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Gestão de Pessoas

O papel da Governança Corporativa em tempos de crise

A Governança Corporativa representa a alta administração das empresas, é o ambiente onde os sócios tomam as principais decisões, definem as diretrizes e objetivos estratégicos e controlam sua atividade e sua performance.

As boas práticas de Governança Corporativas são constantemente ligadas e têm referência ao bom desempenho, à performance diferenciada e ao valor que agregam às companhias.

Mas, exatamente por ser um ambiente onde os donos atuam no exercício de seu poder, também nos momentos de crise a Governança Corporativa tem que mostrar seu valor, com uma atuação orientada para o que é mais crítico e urgente, voltada para a sobrevivência da empresa, além de trabalhar para buscar alternativas que permitam à empresa, ao sair da crise, ter força suficiente para seguir em boas condições de competir nos seus mercados.

Empresas que não têm práticas de governança formais e produtivas, sempre dependerão das decisões de seus donos, para implementar ações corretivas contra os problemas que a cercam. Muitas dela conseguem sair vivas, mas a centralização na cabeça de um dono, ou do grupo de sócios, aumenta os riscos que enfrentarão.

Podem existir alguns agravantes em empresas que não têm sua governança estruturada.

Em um cenário como o atual, é muito natural que a pressão sobre os donos seja potencializada, inclusive evidenciando a falta de alinhamento na sociedade, trazendo para os colaboradores uma sensação de nau sem rumo no meio de uma tempestade, cujos comandantes não conseguem definir claramente entre acelerar ou reduzir a velocidade, virar a bombordo ou estibordo.

Viver uma situação como esta pode ser um bloqueador para que bons profissionais consigam contribuir com a busca de soluções, até por uma questão de autoproteção, já que poderiam invadir uma tensão societária, localizada acima da sua posição executiva.

A vantagem que uma boa governança traz para as empresas inicia-se exatamente no alinhamento entre os sócios e nas regras formais de utilização de poder deliberativo, que nasce nesta relação, para posteriormente ser escalonada para a empresa, nas políticas de alçadas dos demais níveis de liderança da empresa.

Outro aspecto relevante é que a empresa pode contar com um ambiente colegiado, que agrega diferentes visões e expertises, ao instalar um Conselho de Administração, mesmo que em caráter consultivo, com a participação de conselheiros externos e independentes. Entre os diversos ganhos que este órgão traz para a administração, inclui-se o de enriquecer a análise e as deliberações que darão os direcionamentos e as principais metas para os gestores e a operação.

No mundo da COVID-19, uma estrutura de administração profissional e alinhada pode fazer toda a diferença na sobrevivência de uma empresa, pois logo cedo, antecipando acontecimentos, deve ter começado a avaliar riscos, impactos, possibilidades de soluções e caminhos para resistir a este mal que transcende a saúde, bate de frente com a economia, com os ambientes empresariais e englobarão toda a sociedade nos sintomas que uma crise sem precedentes está trazendo.

Os sócios e os conselheiros devem estar totalmente voltados para discussões de sobrevivência, não há tema mais importante neste momento. Uma alternativa muito válida é a instalação de um comitê de crise, entre os conselheiros e as principais lideranças de todas as áreas da empresa, agilizando os processos de análise e as decisões, de forma alinhada.

Qualquer outro projeto, que não esteja ligado a como sobreviver à crise, deve ser pausado, para posterior reavaliação, uma vez que, dependendo do que acontecer no mercado, estes projetos nem farão mais sentido de serem implementados futuramente.

Os executivos devem ser instados a atuar de forma espartana sobre o caixa da empresa e em uma gestão obsessiva de custos, para limpar qualquer ralo de desperdício de recursos.

A boa governança corporativa tem os requisitos necessários, para trazer às empresas o equilíbrio do uso do poder e a tempestividade das decisões mais críticas que este momento nos exige.

Luiz Marcatti é Sócio e Presidente da Mesa Corporate Governance e foi palestrante no GFin 2020 – XII Fórum Nacional de Gestão Financeira de Instituições de Ensino.