Inovação deve fazer parte da cultura e da estratégia organizacionais
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Em um mundo em contante transformação, implementar novas práticas, processos e soluções nas instituições de ensino qualifica a formação dos estudantes e fortalece a relevância da Educação Superior
Por Manuir Mentges*
No âmbito educacional, inovar pressupõe compreender as novas necessidades da sociedade e realizar as mudanças disruptivas ou incrementais que se impõem, sobretudo no processo de ensino e aprendizagem e pesquisa aplicada. A inovação deve responder a desafios reais e preparar os estudantes para lidar com contextos complexos e em constante transformação. Nesse sentido, ela é um compromisso contínuo com a qualidade, a relevância social e a transformação do processo educativo.
Currículos flexíveis, metodologias ativas, uso inteligente de tecnologias digitais, incentivo à pesquisa aplicada e à transferência de conhecimento são exemplos de escolhas estratégicas que fortalecem a relevância social da universidade por meio da inovação. Mas a inovação, na perspectiva do ensino superior, ultrapassa a adoção pontual de tecnologias ou a criação de projetos isolados. Ela se consolida quando se torna cultura institucional e, ao mesmo tempo, estratégia organizacional, orientando decisões acadêmicas, administrativas e pedagógicas de forma contínua e sustentável.
Criação de uma cultura de inovação
Como cultura, a inovação se manifesta em valores compartilhados, como a abertura ao novo, o estímulo à criatividade, a valorização da experimentação e a aceitação do erro como parte do processo de aprendizagem. Instituições inovadoras incentivam docentes, estudantes e técnicos a questionarem práticas consolidadas, a proporem soluções e a colaborarem de maneira interdisciplinar. Esse ambiente favorece a formação de sujeitos críticos, autônomos e preparados para lidar com problemas complexos da sociedade contemporânea.
Nesse processo, o papel da gestão é ser responsável pela estratégia, ou seja, buscar intencionalidade, planejamento e alinhamento com a missão institucional, uma vez que ela orienta investimentos, políticas acadêmicas, modelos pedagógicos, pesquisa, extensão e relações com a sociedade e o setor produtivo.
Assim, quando cultura e estratégia caminham juntas, a inovação deixa de ser episódica e passa a ser estruturante. O ensino superior cumpre plenamente seu papel de formar profissionais e cidadãos capazes de transformar realidades, antecipar desafios e contribuir para o desenvolvimento científico, social e econômico do país.
Por outro lado, o risco de não inovar significa a perda de relevância acadêmica e social. Instituições que permanecem presas a modelos pedagógicos, curriculares e de gestão ultrapassados tendem a se distanciar das demandas dos estudantes, do mercado de trabalho e da sociedade.
Desafios e responsabilidade estratégica
O caminho da inovação, no entanto, não está isento de desafios. Um deles é a resistência à mudança, muitas vezes associada a culturas institucionais tradicionais. Superá-la exige liderança comprometida, comunicação clara sobre os propósitos da inovação e envolvimento ativo da comunidade acadêmica nos processos decisórios. Outro desafio é a falta de alinhamento estratégico, por exemplo, quando iniciativas inovadoras surgem de forma fragmentada. Para contorná-la, é fundamental integrar a inovação ao planejamento institucional, definindo prioridades, metas e indicadores claros.
Além disso, um ponto fundamental também é olhar para a formação e capacitação de docentes e gestores, especialmente frente às novas metodologias e tecnologias. Investir em desenvolvimento profissional contínuo e criar espaços de experimentação e troca de experiências são caminhos essenciais.
Por fim, vale reforçar que inovar em educação não é uma opção; é uma responsabilidade estratégica. Quando a inovação se torna cultura, orientada por propósito e alinhada à missão institucional, ela fortalece a relevância do ensino superior, qualifica a formação dos estudantes e amplia o impacto social da instituição. Liderar a inovação é criar condições para que pessoas, ideias e práticas evoluam continuamente -- com coragem para mudar, clareza de rumo e compromisso com o futuro.

*Manuir Mentges, reitor da PUCRS, vai falar sobre “Inovação como cultura e estratégia” no GEduc 2026.
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