Aquecimento GEduc 2026: confira como foram as 3 lives preparatórias do evento
- HUMUS

- 16 de dez. de 2025
- 7 min de leitura
Encontros online contaram com especialistas que falaram sobre Educação Profissional e Tecnológica, inspiração de equipes em tempos de exaustão e implementação de uma cultura de inovação
Enquanto educadores e gestores aguardam o GEduc 2026 -- o maior Congresso Brasileiro voltado à Gestão Educacional, que vai acontecer entre 25 e 27 de março, em São Paulo (SP) -- a organização do evento preparou três encontros exclusivos, online e gratuitos, para inspirar líderes e antecipar as discussões que vão pautar o congresso.
Conduzidos por Sonia Simões Colombo, head de conteúdo do GEduc, CEO da HUMUS Educação e presidente do Instituto ELA Educadoras do Brasil, os bate-papos aconteceram nos dias 17, 18 e 19 de novembro e contaram com a participação de três especialistas convidados: Francisco Borges, Vice-Presidente de Regulação do Centro Universitário UniAmérica – Descomplica e Diretor Acadêmico da Faculdade XP; André Guadalupe, Cofundador e Diretor Executivo do Colégio Planck, em São José dos Campos (SP); e Ricardo Ponsirenas, Reitor dos Centros Universitários FMU e FIAM/FAAM.
Confira, a seguir, os principais momentos de cada uma das lives.
O professor Francisco Borges destacou pontos essenciais sobre o futuro da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) no Brasil. Segundo ele, a EPT deve ser entendida como uma política pública estratégica, capaz de responder a demandas reais do país -- uma nação em desenvolvimento -- e às necessidades atuais do mercado de trabalho. Borges enfatizou que a EPT cresce justamente porque atende a uma importante demanda nacional: formar de modo ágil profissionais qualificados e ampliar as oportunidades de inserção produtiva.

Ele destacou que um aspecto dessa política é o protagonismo dos estados, ao terem a possibilidade de desenhar seu plano de ação e identificar quais carreiras importam no contexto produtivo de cada região. Os municípios também vão poder ofertar a Educação de Jovens e Adultos (EJA) com profissionalização, em uma nova estratégia para esses estudantes aprenderem, contextualizando o conhecimento. E a iniciativa privada pode ser um agente relevante para atender a demanda por vagas de cursos técnicos. O governo federal está habilitando instituições privadas que poderão ofertar cursos técnicos dentro dessa política.
O professor também comentou sobre o programa "Juros por Educação”, em que o governo federal oferece redução das taxas de juros anuais das dívidas dos estados com a União em contrapartida à expansão de matrículas de educação profissional técnica de nível médio. De acordo com Borges, essa política representa uma forma inteligente de estimular a expansão da educação profissional ao mesmo tempo em que promove o equilíbrio federativo.
Percurso formativo
Outro aspecto abordado por Borges foi a integração entre a educação profissional, o ensino médio e o ensino superior. Ele explicou que o país caminha para um modelo no qual toda a aprendizagem desenvolvida em cursos técnicos poderá ser aproveitada posteriormente em uma graduação, garantindo continuidade formativa. Assim, estudantes que vivenciarem projetos, módulos ou componentes curriculares técnicos no Ensino Médio poderão aproveitar essa formação no Ensino Superior.
Para ele, essa integração tem um objetivo claro: ampliar o horizonte dos jovens. ‘Ao permitir que a formação técnica faça parte da trajetória rumo à graduação, o sistema educacional incentiva o estudante do Ensino Médio a visualizar novas possibilidades acadêmicas e profissionais, fortalecendo a ideia de que o Ensino Superior é uma extensão natural de seu percurso formativo”, afirmou.
No GEduc 2026, ele vai trazer alguns resultados dessa política pública e mostrar o que vem acontecendo nos estados e municípios com o apoio do governo federal.
Confira sua mensagem para as lideranças educacionais: “A Educação Profissional e Tecnológica pode ser o grande elo de integração entre a Educação Básica e o Ensino Superior – e a legislação permite isso. A EPT tem um papel importante ao contextualizar o aprendizado e mostrar a sua aplicação prática e imediata. No contexto atual, o Estado tem dinheiro, estratégia e política. Mas os grandes executores, com maior capacidade de produção, são da iniciativa privada. Parceria de política pública com recursos do Estado e execução bem elaborada pela iniciativa privada vai ser o diferencial. E a EPT pode ser o agente de conexão de tudo isso.” |
O professor André Guadalupe apontou que, em um contexto em que os profissionais estão cada vez mais cansados e sobrecarregados, um erro comum que os gestores podem cometer é confundir engajamento com intensidade. “Muitas vezes, as pessoas acham que engajamento é estar sempre com novos projetos, atividades e desafios. Mas esse volume de trabalho gera esgotamento. O verdadeiro engajamento vem do sentido. Fazer mais não é o mais importante. O que importa é saber por que está fazendo”, ressaltou.

