perdas financeiras e falências, houve também um despertar e uma procura de mão de obra inovadora, criativa e especializada. Há mais de 20 anos atuando na área da educação, sempre trabalhei um tema com meus alunos que se encaixa muito na visão do que os executivos têm em mente: o lifelong learning, ou seja, o aprendizado para a vida toda, no qual somos eternos aprendizes, e o ensino superior, neste ano, foi a prova de que o conhecimento que ele nos oferece é capaz de salvar. Foi durante uma roda de conversa (Café virtual com o Reitor), que um relato me tocou e me fez refletir ainda mais sobre o poder transformador que as universidades e nós, profissionais da educação, temos sobre o ensinar e transmitir aprendizado. 

Um de nossos alunos do curso de pedagogia relatou que a partir de seu aprendizado sobre o uso das ferramentas e plataformas digitais para o ensino, despertou nele uma visão ainda mais além sobre as tecnologias, algo que até então ele detestava. A partir desse interesse, ele começou a estudar e a entender sobre como a plataforma se comunicava com os alunos, tendo uma linguagem simples e explicativa no âmbito virtual, logo, depois dessa imersão (e novo hobbie) ele passou a ajudar os colegas de classe a utilizarem essa plataforma. Aqui, eu queria propor uma pequena reflexão: e se esse aluno não tivesse tido interesse de ingressar em uma graduação, será que ele teria despertado tal conhecimento e sagacidade a ponto de ter ajudado seus amigos? Parece clichê, mas a resposta é nítida: a educação é um agente transformador e muito generoso que diariamente ajuda a salvar o mundo em diferentes vertentes.

Dando sequência a esta linha de pensamento, quero aprofundar em algumas das áreas profissionais no qual o ensino superior se fez valer principalmente agora na pandemia, e despertou, naturalmente, a evolução da mão de obra e a busca por novas especializações, além da valorização de profissionais que antes eram deixados de lado.

Uma das grandes revoluções foi na área de T.I, onde mais do que nunca, esses profissionais tiveram que se reinventar no ambiente cibernético. Com a pandemia, as pessoas ficaram ainda mais imersas ao ambiente digital: compras por sites e aplicativos para poderem se alimentar; uso de plataformas online para poderem trabalhar e estudar; portais online de atendimento e consultas, são alguns dos exemplos. Mas, para que tudo isso pudesse funcionar com sincronia, os grandes responsáveis por esta maestria são os profissionais da área de T.I, e devido a esse grande consumo, tiveram que se reinventar ainda mais para proporcionar tecnologias melhores, e, consequência disso, foram as exigências por profissionais mais qualificados tais como especialistas em cibersegurança, cientistas de dados, designer, entre outros. E aqui, uma nova reflexão: isto só foi possível graças ao estudo, ao ingresso que essas pessoas decidiram seguir no ensino superior, e que os ajudou a serem esses agentes transformadores diante desta realidade.

Agora vamos além e falar de uma profissão que sempre foi de extrema importância, se tornou ainda mais importante, e terá uma crescente e procura muito alta nos próximos anos: a fisioterapia.

Até então, o público mais leigo, tinha o conhecimento que os fisioterapeutas eram responsáveis apenas por auxiliarem a reabilitação de pessoas, mas, durante a pandemia descobriram que a profissão vai muito mais além: eles são os responsáveis pelo manuseio dos ventiladores mecânicos, aparelho este fundamental por auxiliar na respiração de quem está internado e com problemas respiratórios na UTI. Logo, qual foi a grande demanda dos hospitais e da área do ensino superior: o primeiro a busca por profissionais especializados para o manuseio deste aparelho; o segundo, a oferta para especializar quem já estava graduado e quis se reinventar para poder aprender uma especialização que ainda na graduação não lhe chamou atenção. Graças ao ensino superior e às especializações, vidas foram salvas.  

Já nas profissões que até então eram desvalorizadas em alguns nichos, estão os publicitários, os profissionais da área de comunicação digital, o marketing, os estrategistas. Profissão essa que detém as mentes mais criativas e pensantes para sempre se diferenciar no mercado. Mas, qual foi a crescente? Na pandemia uma grande parcela de executivos que tinham até então um pensamento engessado acerca de introduzir o seu negócio no mundo digital, mas, que por necessidade, tiveram que quebrar esse tabu e confiar nas mãos desses profissionais o seu empreendimento para sobreviver.

E é aí que a criatividade, pessoas especializadas e inovadoras se destacaram, pois, por mais que o mercado de vendas e publicidade das empresas tenha crescido estrondosamente, os que se reinventaram, diferenciaram e fugiram do padrão, obtiveram bons resultados. Reflexão: o que antes tal empreendimento era conhecido somente em sua região, passou a ser conhecido por todo seu município, cidade e estado, graças a esses profissionais da comunicação que um dia estudaram, se identificaram ainda na graduação e seu nicho no mercado. Logo, mais uma vez, o ensino superior salvou, agora, no mercado de trabalho. 

Acredite! Existem diversas instituições de ensino trabalhando para que a mágica da educação continue transformando a vida e a carreira das pessoas. No entanto, entendo que o acesso ao ensino superior ainda é um desafio, por isso, com o objetivo de não prejudicar o início do semestre acadêmico dos alunos que aguardam o resultado do Enem, a Estácio criou um programa para que os novos alunos possam iniciar os estudos imediatamente. Um dos grandes compromissos da Estácio é com a democratização do ensino e garantir a continuidade dos estudos dos futuros alunos. Se o momento está difícil, investir nos estudos é uma das alternativas mais eficientes para enfrentar a crise. Não queremos que esse aluno desista do projeto de ingressar no ensino superior. Estamos falando de sonhos, de futuro, de realizações, de conquistas. Ao longo desses últimos meses, pensamos em maneiras de proteger os alunos, criando uma série de programas para viabilizar a continuidade dos estudos. No ano passado, após a eclosão da pandemia, a Instituição concedeu mais de 30 mil bolsas integrais e flexibilização de pagamento de mensalidades para alunos que sofreram com perda econômica e fechou parcerias com uma grande loja de departamento e com operadoras de telecomunicações para oferecer pacotes e planos de dados com condições diferenciadas para os alunos que precisam de mais recursos para as aulas.

Porque eu trouxe todas essas reflexões? Justamente para poder reafirmar que um dos grandes agentes transformadores para nós podermos nos reinventar é a educação. Por isso, a grande inspiração se materializa quando nos tornamos eternos aprendizes, e esse é o grande conceito por trás do lifelong learning. Aqui, instigamos você a refletir sobre o seu papel na sociedade enquanto agente transformador, e, se você não desistir, der o primeiro passo, você pode sim ajudar a mudar o mundo, deixá-lo mais justo, esperançoso e alegre.

Denis Lopes é reitor da Estácio Brasília, Mestre em Administração e especialista em Docência no ensino superior. Ele será palestrante no Workshop: Lifelong learning – instigando os alunos em seu processo de aprendizado, que acontecerá no dia 16 de abril, durante o GEduc 2021. Inscreva-se!