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A influência do ENEM na Captação de Alunos

Não importa se você é de uma Instituição de Ensino Médio ou de Ensino Superior - o ENEM mudou radicalmente seu processo de captação de alunos.

Se antes as escolas de ensino médio se diferenciavam pela quantidade de aprovados no vestibular da instituição A, B ou C, hoje todas buscam seu lugar ao sol no “ranking” do ENEM – por mais que este ranking não exista oficialmente, a imprensa se encarregou de criá-lo. Os pais de alunos procuram aqueles colégios que estão entre os TOP 10 de melhores colocados do Exame, nacionalmente ou pelo menos dentre os de sua cidade ou região.

Por outro lado, as Instituições de Ensino Superior, que no período PRÉ-ENEM colocavam todo o foco da sua captação de alunos nos chamados Vestibulares Tradicionais, perceberam (ou estão percebendo) que cada vez mais os alunos recém-formados no ensino médio estão dando preferência por aproveitar sua nota do Exame para entrar numa faculdade ao invés de se submeter a mais uma prova.

Sem contar que até 2016, pessoas que não tivessem o diploma do ensino médio, mas tivessem uma nota mínima de 450 em cada uma das quatro provas objetivas e 500 na prova de redação do ENEM, poderiam solicitar diploma de ensino fundamental e médio e, consequentemente, poderiam ingressar numa faculdade.

Somente estes argumentos já seriam suficientes para alterar o panorama na captação de alunos, mas para colocar ainda mais lenha nesta fogueira, diversas universidades públicas passaram a oferecer suas vagas no SISU, sistema que utiliza, novamente, a nota do ENEM para classificar os alunos e distribuir as vagas por todo o país.

E como as instituições de ensino têm reagido a todas estas mudanças?

 

Escolas de Ensino Médio

Apesar de algumas mudanças claras de comportamento dos jovens no que tange a escolha da faculdade, a grande maioria ainda sonha com uma vaga na universidade pública. Formamos um “consciente coletivo” de alta qualidade (apesar dos cortes no orçamento ocorrido nos últimos anos, das constantes greves e consequente perda de ano letivo) em universidades públicas, além da questão financeira, já que nestas universidades não se paga mensalidade. Para entrar nessas instituições, o governo, por meio do MEC, tem fortalecido muito o ingresso unificado pelo SISU. Atualmente 131 instituições públicas (universidades federais, institutos federais de educação, ciência e tecnologia e centros federais de educação tecnológica participantes) oferecem vagas pelo SISU e a tendência é que, num futuro não muito distante, todas elas passem a oferecer. Sabendo disso, as famílias dos jovens que sonham com uma vaga na universidade pública começaram a valorizar os colégios com maior aprovação no ENEM.

Os colégios, por sua vez e levados pelo comportamento do mercado, começaram a se posicionar desta mesma forma. As aprovações que antes eram comemoradas e divulgadas com foco em algumas universidades públicas de grande renome, agora estão totalmente focadas no Exame, dizendo em que lugar do ranking estão, de acordo com as colocações de seus alunos no exame nacional. Ranking este que foi abolido pelas mudanças no ENEM de 2017, mas que até a divulgação dos resultados de 2016 moldaram campanhas de marketing e comunicação, desde o outdoor até o site da instituição.

Por fim, sem esquecer do “quarto poder”, a imprensa e a mídia estimularam este ranking já citado neste texto. Porém, em 2017, com as mudanças do ENEM divulgadas pelo MEC em 09 de março, não teremos mais o resultado por escola. Aguardemos para saber qual será o caminho encontrado pelas criativas áreas de marketing para trabalhar os resultados do exame.

Minha aposta para 2017 é que, mesmo com as mudanças do ENEM, pouca coisa irá mudar – teremos órgãos de pesquisa independentes fazendo o ranking de acordo com a nota dos alunos e a escola que eles estudaram, os pais preocupados em buscar escolas com melhor posicionamento no ranking e colégios fazendo campanhas utilizando este mesmo índice para se destacar diante dos seus concorrentes.

 

Instituições de Ensino Superior

A grande influência do ENEM no Ensino Superior está sendo no DESLOCAMENTO do principal momento de captação de alunos. Se antes o momento forte nas campanhas de verão acontecia entre outubro e dezembro, e janeiro e fevereiro funcionavam apenas como vagas remanescentes, com a divulgação do FIES este cenário se inverteu.

Voltando para o sonho das famílias e dos jovens, que é conseguir uma vaga nas universidades públicas, a maioria destes jovens que saíram do ensino médio e participaram do ENEM esperam a divulgação da nota deste exame para concorrer a uma vaga no SISU e, somente depois que percebem que não conseguiram uma vaga, começam a se movimentar para entrar no ensino superior privado. Ou seja, o grande “boom” de matrículas nas instituições privadas está acontecendo em janeiro e se alongando para fevereiro.

Por outro lado, dos 4,7 milhões de alunos entre 18 e 24 anos que fizeram o ENEM em 2015, apenas 1,7 ingressaram no ensino superior, pois 85% destes jovens fizeram o ensino médio em escolas públicas e, quando não conseguem uma vaga no SISU, tentam o FIES e o PROUNI. Se não conseguem, muitas vezes desistem.

Diante deste cenário, ainda vejo muitas instituições privadas dando mais ênfase na captação por meio de vestibulares tradicionais e com pouco ou menor foco em captação por ENEM. Quando falo de Captação por ENEM, não significa coletar as notas do Exame do seu candidato, aguardar a prova do tradicional e rodar um processo de classificação colocando todos no mesmo bolo. Estou falando de ter processos seletivos independentes para quem pretende ingressar usando sua nota do ENEM, com classificação instantânea. Ou seja, se seu candidato possui nota do Exame maior que a nota de corte do curso que você oferta em sua instituição, porque não matricular este aluno instantaneamente?

Minha aposta para o futuro próximo é de que cada vez mais os candidatos irão utilizar sua nota do ENEM para ingressar no Ensino Superior e cada vez menos teremos vestibulares tradicionais nas instituições.

E para quem não tiver ENEM? Vestibular agendado – Conveniência e facilidade para seu futuro aluno.

Boa captação!

 

Daniel Antonucci é CEO e Líder Educador na CRM Educacional e foi palestrante no GEduc 15 anos durante a XIII Jornada de Marketing Educacional. Saiba como foi o GEduc 15 anos