Segundo ele, o líder que tenta engajar apenas por cobrança ou controle acelera o cansaço. “Mas, se é pelo propósito -- melhorar o aprendizado dos alunos, fortalecer vínculos com as famílias, ter ambiente inspirador, por exemplo – ele desperta uma energia positiva. É uma diferença sutil, mas é muito transformadora.”
Além do sentido, outro conceito que deve estar sempre presente nas organizações, de acordo com ele, é a escuta empática. Ele considera que, quando o líder ouve genuinamente, sem julgar ou tentar achar uma resposta imediata, procurando realmente entender as dores e dificuldades daquele professor, esse educador se sente acolhido e respeitado. “Ele abraça a causa e vai ser o melhor professor que conseguir, pois se sente pertencente. Isso muda o clima, o engajamento e a produtividade, e a escola prospera.”
O Cofundador e Diretor Executivo do Colégio Planck lembrou ainda que “é o exemplo que move o líder, assim como a autenticidade e a coerência entre seu discurso e suas práticas, e não o seu cargo ou crachá.”
Importância da cultura de inovação
Para Guadalupe, é preciso trabalhar diariamente com o time, de forma consistente e insistente, para construir a cultura organizacional que se deseja. Ela pode ser transformada com pequenos passos diários, escuta mais atentas e decisões mais participativas. O líder deve saber comunicar e celebrar o que acredita ser importante, com transparência e podendo assumir erros, o que contribui para um ambiente com menos estresse e fadiga. “A liderança precisa ser um pouco bússola e um pouco escudo. No sentido de direcionar o time para o que realmente importa e proteger e cuidar dele”, salientou.
Sobre a construção do futuro, tema do GEduc 2026, ele acredita que ela passa por “identificar as pequenas conquistas do presente, ajustar o time para estar alinhado com propósito e ter transparência para comunicar aonde quer chegar e qual transformação quer gerar”.
Confira sua mensagem para as lideranças educacionais: “Não desista do seu propósito e do que você acredita. A liderança é um privilégio raro, pois tem poder de transformação -- da vida dos alunos, do time e da sua própria vida a partir dessas interações. Cuide de si mesmos, com hábitos que podem deixá-lo mais reconstruído a cada dia. Cerque-se de pessoas que têm o mesmo propósito, entenda que vão ter dias bons e outros nem tanto e celebre pequenas vitórias. Escola é ter esperança no futuro e acreditar nas pessoas.” |
Ricardo Ponsirenas destacou que a inovação é um desafio não só para o ensino, mas para qualquer empresa. Isso porque inovar é um processo demorado e difícil: dói, incomoda, gera desconforto e requer tempo e esforço para acontecer – planejar, implementar e trazer resultados.
Pensando na implementação, ele disse que é preciso que a liderança traga uma visão de futuro inspiradora e ousada, que deve ser compartilhada com o time e com a comunidade acadêmica. "Talvez a maior dificuldade seja criar essa visão e comunicá-la. Ela tem que fazer sentido para as pessoas e ser um bom motivo para compensar esse esforço."

Na sequência, é necessário que o líder tenha uma espécie de coragem institucional para fazer escolhas difíceis e criar uma cultura de resolução de problemas. Pois a inovação pressupõe ter uma solução melhor do que a atual.
Tudo isso só vai se concretizar, segundo ele, se a liderança conseguir criar um ambiente seguro e de escuta, pois é necessário entender os problemas para poder resolvê-los.
Outro ponto que Ponsirenas ressaltou é que "a inovação não surge no vácuo". Ela necessita de repertório, o qual é obtido estudando, se informando, trocando ideias e participando de eventos, como o GEduc. “O congresso sempre foi uma importante fonte de informação e uma forma de olhar para o futuro, se inspirar e entender o cenário, além de encontrar pessoas que estão fazendo as coisas acontecerem.”
Superando dificuldades
Entre os maiores obstáculos para implementar uma cultura de inovação, o Reitor dos Centros Universitários FMU e FIAM/FAAM citou a inércia de fazer uma coisa como ela sempre foi feita. Por isso, é importante que o líder fique vigilante para mudar e conseguir manter o time focado em inovar. Nesse contexto, ele lembrou de uma frase de Amyr Klink que diz “não são as grandes ondas que tiram os navegadores do seu rumo, mas as pequenas, que não produzem grandes impactos, mas vão desviando do caminho da inovação”.
Nesse sentido, uma das maneiras de instigar a equipe a agir em prol da inovação é fazendo as pessoas se sentirem “donas” do processo e perceberem que suas ideias estão sendo viabilizadas e implementadas.
Ponsirenas também defendeu que a inovação no ensino não deve ser encarada apenas como adoção de tecnologia, mas como uma forma de reorganizar processos, promover autonomia das equipes e construir ambientes que permitam testar, errar, aprender e evoluir. Para ele, essa postura é o que posiciona as instituições de ensino para enfrentar desafios emergentes e aproveitar oportunidades futuras.
Confira sua mensagem para as lideranças educacionais: “O primeiro passo para a inovação é reconhecer que você precisa dela. É admitir que você pode fazer melhor e ter uma entrega mais legal para o seu aluno. Para isso é importante buscar repertório, conversar com outras pessoas, conhecer outros mercados, participar de eventos como o GEduc e estar aberto a novas ideias. E entender que não vai resolver as coisas sozinho e buscar sua própria visão sobre o negócio.” |







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