Para além do conteúdo, instituições de ensino devem oferecer experiências e criar vínculos com os alunos
- HUMUS

- 13 de jan.
- 4 min de leitura
A qualidade desses laços e o sentimento de pertencimento geram engajamento, permanência, reputação orgânica e “cultura de fã” para a marca educacional
Mais do que ensinar conteúdos e preparar os alunos para os desafios do mundo do trabalho, as escolas e instituições de ensino superior têm o potencial de transformar trajetórias, ampliar horizontes e abrir portas para oportunidades pessoais e profissionais que vão impactar toda a vida do estudante.
Quando elas conseguem cumprir esse papel com excelência, elas criam a chamada “cultura de fã” -- a capacidade de criar vínculos tão fortes com os alunos, fazendo com que eles deixam de ser apenas estudantes e se tornam “defensores emocionais” da experiência que viveram.
“É quando o aprendizado, o pertencimento e a narrativa da escola ou faculdade se estendem para além da sala de aula e acompanham a pessoa por toda a vida.
Na prática, é transformar a jornada educacional em algo memorável, significativo e que faz sentido para a identidade do aluno”, diz Thiago Leite de Abreu e Silva, professor da Link School of Business. Ele atua há mais de 20 anos com inovação, branding e storytelling estratégico, com foco em transformação cultural e posicionamento de marca.
Segundo ele, que também é mentor em sua consultoria própria, onde desenvolve e aplica sua metodologia autoral de cultura de fã, isso importa porque aprendizagem é emoção, e o impacto duradouro nasce do vínculo, não do conteúdo isolado. “Quando existe fã, existe engajamento, permanência, reputação e uma comunidade viva em torno da marca educacional”, afirma.
Como conquistar a cultura de fã
Criar essa cultura, no entanto, exige esforço e estratégia da gestão. Thiago explica que a cultura de fã nasce de três pilares principais:
1. Propósito claro. O aluno precisa saber exatamente para onde está sendo levado e por que aquilo importa para sua vida. “Propósito sem leitura estratégica vira decoração. Propósito bem aplicado vira bússola emocional”, reforça.
2. Experiências memoráveis. Não basta ensinar. É preciso encenar, envolver, provocar, mover. Cada aula, cada processo, cada interação deve carregar intenção emocional e narrativa.
3. Engajamento. A instituição deve organizar sua relação com o aluno em ciclos que criam expectativa, evolução e pertencimento, como séries que o público não quer parar de acompanhar e aguarda ansiosamente a próxima temporada. E em todas essas camadas, o uso de frameworks estruturados, como o Framework de Cultura de Fã, ajuda a transformar estratégia em prática, criando consistência e escalabilidade.
Nesse processo, de acordo com ele, alguns dos maiores desafios são internos. O primeiro deles é acreditar que a experiência é tão estratégica quanto o currículo. Outro desafio é sair da lógica de processos frios e adotar uma cultura que valoriza emoção, presença e vínculo. Também é importante integrar todos os atores -- corpo docente, coordenação, secretaria, atendimento -- para que a experiência seja coerente do começo. E, ao fim, medir aquilo que é invisível: pertencimento, expectativa, narrativa e engajamento emocional. “Isso pode ser feito por meio dos indicadores que são criados a partir das experiências pensadas no framework. Mais do que implementar novas ferramentas, é uma mudança de mentalidade: é entender que alunos não somem quando existe vínculo”, ressalta o professor e consultor.
Embaixadores para sempre
Quando um egresso se torna embaixador, ele volta, recomenda, valoriza e protege a instituição, além de se engajar em projetos, mentorias e parcerias, tendo uma contribuição ativa. “Ele também cria reputação orgânica, algo que nenhum anúncio consegue comprar, e vira prova viva do impacto pedagógico e cultural da escola”, salienta Thiago. Isso reforça a credibilidade acadêmica e emocional e, no longo prazo, cria-se um ativo raríssimo: uma comunidade que cresce sozinha porque acredita no que viveu.
Um exemplo que ele cita é o MIT Media Lab, que construiu uma comunidade global de egressos profundamente conectados ao propósito da instituição. “O que faz esse modelo funcionar não são apenas os projetos de ponta, mas a cultura de pertencimento, colaboração radical e narrativa compartilhada”, avalia. “Egressos participam de mentorias, eventos, conselhos, laboratórios e continuam ligados afetivamente por décadas”, completa. “O resultado é uma marca educacional que atravessa gerações, e isso não se cria só com conteúdo, mas com comunidade e narrativa.”
Para ele, é preciso assumir que a educação vive hoje uma disputa pela atenção e relevância. “Quem promete apenas ‘formação’ perde espaço. Quem entrega vivências, comunidade, narrativa e transformação cria fãs, que permanecem, se engajam, contribuem e carregam a marca educacional para onde vão.”
Thiago Leite de Abreu e Silva vai falar sobre “Cultura de fã na educação: como transformar egressos em embaixadores para toda a vida” no GEduc 2026.
Confira sua mensagem aos educadores e gestores escolares:
“Educar é criar vínculos que atravessam o tempo. O mundo mudou, os alunos mudaram e as expectativas mudaram. A pergunta agora é simples: sua instituição está preparada para criar experiências que transformem alunos em fãs e egressos em embaixadores? Porque a educação do futuro não será medida apenas pelo que o aluno aprende, mas pelo que ele leva consigo e como ele fala da instituição depois de ir embora.”
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