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Grandes grupos na Educação Básica: ameaça ou oportunidade?

O mercado de Educação Básica passa por significativas mudanças em nosso país. Grandes grupos nacionais e investidores movimentam o setor, caracterizado por sua pulverização, com a predominância de pequenas instituições com gestão familiar.  Movimento semelhante ocorreu a partir dos anos noventa com as instituições de ensino superior, que passaram por processos de fusões, aquisições e abertura de capital em bolsa de valores.

Os grandes grupos justificam o seu interesse no setor afirmando tratar-se de business com “receita recorrente” e, teoricamente, menos afetado pelas idas e vindas da economia. A profissionalização da gestão e o uso intensivo de tecnologia irão gerar ganhos de escala e aumento considerável no retorno do capital investido. O que todos sabemos, entretanto, é que um dos principais trunfos do setor é a eterna ineficiência do Estado em oferecer educação minimamente decente, aumentando o espaço da iniciativa privada. O apetite dos investidores hoje prioriza escolas com valor de mensalidade elevado e situadas em regiões nobres; dentro em breve o radar certamente apontará escolas mais populares e localizadas em subúrbios e áreas periféricas.

Aos que enxergam o movimento como ameaça, é certo informar que não há volta, pois os grandes grupos estão com dinheiro em caixa e bastante apetite para aquisições. Vale a pena lembrar que existe um movimento global de grandes investidores atuando no mercado de educação básica privada, o mercado financeiro descobriu que educação, quando bem administrada, é rentável. A saída é a profissionalização da gestão das escolas, com o fim do corporativismo ainda forte entre os docentes, do emprego de familiares sem qualquer tipo de critério e de gestão administrativo-financeira amadora. Também é fundamental a criação de um plano de sucessão: muitos fundadores estão em idade avançada e, se desejam que o seu sonho se perpetue, têm de pensar em “passar o bastão” de forma planejada.

Aos que enxergam como uma oportunidade para embolsar um bom dinheiro com a venda da instituição que criaram, o recado é simples: estejam preparados para negociar! Do outro lado estarão financistas afeitos a cálculos de rentabilidade, valor presente, margem ebitda e outros indicadores financeiros. Ou seja, tanto melhor será o preço de venda da instituição quanto melhor for a sua capacidade de entender o valor do seu negócio e a dinâmica dos cálculos financeiros.

Estando você entre os que sentem ameaças ou os que vislumbram oportunidades, o importante é entender que as mudanças estão ocorrendo, quer queiramos ou não – a pior postura é a dos que fingem não ver as mudanças. O papel dos sindicatos de escolas dentro desse contexto é relevante, no sentido de fomentar o debate e promover cursos e palestras de capacitação para as escolas: estejamos preparados, quer enxerguemos ameaças ou oportunidades.

Frederico Venturini Barbosa é Diretor Administrativo Financeiro da Educarte Escola e Tre-Le-Lê Creche Escola.