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Gestão Educacional

O Novo Papel da Escola: Socorro! Teremos EaD?

Há alguns anos estudando tecnologias no ensino e trabalhando com Educação a Distância em Universidades, percebi que a “corrida desenfreada” na área da educação para a inserção das novas possibilidades de se ensinar e de aprender com recursos digitais, conectados ou não, criou um sistema que, se não bem planejado e controlado, poderá fazer com que o ensino digital de qualidade fracasse.

Muito se discute que a sala de aula precisa se modernizar, mas o advento das tecnologias no ensino é suficiente para isso? Já respondo que não!

Mesmo com a inserção de capacitações em metodologias ativas, novas formas de ensinar e mil possibilidades a nossa frente na educação, ainda nos deparamos com um ensino tradicional, pautado na transmissão de conhecimento.

Assim, nos perguntamos: os dirigentes, professores e alunos, estão sendo preparados de forma adequada para toda essa mudança?

Tudo está acontecendo de forma muito rápida, em poucos anos o que você aprendeu fica obsoleto, então, como trabalhar num período em que além da informação ser mutante e perecível, desafia nossos costumes, crenças e até mesmo nos tira da “zona de conforto” que estávamos?

A sala de aula do futuro deve ter muito mais do que apenas a inserção de recursos tecnológicos, ela deve converter o sistema atual de transmissão de informação em modelos reais de aquisição do conhecimento. Para isso, não basta uma transformação digital, se os métodos não se aliam aos recursos.

A necessidade de se elaborar um currículo adequado, que fomente um plano de aulas que privilegie as diversas formas de aprendizado dos alunos em formatos híbridos, adaptativos e disruptivos, é o que as escolas deveriam se preocupar e não apenas qual tecnologia de ponta devem adquirir. Projetos educativos, ambientes educacionais e todos os envolvidos no sistema educacional, devem estar preparados para as mudanças que estão por vir.

A preocupação com o ensino básico não é atual, pois indicadores ruins demonstram, claramente, onde o Brasil se encontra no quesito relacionado à qualidade de sua educação e, neste cenário, estamos falando da avaliação obtida pelo ensino presencial.

Com a proposta do CNE de autorizar a Educação a Distância no ensino médio, como sendo uma solução viável, que enriquecerá o modelo e irá torná-lo mais atraente e eficaz, atingindo regiões e indivíduos que apresentam dificuldade de assistir as aulas presenciais, muitas escolas estão resistentes e debatem sobre essa inserção. Mas será mesmo que o ensino a distância será o grande “vilão” deste debate? O que fazemos nas instituições com aulas presenciais para mudarmos os indicadores que elas apresentam no ENEM, por exemplo?

Se não pensarmos em mudar a forma como ensinamos, essa geração de alunos não irá querer ir para as escolas, porque ela não é atrativa, ela não atende suas necessidades, então, o que devemos fazer?

Frente a isso, a escola terá de se mobilizar e se adaptar, ou seja, trata-se de um caminho sem volta.

Inserir 20% a 30% da carga horaria do curso em modelos digitais, não é onde vejo o problema, complicado será se a estratégia adotada pela escola para isso não for coesa, adequada e embasada na cultura e valores da instituição.

É bom lembrar aqui, que estamos vivendo a 4ª revolução tecnológica e que o mercado de trabalho também está mudando, assim sendo, da mesma forma, precisamos preparar professores e alunos para ele.

Certamente, o primeiro passo será capacitar dirigentes, coordenadores e docentes para a reformulação de seus currículos escolares, bem como, para o uso consciente e adequado das tecnologias no ensino, promovendo um movimento de quebra de paradigmas e novas perspectivas, sempre em prol da qualidade.

O professor, realmente, deverá assumir o papel de mediador e formulador de raciocínio, diminuindo ou eliminando o tempo de explanações, exclusivamente, teóricas. As aulas deverão combinar, basicamente, a aprendizagem colaborativa, por projetos, com o uso de tecnologias de educação (conectada ou não) e a explanação do professor, em um formato remodelado.

Este modelo possibilitará a flexibilização e, de forma gradativa, a redução das aulas tradicionais, que geram alunos passivos e desmotivados, dando espaço para estimular o pensamento crítico e reflexivo, para a pesquisa, a curiosidade e ao crescimento individual do aluno, com base em seus interesses, conhecimentos e experiências. Inserir a possibilidade de aprofundamento das discussões, propondo projetos e soluções de problemas com foco no aprendizado significativo, poderá ser um grande diferencial com o uso das tecnologias digitais conectadas.

Certamente, não será um caminho e uma implantação fácil, mas com educadores engajados, fortalecidos pelo mesmo objetivo de se ter um ensino de qualidade e sua valorização profissional restabelecida, poderemos sair do patamar que nos encontramos para podermos, enfim, fazer a diferença na vida dos alunos.