Busca por novas fontes de receita garante a sustentabilidade e a função social das IES
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Ações devem estar alinhadas à missão acadêmica das instituições -- a geração, a mediação e a difusão do conhecimento por meio do ensino, da pesquisa e da extensão
Nos últimos anos, a diversificação de fontes de receita se tornou uma necessidade para muitas instituições de ensino superior. Isso deve a diversos motivos, como a elevação dos custos operacionais e as mudanças no perfil dos estudantes, que buscam cursos mais curtos e flexíveis, diminuindo a procura por graduações tradicionais.
Evania Schneider, reitora e professora da Universidade do Vale do Taquari (Univates), localizada em Lajeado (RS), acrescenta ainda outros fatores que contribuem para esse cenário. Ela cita o crescimento da educação a distância no país -- que ocorreu de forma mais expressiva a partir de 2017 e de modo acelerado em 2020 devido à pandemia de Covid-19 – e a queda significativa no número de alunos beneficiados pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), a partir do “Novo FIES", instituído pela Lei nº 13.530/2017. “Esse declínio no FIES é resultado de uma combinação de mudanças nas regras do programa, alta inadimplência e também de cenários econômicos desfavoráveis”, aponta.
A reitora também reforça que, para manter a qualidade do ensino e fazer frente à concorrência, é preciso realizar investimentos na formação contínua dos professores e em inovação, tecnologia e infraestrutura.
Novas fontes de recursos
Assim, para garantir a sustentabilidade financeira, as Instituições de Ensino Superior (IES) estão cada vez mais buscando novas fontes de receita. Evania destaca a importância de realizar esse movimento “sem perder a essência da Educação Superior, que é a geração, mediação e difusão do conhecimento por meio do ensino, da pesquisa e da extensão”. Ela descreve algumas iniciativas da Univates nesse sentido:
· cursos livres e de educação continuada: “seja no formato presencial, a distância ou semipresencial, atendem bem os profissionais que buscam por formatos de ensino flexíveis, focados na atualização, aperfeiçoamento e desenvolvimento de habilidades específicas”;
· parcerias com o setor privado: “para a realização de projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), mas também com formação especializada, o que pode se dar, inclusive por meio da implementação de universidades corporativas”;
· parcerias com o setor público: “para prestação de serviços, em diferentes áreas de conhecimento da IES, como formação continuada de professores que atuam na rede de ensino básico, na área da saúde e em outros serviços especializados”;
· locação da infraestrutura para eventos empresariais, culturais e educacionais;
· utilização de laboratórios especializados para prestação de serviço;
· serviços de consultoria.
Segundo a reitora, a receita gerada por essas outras fontes de receitas -- que não a formação superior -- já representam quase 40% do faturamento da Univates. Ela salienta o alinhamento dessas ações à missão da universidade, “pois contribuem para a formação e qualificação das pessoas e das organizações e o desenvolvimento da sociedade”.
ICTs e educação corporativa
Evania considera que as Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICTs) e a educação corporativa são opções estratégicas para as IES, porque permitem que elas inovem, aumentem sua competitividade e desenvolvam seus profissionais de forma contínua, por meio da adaptação rápida às mudanças do mercado. “Enquanto as ICTs transformam pesquisas em soluções práticas, como produtos, processos ou serviços, a educação corporativa foca no desenvolvimento de competências necessárias para os profissionais, de acordo com o core business”, ressalta.
Ela explica que as ICTs são entidades da administração pública ou privada, sem fins lucrativos, que têm como principal objetivo realizar atividades de pesquisa básica ou aplicada de caráter científico ou tecnológico, com viés inovador. Entre as principais formas de geração de receita de uma ICT estão:
· financiamento de empresas e agências governamentais para projetos específicos;
· licenciamento de tecnologia, recebendo royalties ao licenciar patentes e Propriedade Intelectual (PI) desenvolvidas;
· prestação de serviços tecnológicos, como ensaios, testes, calibração e consultorias técnicas;
· orientação para empresas acessarem incentivos fiscais, como a Lei do Bem (Lei 11.196/05) ou Lei da Informática (Lei 8.248/91, reformulada pela Lei 13.969/19), ao realizarem projetos de parceria por meio desses instrumentos;
· participação em startups geradas em parceria;
· fomento à participação das empresas em todo o ecossistema de inovação, criando espaços de troca e utilização da sua estrutura.
Já a educação corporativa, detalha a reitora, é focada em desenvolver conhecimentos, habilidades e competências nos profissionais, alinhando-os à cultura e às estratégias de negócio das organizações. “Vai além do treinamento tradicional, promovendo a aprendizagem contínua (lifelong learning)”, afirma. Algumas das principais formas de geração de receita com educação corporativa incluem:
· implantação de universidades corporativas: estruturas internas (físicas ou virtuais) que oferecem cursos personalizados;
· capacitações a distância: com o uso de plataformas, e-learning, microlearning (pílulas de conhecimento) e gamificação;
· atividades de Treinamento e Desenvolvimento (T&D), por meio de workshops, palestras e mentorias focadas em competências técnicas e comportamentais.
Para Evania, a diversificação dos serviços prestados pelas IES não tem a função apenas de equilibrar as contas, mas também de promover inovação, agilidade na gestão e competitividade da instituição. “Novas oportunidades para as áreas de ensino, pesquisa, extensão e inovação podem surgir a partir da prestação de serviços”, finaliza.

Evania Schneider, reitora e professora da Universidade do Vale do Taquari (Univates) vai falar sobre “Novos modelos de geração de receita para IES: ICTs a Corporate Education” no GEduc 2026.
Confira sua mensagem aos educadores e gestores escolares:
“Nossas IES têm um potencial enorme, pois concentram conhecimento produzido de forma contínua, por meio de profissionais altamente qualificados. Preservar tais instituições e as pessoas que nela atuam é fundamental. Nesse sentido, a busca por novas fontes de receita não se configura somente como uma estratégia de sustentabilidade. Ela é também uma função social, pois garante a continuidade da produção de conhecimento e do serviço prestado à sociedade.”
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